A deputada federal e candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) participou nesta terça-feira (1º) de uma sabatina na RPC. A ex-ministra respondeu a perguntas sobre investigações envolvendo membros de seu partido, foro privilegiado, emendas Pix e combate à violência contra a mulher.
Em 2015, enquanto exercia mandato como senadora, ela foi autora de proposta de emenda constitucional que deu origem ao repasse de emendas parlamentares de forma direta a estados e municípios, sem necessidade de convênio. À RPC, ela afirmou que não se arrepende de ter trabalhado pela ferramenta no Congresso Nacional, apesar de ter ressalvas quanto ao funcionamento atual das emendas Pix.
“Quando a gente fez isso, era para repassar direto para obras menores, obras mais emergenciais, para não perder o valor de compra. Às vezes você passa um valor para o município e ele tem que fazer um convênio, esperar aprovar e quando vai executar, aquele dinheiro já foi comido pela inflação”, contou.
Ela defendeu a discussão de ferramentas mais rigorosas para os repasses. “O parlamento precisa ter emenda, mas não pode ser essa quantidade. R$ 44 bilhões é quase o nível do investimento que você tem para o país. Não tem outro Congresso no mundo que tenha esse paralelo de tanta emenda, com o Legislativo fazendo a execução”, disse.
Gleisi disse não ser contra a instauração de processos de impeachment contra ministros do STF. “Isso é função do Senado, julgar e processar ministros do Supremo, dos tribunais superiores, Presidente da República. Tendo o processo sido instaurado, eu tenho clareza e tranquilidade de sentar, discutir e julgar; para mim isso não é um problema e nenhum tabu”, avaliou.
A parlamentar reafirmou seu posicionamento contra o foro privilegiado (regra jurídica que garante julgamento por tribunais superiores a algumas autoridades) e negou que haja contradição no fato de tê-lo utilizado em 2016: “Era estabelecido em lei. Eu ia usar o quê? Nós temos que mudar a lei para que todo mundo seja igual e, se eu tiver que votar, vou votar contra no Congresso”. Na ocasião, ela foi absolvida pelo STF no âmbito da ação penal 1003.
Relatora do projeto de lei que deu origem à Lei do Feminicídio, ela afirmou que, caso conquiste uma das cadeiras em disputa no Senado, conduzirá um mandato para “enfrentar a violência contra a mulher”. “Nós não vamos viver numa sociedade equilibrada, numa sociedade boa, enquanto as mulheres forem mortas por serem mulheres, enquanto elas forem discriminadas, enquanto elas não forem respeitadas”, disse.
Ela lembrou que, quando esteve na Casa Alta por duas legislaturas, dividiu a bancada do Paraná com Roberto Requião, Álvaro Dias e Osmar Dias, em diferentes momentos. “Nós fazíamos muitos debates políticos, mas trabalhávamos pelo estado, trazíamos respostas para o Paraná. A política não pode ser só uma discussão ideológica, ela tem que trazer as coisas para as pessoas”, declarou.
Confiança do eleitor
Questionada sobre como é possível “conquistar a confiança” do eleitor depois do envolvimento de pessoas ligadas ao PT em episódios como o Mensalão e Operação Lava Jato, ela afirmou que essa confiança será testada nas eleições de outubro, assim nas de 2022, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito para um terceiro mandato.
“Apesar do Lula ter sido preso injustamente, processado injustamente, ele foi absolvido pelo povo. Essa, para mim, é a maior absolvição, a confiança que a população deu a ele e a todo o projeto que nós temos de desenvolvimento do Brasil”, disse.
Gleisi Hoffmann também comentou as investigações contra o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito do caso do Banco Master, os inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e contra o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola.
“Tudo tem que ser apurado, se a pessoa errou, ela tem que pagar. Seja quem for, não importa se é meu amigo, se é amigo do outro, tem que pagar. O que nós precisamos é que os processos estejam dentro do devido processo legal para que a gente não tenha mais shows midiáticos sobre investigações, o que é muito ruim”, declarou.
