No olho do furacão, acusado de ter denunciado a própria equipe à FIA no caso de espionagem, já batizado de ?McLarengate?, sem clima no time, sem conversar com o companheiro, olhado torto para mecânicos e engenheiros nos boxes. Mesmo assim, Fernando Alonso, no melhor estilo ?matou a família e foi ao cinema?, foi ao asfalto ontem em Monza fazer o que mais sabe: acelerar.

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E conseguiu a segunda pole position no ano, num momento crucial da temporada. Faltam cinco provas para o fim do campeonato e ele tem de descontar cinco pontos em relação a seu parceiro na McLaren, Lewis Hamilton, para sonhar com o tricampeonato.

E se a taça vier, será a melhor de todas. Foi o que Alonso disse ontem, em tom de desabafo, logo depois de bater Hamilton e a dupla Ferrari na classificação para o GP da Itália, 13.ª etapa do mundial de F1. ?Toda corrida é importante. Mas gostaria de ganhar aqui em Monza porque esta é uma pista especial, onde nunca venci. Só que o que eu quero, mesmo, é ser campeão, num ano tão polêmico. Ganhar este título irá representar muito mais para mim do que os dois anteriores em que derrotei Schumacher. Está mais difícil que nunca, mas por outro lado, está mais perto do que estava há três ou quatro corridas, quando Lewis tinha 14 pontos de diferença.?

Alonso fez o tempo de 1min21s997 na sua primeira tentativa de volta rápida na ?superpole?. Nem precisou da segunda, porque era o último na pista para fechar volta depois de Hamilton, Massa e Raikkonen ? que concluíram suas segundas tentativas sem superar o espanhol. Voltou aos boxes devagar, comemorando timidamente, sem nenhuma grande explosão de alegria.

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A Ferrari decepcionou, com Massa em terceiro a mais de meio segundo de Alonso e Raikkonen em quinto, atrás ainda da BMW Sauber de Nick Heidfeld. Rubens Barrichello larga em 12.º.

Foi a 17.ª pole da carreira de Alonso, o que o coloca ao lado de Jackie Stewart nas estatísticas da categoria em 13.º lugar na história. Dos pilotos em atividade, é o que mais vezes largou na primeira posição do grid.

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Fernando mostra estar focado no que lhe interessa agora: ser campeão. ?O que acontece fora da pista não interfere no trabalho da equipe. Estamos concentrados, atrás dos melhores resultados. E espero que o que aconteceu na classificação se repita na corrida?, falou. Assim, uma dobradinha hoje é tudo que a McLaren espera para acalmar os ânimos pelo menos até quinta-feira, quando a equipe será julgada pelo conselho mundial da FIA.

O GP da Itália, com 53 voltas, começa hoje às 9h de Brasília.

Massa admite inferioridade do time

No começo da semana, Felipe Massa disse que a Ferrari estava ?escondendo o leite? para o GP da Itália, e que os resultados dos testes de Monza, na semana passada, não deveriam preocupar muito sua equipe. A McLaren, na ocasião, fizera os melhores tempos nos quatro dias de treinos.

Ontem, depois de tomar mais de meio segundo de Fernando Alonso na classificação, o brasileiro mudou o discurso. ?Estava difícil acompanhar o ritmo deles?, falou o ferrarista, terceiro no grid atrás da dupla prateada. ?Estamos como em Montreal, perdendo muito tempo quando o carro passa nas zebras.? No Canadá, a McLaren venceu com Hamilton.

Para Kimi Raikkonen, o dia foi ainda pior. No treino livre da manhã, ele travou uma roda sobre uma ondulação na freada para a Ascari, o carro guinou para a direita e bateu forte na barreira de pneus. O piloto não se machucou, mas o carro ficou todo arrebentado.

A Ferrari, então, colocou o motor original no carro-reserva, para Kimi não perder posições no grid. Ele terminou a classificação em quinto, atrás da BMW Sauber de Nick Heidfeld. (FG)