Principal corredor do transporte coletivo da capital será totalmente modernizado para reduzir o tempo de viagem, ampliar a integração entre linhas e preparar a cidade para uma nova geração de ônibus que causam menos impacto ambiental

Quem passa diariamente em avenidas como a Avenida Sete de Setembro e a Presidente Affonso Camargo já percebe o avanço das obras, as mudanças no trânsito e os canteiros espalhados por diferentes regiões de Curitiba. À primeira vista, as intervenções podem parecer desconectadas. Mas, na realidade, elas integram um único empreendimento que promete redefinir a mobilidade da capital: o BRT Leste-Oeste.

Mais do que recuperar canaletas exclusivas para ônibus, a iniciativa prevê a modernização completa do principal corredor estrutural do transporte coletivo da cidade. Ao longo de mais de 20 quilômetros, serão requalificados vias, estações, terminais e espaços públicos para tornar as viagens mais rápidas, confortáveis e eficientes, além de preparar a infraestrutura para a futura operação com ônibus elétricos.

O empreendimento integra o PRO CURITIBA, maior programa de revitalização e obras da história da capital paranaense, que avança em diversas frentes, entre elas, a mobilidade urbana. Neste quesito, alguns trechos já foram entregues, outros estão em execução, e, recentemente, a Prefeitura publicou os editais dos últimos grandes lotes de obras, ampliando o alcance das intervenções previstas para todo o eixo entre Pinhais e a Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Um corredor pensado para as próximas décadas

O sistema foi concebido para responder aos desafios atuais do transporte coletivo. Desde a implantação do corredor, décadas atrás, a demanda de passageiros aumentou, os veículos ficaram maiores e a operação passou a exigir soluções capazes de garantir mais fluidez e regularidade.

O projeto prevê a requalificação de mais de 20 quilômetros de canaletas exclusivas, a reforma de 34 estações-tubo e a modernização de cinco terminais, beneficiando diretamente cerca de 200 mil passageiros por dia. Todo o conjunto foi planejado para aumentar a capacidade operacional e oferecer uma infraestrutura compatível com as necessidades futuras do sistema.

Entre as principais mudanças está o redesenho de trechos das canaletas e das estações. O alargamento de pontos estratégicos permitirá que os ônibus realizem ultrapassagens, reduzindo gargalos e melhorando a circulação. Com isso, a velocidade média operacional deverá passar de 17 km/h para 23 km/h, enquanto o tempo de viagem do Ligeirão entre o Terminal de Pinhais e o futuro Terminal CIC Norte poderá ser reduzido em até 23 minutos.

Muito além do transporte coletivo

Embora o foco seja o deslocamento dos ônibus, as intervenções abrangem diversos elementos da infraestrutura urbana.

Ao longo do corredor serão executadas obras de drenagem, reconstrução de pavimentos, implantação de calçadas acessíveis, melhorias na iluminação, adequações para ciclistas, paisagismo, sinalização e reorganização da circulação viária.

Outro destaque é a adoção de pavimento rígido de concreto nas canaletas exclusivas. Segundo a Prefeitura de Curitiba, a solução oferece maior resistência ao tráfego intenso de ônibus articulados e biarticulados, aumenta a durabilidade da estrutura e reduz a necessidade de intervenções frequentes de manutenção.

O que muda para quem utiliza o sistema

Os benefícios esperados vão além das obras visíveis nas ruas.

Estações modernizadas, terminais renovados, maior acessibilidade, viagens mais previsíveis e redução do tempo de deslocamento fazem parte das melhorias previstas para os passageiros. Isso traz mais qualidade de vida para uma cidade já reconhecida por isso. A reorganização operacional também permitirá ampliar a eficiência do sistema e facilitar a integração entre diferentes linhas.

E tem mais: ao tornar o transporte coletivo mais competitivo em relação ao automóvel, a expectativa é estimular seu uso e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando mobilidade urbana e sustentabilidade.

As obras já avançam em diferentes regiões

Os efeitos do projeto já podem ser observados em várias áreas da cidade.

Na região central, equipes trabalham na implantação das fundações da futura Estação Eufrásio Correia, na execução de pavimento de concreto nas canaletas e na requalificação de trechos das avenidas Sete de Setembro e Presidente Affonso Camargo. As intervenções também incluem a modernização das estações Mariano Torres e Rodoferroviária.

Obras do BRT Leste-Oeste na Avenida Sete de Setembro.
Obras do BRT Leste-Oeste na Avenida Sete de Setembro.

No Cajuru, uma das etapas já concluídas entregou mais de cinco quilômetros de vias revitalizadas, com novas canaletas, drenagem, pavimentação e estações reformadas. Em paralelo, seguem outras frentes de trabalho previstas no cronograma do empreendimento, como a construção do novo Terminal Capão da Imbuia.

Nova etapa amplia o alcance das intervenções

A publicação dos editais dos Lotes 1, 2 e 3 marca uma nova fase do empreendimento.

Juntos, os três contratos somam aproximadamente R$ 245 milhões destinados à requalificação de importantes trechos entre a CIC, Campina do Siqueira, Praça Rui Barbosa e a divisa com Pinhais. As obras incluem reformas de estações-tubo, revitalização de vias, implantação de novas plataformas, melhorias urbanísticas e adequações operacionais.

O BRT Leste-Oeste faz parte do PRO Curitiba, programa financiado pelo New Development Bank (NDB), que também contempla outras iniciativas voltadas à mobilidade urbana sustentável. Entre elas está a preparação da infraestrutura necessária para a futura incorporação de ônibus elétricos ao sistema.

Quando estiver concluído, o corredor deverá conectar com mais eficiência diferentes regiões da cidade, ampliar as possibilidades de integração entre linhas e oferecer deslocamentos mais rápidos e confiáveis para milhares de passageiros. É uma iniciativa que busca preparar Curitiba para os desafios da mobilidade urbana nas próximas décadas, preservando a vocação da cidade como referência em transporte coletivo.

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