Reclamar dos prejuízos proporcionados pelo Campeonato Paranaense havia se tornado rotina no interior. Boa parcela de culpa era atribuída à fórmula, sobretudo em 2009 e 2010, quando o supermando permitiu que algumas equipes jogassem a maioria das partidas da fase final fora de casa. Outro problema era a possibilidade de receber apenas um time do Trio de Ferro em casa durante toda competição. Situação drástica, que pode mudar em 2011.

Dirigentes dos oito clubes de fora da capital agora já soltam as primeiras palavras de otimismo. Com Atlético, Coritiba e Paraná Clube escalados para atuar como visitantes no interior e no litoral, a esperança nessas cidades é de fazer melhores negócios, ter mais torcedores nas arquibancadas e fechar o certame pelo menos empatando as despesas. “Lucro acho difícil ter, mas prejuízo não vai dar, pois o torneio foi bem organizado”, opina o diretor de futebol do Paranavaí, Lourival Furquin. “Fica até uma sensação melhor, por ser uma fórmula mais justa. Na cidade a receptividade foi melhor e a motivação é maior, o que nos levou a investir mais no time”, ressalta o diretor de futebol do Cianorte, Adir Kist.

Para o supervisor de futebol do Roma Apucarana, Ítalo Vasconcelos, até os confrontos diante de outros times do interior devem ser atrativos. “Para jogos contra os times da capital, e até mesmo Operário e Arapongas, a expectativa é de repetirmos públicos similares ao da fase final da Divisão de Acesso 2010, quando mais de 6 mil torcedores pagaram ingresso”.

Animados, alguns clubes já arriscam lançar planos de sócios. “Na primeira semana já vendemos mais de 100 kits-torcida. Até o início do campeonato pretendemos vender uma média de 2 a 3 mil ingressos antecipados”, arrisca o supervisor de futebol do Arapongas, Sidiclei Menezes.

Quando a safra é boa, vale até “transformar” uniforme em “macacão de Fórmula 1”. “Estamos parecidos com o Corinthians”, brinca o diretor Adir Kist, do Cianorte. “Ainda não temos um patrocinador de peso para nossa camisa, mas conseguimos o apoio de vários pequenos patrocinadores. Isso também mostra o quanto a cidade está nos apoiando”,completa o presidente do Cascavel, Ney Victor.

Divergentes

Apesar de boa parte dos dirigentes interioranos acharem o torneio “justo”, não é todo mundo que carrega o sorriso no rosto na hora de discursar sobre a rentabilidade do Campeonato Paranaense 2011. O gestor do Operário de Ponta Grossa, Dorli Michels, é um exemplo de ponderação. “Se tivermos a mesma média do ano passado, pelo menos as despesas se equilibram, principalmente por termos 11 jogos em casa”, conta. “Apesar de nossa torcida ter comparecido em peso, em 2010 tivemos um pequeno prejuízo, mais em função das reformas no estádio. Foi um gasto extra que gerou novas despesas”, completou.

A moderação também está presente na fala do presidente do Iraty, Sergio Malucelli. “O clube que fizer boa campanha pode ter lucro. Acho que a fórmula, sem dúvida, ficou boa e melhorou muito. Ainda assim, no nosso caso, a ajuda (do empresariado) é quase inexistente. Pouca gente anuncia publicidade. Até o momento, quem não sobrevive da venda de jogador só tem prejuízo”, avalia.

Já o presidente do Rio Branco, Nivaldo Domanski, acredita que a torcida vá comparecer apenas pelo fato de o clube de Paranaguá ser uma espécie de “coqueluche do litoral”. Ainda assim, lamenta a burocracia. “Estávamos pensando em um projeto especial pra chamar a torcida. Mas se você tem uma renda, e a Federação (Paranaense de Futebol) pega boa parte dela, aí fica inviável”, reclama.