Frankfurt, Alemanha (AG) – Entre os alemães existe a crença de que, quando a Catedral de Colônia ficar pronta, o mundo vai acabar. A igreja de 11 mil cruzes, que começou a ser construída em 1248, é o ponto turístico mais visitado do país e bem poderia ser também o símbolo maior da Alemanha pré-Mundial-2006. Tanto por sua beleza arquitetônica quanto pela busca alemã da perfeição. Nem todas as 12 cidades-sedes da XVIIIa. Copa do Mundo estão com obras, mas o sentimento que transmitem é de que tudo está sendo feito para que a competição seja um marco não só no futebol.

Para se ter idéia da pujança da próxima Copa, o governo alemão destinou cerca de 30 milhões de euros para realizações artísticas e culturais no período. Estão previstos de exposições de arte a peças de teatro, leituras e exibições de filmes. A programação cultural começou em 19 de junho, com a apresentação da Filarmônica Nacional, em Frankfurt.

Às cidades repletas de parques e amplamente arborizadas e aos monumentos históricos, juntam-se agora milhões de euros. Só Hamburgo investiu 48 milhões de euros para vender a imagem cunhada no seguinte slogan: "Hamburgo, cidade esportiva – a porta do mundo".

– O Mundial é uma grande oportunidade para mostrar ao mundo todo o resplendor que tem Hamburgo em todos os seus âmbitos – justifica Uwe Seeler, ex-craque do Hamburgo, da seleção e um dos 16 embaixadores da Copa.

Petra Hedorfer, da empresa de turismo DTZ, calcula que a competição movimentará 90 milhões de euros no setor:

– A Copa será um imã de visitantes que nos dará um crescimento de 1,7% em hóspedes, o que significa de 4,8 a 5 milhões de turistas.

Dortmund, Colônia e Gelsenkirchen gastaram 150 milhões de euros em infra-estrutura. A companhia ferroviária Deutschebahn está investindo 30 milhões de euros (123 trens já foram modernizados). Há cidades, como Leipzig, na ex-Alemanha Oriental, que se tornaram canteiro de obras.

Em Munique, o recém-inaugurado estádio do 1860 Munich consumiu 30 meses e 340 milhões de euros. A ampliação do Estádio Fritz Walter, em Kaiserlautern, chegou a 71 milhões de euros – 7 milhões de euros a mais que o previsto.

– Em 2006, apresentaremos os melhores e mais modernos estádios do mundo – afirma Franz Beckenbauer.

Serão tão ou mais belos que os da Coréia do Sul no Mundial-2002, com uma diferença crucial: os da Alemanha não se transformarão em amontoados de concretos abandonados. Mas o que o país tem mesmo a apresentar são a cultura e beleza de suas cidades.

Basta citar as que a seleção brasileira percorreu na Copa das Confederações: a encantadora Nuremberg, com seus 30 museus e 16 teatros; Leipzig, de Johann Sebastian Bach e Mendelssohn; Frankfurt, sede do Banco Central europeu e principal centro financeiro do continente; e Colônia, fundada em 50 d.C. e considerada a melhor para se viver no país.

O futebol será o cartão de visitas. Munique terá 500 voluntários para atender turistas no Mundial, sob o lema "Amigos perguntam a amigos – amigos encontram amigos". Berlim ampliará o horário de seus museus. Em Hamburgo, 1.700 motoristas de ônibus terão aulas de inglês. Tudo a serviço de uma Copa que quer escancarar as portas da Alemanha ao mundo.