Foto: Valquir Aureliano/Tribuna
Gilberto tem os cinco ausentes
da segunda partida e vai usar
treinos pra definir quem joga.

A festa pela classificação já é coisa do passado. Após eliminar o Coritiba, na última quarta-feira, a Adap voltou ontem aos treinos, já pensando na final do Campeonato Paranaense, contra o Paraná Clube. A decisão começa no próximo domingo, em Maringá.

O clima era de alegria na Toca do Leão, centro de treinamentos da equipe. Mas os jogadores garantem que a concentração é total para o jogo contra o Tricolor. ?Foi uma festa maravilhosa. A torcida estava esperando isso e conseguimos dar essa alegria para eles. Mas já passou. Agora temos mais uma batalha pela frente?, diz o atacante Marcelo Peabiru.

Depois de passar por Atlético e Coritiba, a equipe de Campo Mourão está confiante na possibilidade de deixar para trás os três times da capital. ?O Paraná tem uma grande equipe, mas esperamos, com a força do grupo, conquistar o título. Respeitar sempre, mas temer jamais?, afirma o goleiro Fábio.

Para a primeira partida da final, o técnico Gilberto Pereira conta com as voltas do zagueiro Alex Noronha, do volante Mineiro, e dos meias Felipe Alves e Souza. Todos são titulares e estavam suspensos no jogo da última quarta. A única baixa é o lateral Leandro, que recebeu o terceiro cartão amarelo. ?Tenho várias situações boas, ao contrário do último jogo, quando tivemos muitas dificuldades para escalar um time. Temos dois treinos, vamos analisar mais um pouco o Paraná e só depois vou definir a equipe?, avisa o treinador.

Ontem à noite, o elenco se afastou do clima de euforia de Campo Mourão e voltou a se concentrar em uma pousada no município de Farol, a 25 km distante. Hoje, o grupo treina em dois períodos.

A viagem para Maringá está marcada para amanhã, pela manhã.

Willie Davids no primeiro jogo

A Adap não levou adiante a idéia de ampliar o Estádio Roberto Brzezinski e indicou o Willie Davids, em Maringá, como palco do primeiro jogo da final do estadual, contra o Paraná Clube. A Federação Paranaense de Futebol (FPF) homologou o pedido e já marcou o jogo para as 15h40 de domingo. A segunda partida acontece domingo seguinte, dia 9 de abril, no mesmo horário, no Pinheirão. Logo depois de ver seu time eliminar o Coxa, na quarta-feira, o presidente da Adap, Adílson Batista do Prado, empolgou-se e expôs o plano de aumentar a capacidade do estádio de Campo Mourão de 6 mil para 15 mil torcedores. O plano era instalar em tempo recorde arquibancadas tubulares, semelhantes às que o Atlético instalou para tentar abrigar a final da Libertadores-2005.

De imediato, a FPF e o Paraná Clube mostraram-se contrários à idéia, evocando o artigo 25 do regulamento do estadual. O documento diz que a capacidade oficial do estádio é aquela medida na vistoria anterior no início do campeonato. Ontem, em contato com a Federação, a Adap não demorou a abdicar das tubulares. ?O espaço de tempo é muito curto. Teríamos que mexer em muita coisa e optamos pela solução mais prática?, falou o diretor de futebol Luiz Chanceller.

Outro fator que motivou a rápida mudança de planos é a curta distância entre Campo Mourão e Maringá – cerca de 85 km. ?A torcida irá em massa e jogaremos como se estivéssemos em casa?, acredita o supervisor Edílson Godoy. Ontem à noite, diretores da Adap reuniram-se com representantes da Prefeitura de Maringá para definir os detalhes da organização da partida.

Sucesso da bola gira a economia

A histórica campanha da Adap no Campeonato Paranaense se reflete também na economia do município de Campo Mourão. Comércio, indústria, hotéis e restaurantes já sentem benefícios com a classificação do time local para a decisão do estadual.

Antes artigo raro, a camisa da Adap já começa a ganhar espaço nas ruas da cidade. Assim, as lojas que vendem o uniforme do time comemoram o aumento no movimento. ?Com certeza as vendas aumentaram bastante.

A cada ano elas estão crescendo. Agora, mais do que nunca. Já atendemos até encomendas de outros municípios?, diz Álvaro Machado da Luz, gerente do supermercado Paraná, que também é patrocinador da equipe. ?Patrocinamos a Adap há mais de cinco anos.

Nos dias de jogos, todos nossos funcionários vestem a camisa do clube. Estamos muito satisfeitos com o retorno?, festeja.

No jogo da última quarta-feira, cinco emissoras de rádio, quatro redes de TV e dois jornais impressos de Curitiba acompanharam a partida, além de veículos de cidades da região, como Maringá e Paranavaí. Mais uma importante fonte de renda para os hotéis e restaurantes. ?Essa participação da Adap é boa para todos. Aqui nós já recebemos o Londrina, o Irati, além dos jornalistas de Curitiba e outras cidades do interior?, afirma Beatriz Deitos, gerente do hotel Paraná Palace, que também hospedou a delegação coxa-branca.

Para o prefeito Nelson Tureck, todo o município ganha com a boa fase do time. ?Para nós é um orgulho muito grande. Estamos realizados, pois a Adap está divulgando Campo Mourão para o Paraná e todo o Brasil. Isso ajuda muito a atrair investimentos para a região?, avalia Tureck.

Os dois ?em casa?

Os donos dos direitos de uso do Estádio Willie Davids prometem uma recepção acolhedora aos finalistas do estadual. ?Adap e Paraná são nossos clubes irmãos. É como se os dois jogassem em casa?, disse o presidente do Galo Maringá, Marcos Falleiro.

O Galo já ofereceu às diretorias a estrutura administrativa do clube e do estádio, que tem capacidade para 20 mil torcedores. O Tricolor se antecipou e marcou um treino para amanhã de manhã no Willie Davids. ?Quando o Paraná enfrentou o Toledo e a Adap, usaram nossa lavanderia e outros benefícios. Temos ótima amizade com o professor Miranda e toda a diretoria tricolor?, falou o dirigente. O bom relacionamento vem desde o ano passado, quando o Paraná vendeu a Falleiro e ao grupo que gerencia o Galo quatro partidas do Brasileirão.

No que se refere à torcida maringaense, a cordialidade deve pender para a Adap, na opinião de Falleiro. ?Como o interior não conquista um estadual há muito tempo, naturalmente o público de Maringá deve torcer pela Adap. O povo de Campo Mourão vem bastante para cá. É como se a cidade fizesse parte da Grande Maringá?, diz o dirigente, que também crê na presença de ?neoparanistas?. ?O Paraná deixou boa imagem quando mandou seus jogos aqui?, conta.

Falleiro garante ainda que o Willie Davids está em boas condições – já que o estádio foi utilizado pelo Galo até o final da primeira fase do Paranaense.

Uma nova paixão local

A cidade de Campo Mourão amanheceu orgulhosa na manhã de ontem. Destaque em todos os jornais, a classificação da Adap para a final do Campeonato Paranaense ainda era o principal assunto entre a população local.

Nas lanchonetes e restaurantes, todos estavam ligados na TV e vibravam com a reprise dos gols do time local. ?Já deixamos o Atlético e o Coritiba para trás. Não tem como o Paraná nos vencer. Vamos passar por cima de toda a capital?, apostava o comerciante Francisco do Prado, 43 anos.

Foi assim em toda a cidade, que viveu uma grande festa na noite de quarta-feira. ?Lá em casa, fomos dormir só depois das 3 horas da manhã. Parentes, vizinhos, todos estavam muito felizes com a vitória da Adap e a festa durou a noite inteira?, dizia Maria Aparecida Marconeski, 36.

E a alegria não ficou somente nos limites do município. A torcida pela Adap uniu toda a região. ?Tenho amigos que moram em Farol e Peabiru. Lá a comemoração foi grande também?, conta Maria.

Entre os jogadores, três se destacam na preferência da torcida morãoense. ?Todos eles são heróis. Mas o Ivan e o Batista estão jogando muito bem. Com eles e nosso goleiro Fábio, a Adap não perde pra ninguém?, acredita Rodrigo de Paula, 22.

A boa fase da Adap ameaça até mesmo a supremacia dos times paulistas na região. ?Sou corintiano. Mas se o Timão vier jogar aqui, sinto muito. É Adap, com certeza?, diz Rodrigo, já imaginando um possível confronto pela Copa do Brasil.

Heróis e ídolos pra garotada

A conquista da vaga na final do Campeonato Paranaense deu aos jogadores da Adap a condição de celebridades em Campo Mourão. Ontem, na frente do centro de treinamentos do clube, era grande a movimentação de crianças em busca de um autógrafo.

Com o time da cidade passando pelos grandes da capital, os atletas viraram referência para a molecada mourãoense. ?Vim aqui para ver o Fábio. Ele é o melhor goleiro do Brasil?, dizia o garoto Fernando, de 8 anos. O sucesso da equipe convenceu o menino a ?virar a casaca?. ?Eu era santista. Agora sou Adap?, revela.

Os jogadores ficam orgulhosos com o assédio. ?Em cidade do interior não tem muito essa coisa. As pessoas têm vergonha de chegar, pedir um autógrafo. Mas agora eles estão reconhecendo o nosso trabalho, e isso é muito bom?, comemora o atacante Marcelo Peabiru.