Quem anda de ônibus em Curitiba poderá ter mais opções para chegar ao destino, veículos com ar-condicionado e a possibilidade de trocar de linha sem precisar passar por um terminal. Essas são algumas das mudanças previstas no novo edital de concessão do transporte coletivo, que propõe investimentos de R$ 3,9 bilhões e a entrada de cerca de 1.500 ônibus novos ao longo dos próximos 15 anos.

A proposta vai além da renovação dos contratos com as empresas que operam o sistema. A ideia é facilitar os deslocamentos de quem usa o transporte público para trabalhar, estudar, ir a consultas médicas ou circular pela cidade. Entre as medidas estão a ampliação da frota elétrica, novas ligações entre bairros e mudanças na forma de avaliar a qualidade do serviço.

A implantação das melhorias depende do andamento do processo de concessão, que aguarda uma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Com a liberação da licitação e a conclusão das etapas previstas, o novo modelo poderá começar a ser colocado em prática.

Trocar de ônibus sem pagar outra passagem

Uma das principais mudanças previstas é a integração temporal em toda a rede. Com o cartão-transporte da Urbs, o passageiro poderá trocar de ônibus dentro de um período estabelecido, sem pagar outra tarifa e sem precisar ir até um terminal para fazer a conexão.

Na prática, a proposta é dar mais liberdade para escolher onde mudar de linha. Quem hoje precisa seguir até um terminal apenas para fazer uma integração poderá contar com outras possibilidades de trajeto, conforme as regras que forem definidas para a nova operação.

O edital também prevê quatro linhas conectoras para facilitar as viagens entre bairros, evitando a necessidade de passar pelo Centro em determinados deslocamentos. Outra medida é o retorno da Circular Centro, com ônibus elétricos.

A reorganização da rede busca tornar os percursos mais diretos e reduzir o tempo gasto em conexões. Os resultados dependerão da implantação das linhas e do funcionamento da integração temporal.

Mais ônibus com ar-condicionado e veículos elétricos

O conforto dentro dos ônibus também está entre as prioridades do novo modelo. A previsão é que metade da frota tenha ar-condicionado até 2031 e que todos os veículos sejam climatizados em até 12 anos.

O edital prevê a renovação gradual da frota com cerca de 1.500 ônibus novos ao longo dos 15 anos de contrato. Os veículos substituirão parte dos atuais, sem representar um aumento equivalente na frota em circulação.

A eletrificação é outra parte do projeto. A previsão é incorporar 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 no início da nova operação. Entre os modelos previstos estão veículos articulados e biarticulados.

Além de serem mais silenciosos, os ônibus elétricos não emitem poluentes pelo escapamento. O edital também prevê 151 novos ônibus a diesel com tecnologia Euro 6, que estabelece limites mais rigorosos para a emissão de poluentes.

Os novos veículos deverão contar ainda com câmeras de monitoramento, ampliando os recursos disponíveis para acompanhar a operação.

Qualidade do serviço também entrará na conta

Outra mudança está na maneira de avaliar as empresas responsáveis pelos ônibus. Pelo modelo proposto, a remuneração das concessionárias terá relação com indicadores de qualidade, incluindo a satisfação dos passageiros, as condições da frota e o desempenho da operação.

Isso significa que a avaliação do serviço prestado fará parte das regras contratuais, em vez de considerar apenas a oferta programada de ônibus.

Atualmente, segundo dados apresentados pela Urbs, o sistema transporta cerca de 580 mil passageiros por dia útil. Em agosto de 2026, a frota operacional informada era de 1.207 ônibus.

Para colocar o novo modelo em funcionamento, a concessão foi dividida em cinco lotes: dois destinados às linhas estruturais, como expressos e ligeirões, e três regionais.

O edital prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos ao longo de 15 anos, dos quais R$ 2,44 bilhões estão programados para os primeiros cinco anos. A maior parte dos recursos de investimento, 96,75%, será destinada à frota.

Já o valor global estimado dos serviços é de R$ 18,75 bilhões durante a vigência contratual. Esse montante inclui custos de operação, investimentos e remuneração das concessionárias. Portanto, não se trata de um segundo valor de investimento a ser somado aos R$ 3,9 bilhões.

Integração com a Região Metropolitana também está prevista

Para quem utiliza linhas que circulam entre Curitiba e os municípios vizinhos, a integração metropolitana também faz parte do planejamento do novo sistema.

Segundo a Urbs, a proposta preserva a integração entre o transporte coletivo da capital e as linhas metropolitanas compartilhadas, sem cobrança adicional nessas conexões, conforme as regras previstas para a operação.

A manutenção dessas ligações é importante para passageiros que dependem do transporte público para circular entre municípios da Região Metropolitana, especialmente nos deslocamentos diários para trabalho e estudo.

Assim como as demais mudanças apresentadas no edital, a implantação do modelo depende da conclusão do processo de concessão.

Obras de mobilidade também preparam a cidade para os novos ônibus

A renovação da frota e as mudanças na operação não acontecem isoladamente. Para que os ônibus circulem com mais eficiência, também é necessário preparar as ruas, os corredores exclusivos, as estações e os terminais.

Essa é uma das frentes do PRO Curitiba, programa que reúne obras de revitalização e infraestrutura em diferentes regiões da cidade. Na mobilidade urbana, dois projetos têm ligação direta com a preparação do transporte coletivo: o Novo Inter 2 e o BRT Leste-Oeste.

O Novo Inter 2 prevê a requalificação de mais de 38 quilômetros de vias, em um percurso que abrange 28 bairros e atende cerca de 181 mil passageiros por dia. As intervenções incluem pavimentação, acessibilidade e adequações para a circulação dos ônibus, inclusive os modelos elétricos previstos para o sistema.

Já o BRT Leste-Oeste contempla a requalificação de aproximadamente 20 quilômetros de infraestrutura de transporte, além de melhorias em estações-tubo e terminais.

Em trechos desses corredores, a substituição do asfalto por pavimento de concreto busca aumentar a resistência das vias ao peso e à circulação frequente dos ônibus, além de reduzir a necessidade de manutenção.

Com a nova concessão, a Prefeitura pretende renovar a forma de operar o transporte. Com as obras do PRO Curitiba, prepara parte da infraestrutura por onde essa frota deverá circular. São projetos diferentes, mas ligados a uma mesma necessidade de quem depende do ônibus: ter condições de fazer seus deslocamentos com mais conforto, conexões e regularidade.