Fundada em 7 de fevereiro de 2006, em Mandaguari (Paraná), a Rodocoop – Cooperativa de Transportes e Serviços Rodoviários nasceu do esforço coletivo de 25 motoristas autônomos, que se uniram para enfrentar desafios comuns da categoria. Os pioneiros buscaram no cooperativismo a força necessária para transformar sua realidade profissional. O objetivo era claro: agregar forças para o bem comum, centralizar a contratação de fretes, facilitar o acesso a insumos e defender os interesses econômicos dos transportadores da região.
Desde o início, a intercooperação esteve no DNA da Rodocoop. A parceria com a Cocari – Cooperativa Agropecuária e Industrial foi fundamental para garantir cargas e estruturar os serviços aos cooperados. Essa aliança se consolidou como um exemplo prático do 6º princípio cooperativista, fortalecendo tanto os motoristas quanto a cadeia produtiva regional.
“O primeiro ponto que eu acho fundamental é a intercooperação. Estar mais próximos de outras cooperativas, como fazemos com a Cocari e a Aurora, significa mais serviços e mais segurança para todos”, destaca Marcos Trintinalha, presidente da Rodocoop.
Estruturação e serviços aos cooperados
Ao longo dos anos, a Rodocoop consolidou uma ampla estrutura de apoio aos cooperados. Além da contratação e agenciamento de fretes, passou a oferecer adiantamento no ato do carregamento, preços diferenciados em óleo diesel — que representa quase 50% dos custos do transporte — e serviços de oficina mecânica, lavagem e lubrificação, inclusive nos fins de semana.
Essas iniciativas respondem a uma realidade nacional preocupante: segundo levantamento da ANTT (maio de 2023), a idade média dos caminhões que circulam nas rodovias brasileiras é superior a 22 anos, e 37% da frota está nas mãos de autônomos. Com acesso limitado ao crédito, esses profissionais enfrentam dificuldades para renovar veículos, o que aumenta custos e reduz a competitividade.
“Nós oferecemos benefícios concretos: óleo diesel praticamente a preço de custo, oficina mecânica, lavagem, pátio com segurança, plano de saúde e até seguro de vida. O cooperado aqui tem respaldo em documentação, em crédito e na própria renda, o que faz toda a diferença para quem está na estrada”, explica Trintinalha.
Investimentos e expansão
Em quase duas décadas de história, a cooperativa investiu fortemente em infraestrutura. Em julho de 2018, inaugurou sua sede própria em Mandaguari, em uma área de 12 mil m², com estacionamento e ponto de parada para associados. No mesmo espaço, foi ampliada a capacidade de armazenamento de óleo diesel para 45 m³, distribuídos entre Diesel S-500, Diesel S-10 e aditivos.
A partir de 2020, novos serviços foram entregues: estação de lavagem com tratamento de água, oficina mecânica, ampliação do pátio de estacionamento e, em 2023, a expansão do Centro Automotivo Rodocoop (CAR). Já em 2025, a cooperativa recebeu da Cocari, em comodato, uma área de 6 mil m² em Cristalina (GO) para implantação de um novo ponto de abastecimento, previsto para ser inaugurado até dezembro.
“A Rodocoop está hoje no Paraná, em Goiás e em Minas Gerais. Temos planos de crescer em outras atividades e regiões, sempre ao lado das cooperativas parceiras, porque isso fortalece todo o sistema”, afirma o presidente.
Valorização do cooperado
Mais do que infraestrutura, a Rodocoop estruturou benefícios voltados à valorização do cooperado e de suas famílias. Entre eles estão planos de seguro de carga com coberturas adicionais, seguro de vida em grupo e assistência médica e hospitalar em parceria com a Humanas Saúde. Essas iniciativas garantem segurança social e fortalecem o vínculo com a cooperativa.
A missão da Rodocoop é clara: contribuir para o crescimento nacional, respeitando os princípios cooperativistas e promovendo o desenvolvimento humano e profissional de seus associados. Com uma gestão transparente e profissionalizada, a cooperativa busca atingir a excelência em seu ramo de atuação, valorizando a ética, a competência e a sustentabilidade.
“Além de vantagens materiais, como o combustível mais barato e a oficina, o cooperado tem algo essencial: segurança. Ele sabe que está em uma organização séria, com respaldo e direitos garantidos, o que dá tranquilidade para ele e confiança para quem contrata nossos serviços”, reforça Trintinalha.
Cooperativas de transporte no Paraná fecham 2024 com crescimento
O exemplo da Rodocoop, que cresceu apoiada na intercooperação e na valorização do motorista autônomo, ajuda a compreender o cenário mais amplo do ramo transporte no Paraná. Assim como a cooperativa de Mandaguari, outras organizações do setor vêm diversificando serviços, ampliando sua infraestrutura e garantindo benefícios diretos aos cooperados, mantendo uma base financeira sólida.
Essa evolução se reflete nos números consolidados de 2024: o ramo de transporte do cooperativismo paranaense faturou R$ 754,7 milhões, um crescimento de quase 7% em relação a 2023, e movimentou 56 milhões de toneladas de cargas, todas destinadas ao mercado doméstico.
Tradicionalmente concentradas no transporte de grãos e cereais, que já chegaram a responder por mais de 70% da movimentação, as cooperativas passaram a explorar também cargas gerais, congelados, madeira, papel e até passageiros, com o turismo rodoviário. O resultado é uma composição mais equilibrada: 33,7% grãos e 65,3% outros produtos.
A estrutura do setor mostra solidez: são 31 cooperativas espalhadas por todas as regiões do estado, com destaque para o Oeste e o Sudoeste, reunindo 3.732 cooperados e uma frota superior a 3 mil veículos. O patrimônio líquido somou R$ 80 milhões em 2024, com baixo endividamento (43,4% do total, sendo apenas 5,6% de longo prazo), liquidez corrente de 2,09 e margem EBITDA de 2,7%. O setor ainda distribuiu R$ 36,4 milhões em valor adicionado, dos quais 38,5% retornaram diretamente ao bolso dos cooperados.
Mais do que os números, o desempenho revela que as cooperativas de transporte cumprem hoje um papel estratégico: conectam regiões produtivas, fortalecem cadeias logísticas e, como a Rodocoop exemplifica, oferecem ao transportador autônomo condições que dificilmente seriam alcançadas de forma isolada.
“Para melhorar essa situação, é fundamental fortalecer a intercooperação. Quando as cooperativas de outros ramos contratam o transporte dentro do próprio sistema, o impacto é enorme”, afirma Marcos Trintinalha, presidente da Rodocoop. “Ainda vemos gargalos como infraestrutura rodoviária precária e dificuldade de renovação da frota, que exigem políticas públicas e linhas de crédito mais acessíveis, mas o potencial de crescimento do ramo é imenso, principalmente aqui no Paraná”, diz.
Para Trintinalha, os benefícios vão além da escala: “O cooperado tem acesso a combustível a preço reduzido, assistência técnica, plano de saúde, seguro de vida, infraestrutura de apoio e, principalmente, segurança. Quem contrata uma cooperativa sabe com quem está lidando — o sistema oferece rastreabilidade, confiança e solidez. É um modelo que protege o transportador e fortalece o negócio.”
Cooperativismo de Transporte no Paraná (2024)
Estrutura Geral
- Cooperativas: 31
- Ramos de atuação: grãos, cargas gerais, congelados, madeira, papel, transporte turístico de passageiros e náutico
- Presença regional: todas as regiões do Paraná, destaque para Oeste e Sudoeste
Desempenho Econômico-Financeiro
- Faturamento total: R$ 754,7 milhões (+7% sobre 2023)
- Resultado líquido: R$ 16,3 milhões
- Valor adicionado: R$ 36,4 milhões
- 38,5% cooperados
- 11,6% governo
- 45,0% capitalização
- 4,9% capitais de terceiros
- Composição do faturamento:
- Transporte de cargas: 98,9%
- Transporte de passageiros: 1,1%
- Principais produtos transportados (2024):
- Grãos/cereais: 33,7%
- Outros produtos: 65,3%
Estrutura Patrimonial
- Patrimônio líquido: R$ 80 milhões
- 59,0% fundos e reservas
- 26,3% capital social
- 14,7% resultados acumulados
- Capital social médio por cooperado: R$ 5,6 mil
- Ativos totais: R$ 141,4 milhões
- Endividamento total: 43,4%
- Longo prazo: 5,6%
- Liquidez corrente: 2,09
- Margem EBITDA: 2,7%
Operações
- Volume transportado: 56 milhões de toneladas (2024)
- Mercado: 100% doméstico (sem exportação em 2024)
- Frota total: 3.086 veículos
- Maioria: caminhões, carretas e bi-trens
- Frota de passageiros: 416 veículos
Quadro Social e Laboral
- Associados: 3.732
- Pessoas físicas: 90,97%
- Pessoas jurídicas: 9,03%
- Funcionários: 170
- Faturamento médio mensal por cooperado: R$ 13,3 mil
O potencial do cooperativismo de transporte no Brasil
Experiência bem-sucedidas como da Rodocoop e de outras iniciativas do Paraná reflete uma tendência mais ampla em todo o país. O ramo transporte do cooperativismo brasileiro tem se consolidado como uma alternativa cada vez mais estruturada, profissional e alinhada aos princípios da sustentabilidade e da valorização do trabalho.
Seja para pegar um táxi ou ir de ônibus, para contratar um serviço de entrega ou de transporte escolar, ou até para fazer um passeio turístico, sempre tem uma cooperativa de transporte que oferece um serviço de qualidade. Além de um caminho de oportunidades para pequenos e médios transportadores.
O cooperativismo de transporte se destina a organizar a prestação de serviços de transporte de passageiros ou carga. A propriedade dos veículos é dos próprios cooperados. Esse segmento do cooperativismo nasceu como uma forma de organização, profissionalização e liberdade dos pequenos e médios transportadores. Atualmente, engloba cooperativas que se dedicam ao transporte turístico, oferecendo os serviços de transfers e passeios de bugue, por exemplo.
Seja táxi, moto, van, ônibus ou caminhão, o cooperativismo oferece condições para que os transportadores exerçam sua profissão com mais dignidade e oportunidades.
Como as cooperativas de transporte funcionam?
Na cooperativa, os profissionais cooperam entre si por melhores condições de trabalho na área de transporte e é necessário ser dono ou ter permissão para o uso do veículo. Como em qualquer cooperativa, todos são donos do negócio e a gestão é democrática, ou seja, cada cooperado tem voz e voto nas decisões da assembleia. Além disso, o trabalho é guiado por princípios e valores que têm como base a justiça social, a equidade, a solidariedade e a sustentabilidade.
Variedade de segmentos no Brasil
O cooperativismo de transporte é bem diverso, com diferentes segmentos:
- Transporte rodoviário de cargas: 49,9%
- Transporte coletivo de passageiros: 43,2%
- Transporte individual de passageiros: 22,6%
- Transporte náutico de cargas: 1,7%
- Transporte aéreo de cargas: 0,3%
(Fonte: AnuárioCoop 2024)
Cooperativismo de transporte oferece mais oportunidades e desenvolvimento para o Brasil
Nos últimos dois anos, o setor de transporte foi fundamental para o desenvolvimento do Produto Interno Bruto (PIB). O cooperativismo de transporte se destaca nesse cenário com o potencial para aumentar o tamanho das frotas e levar meios de transporte de qualidade para as cidades brasileiras. Para o consumidor, o cooperativismo de transporte oferece um serviço de qualidade, com preço justo, sustentável e que desenvolve toda a sua comunidade.
Cenário no Brasil
Em todas as regiões do Brasil há cooperativa de transporte oferecendo qualidade, oportunidades, sustentabilidade e bem-estar para as pessoas. Os números de 2024 mostram isso:
- 752 cooperativas
- 114,8 mil cooperados
- 5,8 mil empregos diretos
- R$ 1,33 bilhões em ativos totais
- R$ 287,33 milhões em salários e benefícios para funcionários
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 2021 o setor apresentou crescimento de 11,4%. Além disso, nesse mesmo período foram criados 79.796 postos formais de trabalho. E o cooperativismo de transporte foi fundamental nesse cenário. Os números de nossas cooperativas reforçam o potencial do ramo para ampliar o tamanho das frotas, levando transporte de qualidade para as cidades brasileiras.
Diferenciais para os profissionais cooperados
As cooperativas de transporte oferecem vários diferenciais aos seus cooperados, como:
- Poder de comercialização: Com a união de forças e sendo donos do negócio, os profissionais ganham mais visibilidade e têm melhores oportunidades de compra de peças e equipamentos. Como a compra é feita em grande quantidade, os preços também são diferenciados.
- Infraestrutura: Os profissionais do transporte conseguem ter melhores condições de trabalho e mais oportunidades. Além disso, as cooperativas oferecem treinamentos e realizam a gestão comercial e operacional, contribuindo para o crescimento e profissionalização do negócio.
A trajetória do cooperativismo de transporte no Paraná, impulsionada por casos como o da Rodocoop, mostra como a intercooperação e a valorização do transportador autônomo são caminhos viáveis para fortalecer o setor. Em escala nacional, o modelo segue se consolidando como alternativa sustentável, competitiva e com grande potencial de crescimento para transformar a logística e a mobilidade no Brasil.
