O Atlético passará para a história como o primeiro campeão brasileiro do milênio. Mas nem precisaria disto para escrever sua história nos próximos mil anos no planeta. Quem não lembra?

Em abril de 2000, num puro lance de “chute e por causa de uma ressaca” do motorista curitibano Clóvis Luís Gonçalves, o Rubro-Negro foi indicado para ter sua camisa entre os 14 ítens escolhidos pelo jornal The NewYork Times para ficar na Cápsula do Tempo, nos EUA, que será aberta somente no ano 3000. A proposta do jornal é mostrar aos habitantes do próximo milênio como viviam e os objetos utilizados pelos terrestres atuais.

Simon Romero, correspondente do jornal americano, permaneceu durante sete horas em Curitiba, uma das cinco cidades escolhidas pelo jornal (as outras foram Fountain (Colorado), Bharaptur (Índia), Mantes La-Jolie (França) e Balawayo (Zimbábue), sobrevoou a cidade, visitou favelas e recebeu como sugestão do governador Jaime Lerner levar um pedaço da calçada da Rua das Flores e uma amostra de água doce.

O motorista, destacado pela Secretaria da Comunicação Social para ficar à disposição do jornalista, sugeriu primeiro guardar uma bola na cápsula do milênio, mas logo em seguida lembrou da camisa do seu Atlético. É que na época, a equipe estava fazendo a melhor campanha entre os 32 participantes da Copa Libertadores, terminando a primeira fase sem derrota.

Lá se foi o frasco de água doce, mas também a camisa do Atlético, que acabou eternizando o futebol paranaense, brasileiro e mundial. Um lance de marketing maior que o bicampeonato mundial do poderoso Santos de Pelé, a maravilha do planeta dos anos 60, ou do tetracampeão brasileiro Flamengo, ou da seleção brasileira tricampeã do mundo no México.

Isto rendeu a campanha lançada logo em seguida ? “Atlético 3000 ? Paixão Eterna” ? que o clube mantém até agora. Com o respaldo do Museu de História Americano de História Natural, a camisa passou a ser uma relíquia para visitação, ao lado de outros objetos, como a própria garrafa de água doce, um pedaço de arame farpado, uma carteira de cigarro Madisson, um telefone celular, um pager, um boneco Beanie Baby, uma marmita e uma medalha do exército americano, uma camisinha, uma cadeira para cerimônias sagradas, um frasco de penicilina, um tíquete de estacionamento, um adorno de ouro para o nariz, e um artigo da constituição da Índia abolindo a sociedade de castas. Se fosse há mil anos, os gregos certamente cunhariam o Atlético de alfa e ômega, o princípio e o fim de um milênio.