Destaque no ramo Agro, cooperativa paranaense consolida modelo de intercooperação, amplia mercados e projeta dobrar faturamento até 2032

A história do cooperativismo no Paraná é marcada por experiências de sucesso que uniram pequenos e médios produtores em torno de um objetivo comum: transformar a produção local em negócios sustentáveis de escala global. Nesse cenário, a Frimesa ocupa lugar de destaque. Fundada em 13 de dezembro de 1977, a cooperativa nasceu como Sudcoop, uma central formada por cinco cooperativas do Sudoeste do estado para industrializar carne e leite, garantindo renda e futuro para milhares de famílias.

Quase meio século depois, a Frimesa se consolidou como uma das maiores indústrias do setor de proteína animal do Brasil, referência em carne suína e lácteos, com sede em Medianeira, no Oeste paranaense. Hoje, o sistema cooperativo que sustenta a marca envolve mais de 24,6 mil pessoas, entre cooperados, colaboradores e famílias produtoras, em um modelo que alia competitividade, sustentabilidade e inovação.

Cadeia integrada e modelo cooperativo 

A base da Frimesa é formada pelas cooperativas filiadas Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Esse arranjo produtivo permite organizar desde a entrega de insumos até o acompanhamento técnico, o desenvolvimento da criação de animais e a industrialização e comercialização dos produtos. 

Para o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek, o segredo do sucesso está na intercooperação. 

“O modelo cooperativista, através da intercooperação, é a melhor alternativa de reunir a produção dos cooperados, criar escala visando agregar valor a uma cadeia produtiva. Ele permite a gestão de toda a cadeia, com garantias de fornecimento, ocupação de capacidades e volume para competir no mercado. Esse modelo viabiliza cadeias diversificadas”, afirma. 

Aprendizados para o cooperativismo nacional 

A experiência paranaense inspira outras regiões do país. Zydek ressalta que, para além da escala produtiva, o sucesso depende de disciplina estratégica e governança. 

“É preciso exercer o planejamento estratégico de médio e longo prazo, fazer gestão profissional, cumprir os planos de produção, ter uma marca forte no mercado, estabilizar e garantir a renda, compartilhar soluções e otimizar investimentos”, observa. 

Segundo ele, esse conjunto de práticas pode ser aplicado em diferentes setores, fortalecendo cadeias produtivas em todo o Brasil.

Produtos Frimesa estão presentes em todo o território brasileiro e são exportados para vários países. (Foto: Divulgação/Frimesa)
Produtos Frimesa estão presentes em todo o território brasileiro e são exportados para vários países. (Foto: Divulgação/Frimesa)

Estrutura industrial e liderança no mercado 

Atualmente, a Frimesa opera com seis unidades industriais – três dedicadas à carne suína e três ao setor lácteo – instaladas em Medianeira, Assis Chateaubriand, Marechal Cândido Rondon e Matelândia. A capacidade de produção impressiona: 

  • 15 mil suínos abatidos por dia, com previsão de chegar a 23 mil até 2032;
  • 850 mil litros de leite processados diariamente; 
  • 502 mil toneladas de alimentos produzidos por ano, distribuídos em mais de 500 itens. 

Esses números colocam a Frimesa como 4ª maior indústria de carne suína do Brasil e líder no abate no Paraná. No setor lácteo, ocupa a 2ª posição no Estado e a 11ª no país. 

Presença nacional e exportações globais 

Os produtos da Frimesa chegam a 100% do território brasileiro, apoiados por uma rede logística robusta, formada por 13 centros de distribuição, 11 filiais de vendas e dezenas de representantes comerciais. 

Além disso, a marca está presente em 35 países das Américas, Europa, Ásia e África. As exportações já respondem por 20% do faturamento, confirmando o peso da cooperativa não apenas no Paraná, mas também no comércio internacional de alimentos. 

Crescimento e projeções 

Em 2024, a Frimesa registrou seu maior faturamento histórico: R$ 6,58 bilhões, um crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior. O plano estratégico prevê atingir R$ 15 bilhões até 2032, apoiado em modernização industrial, inovação tecnológica e expansão da capacidade produtiva. 

Zydek reconhece que o caminho até lá exigirá superar desafios relevantes: 

“Precisamos consolidar as etapas produtivas e operacionais da rampa de crescimento, realizar gradativamente os investimentos em toda a cadeia produtiva e focar na evolução do mercado consumidor. É essencial ampliar a penetração e capitalização no mercado interno, estar preparado para a exportação, buscar a diferenciação de produtos e serviços e manter uma comunicação próxima com o consumidor”, afirma o presidente executivo. 

Esse desempenho rendeu à marca reconhecimento nacional: a Frimesa foi incluída no ranking das 100 marcas mais valiosas do Brasil, elaborado pela consultoria internacional Brand Finance.

Elias Zydek, presidente da Frimesa Cooperativa Central. (Foto: Divulgação/Frimesa)
Elias Zydek, presidente da Frimesa Cooperativa Central. (Foto: Divulgação/Frimesa)

Sustentabilidade como eixo estratégico 

O crescimento da Frimesa está ancorado em práticas de ESG (ambiental, social e governança). A cooperativa lançou o RoadMap ESG 2040, com metas de curto, médio e longo prazos para reduzir impactos e garantir responsabilidade socioambiental. 

Nesse aspecto, Zydek destaca que a sustentabilidade é parte indissociável do modelo de negócios. 

“As ações de sustentabilidade devem estar presentes em todas as etapas: do produtor ao consumidor. Os procedimentos e comportamentos são iguais para pequenos, médios e grandes produtores. Em conjunto, os pequenos têm as mesmas vantagens dos grandes. Toda a cadeia deve ser sustentável: do solo, da criação, da indústria, do transporte, da administração financeira, do comercial até o consumidor, passando pelo social com as pessoas e as comunidades”, explica. 

No campo do bem-estar animal, a empresa assumiu o compromisso de migrar 100% das fêmeas suínas do sistema de gestação individual para a gestação coletiva até 2026. Em 2025, já atingiu 58% da meta. 

A essência cooperativa 

Cooperativa central gera mais de 12 mil empregos diretos e exporta para 35 países. (Foto: Divulgação/Frimesa)
Cooperativa central gera mais de 12 mil empregos diretos e exporta para 35 países. (Foto: Divulgação/Frimesa)

Apesar da dimensão conquistada, a Frimesa mantém como essência o cooperativismo que a originou. Sua missão é clara: alimentar pessoas com qualidade, transformando o trabalho coletivo em valor compartilhado para produtores, colaboradores, clientes e consumidores. 

Com 12,6 mil colaboradores diretos, forte inserção social e investimentos constantes em tecnologia, a cooperativa é exemplo de como o cooperativismo paranaense conseguiu se firmar como protagonista do agronegócio brasileiro. 

Frimesa em números 

  • R$ 6,58 bilhões de faturamento em 2024; 
  • Projeção de R$ 15 bilhões até 2032; 
  • 15 mil suínos processados por dia, com meta de 23 mil até 2032; 
  • 850 mil litros de leite processados diariamente; 
  • 502 mil toneladas de alimentos por ano; 
  • 12,6 mil colaboradores; 
  • Exportações para 35 países em quatro continentes. 

Cooperativismo sustenta liderança do Paraná no agronegócio brasileiro 

Cooperativas são responsáveis por 70% da soja, 62% do milho e 55% do trigo produzidos no Paraná. (Foto: Jaelson Lucas/AEN)
Cooperativas são responsáveis por 70% da soja, 62% do milho e 55% do trigo produzidos no Paraná. (Foto: Jaelson Lucas/AEN)

O Paraná se consolidou como protagonista nacional no agronegócio. Mesmo ocupando apenas 2,3% do território brasileiro, o estado responde por 12,8% da produção de grãos do país, confirmando sua força como líder agrícola. Esse desempenho é sustentado por uma cadeia agroalimentar integrada, que vai da produção de insumos à industrialização e comercialização de alimentos prontos, tendo no cooperativismo agropecuário seu maior diferencial competitivo. 

Cooperativas à frente da produção 

As cooperativas agropecuárias são responsáveis por 70% da soja, 62% do milho e 55% do trigo produzidos no Paraná, além de 45% da produção de carnes e lácteos. A presença do modelo cooperativo explica a capacidade do Estado de ocupar posições de liderança em diferentes cadeias: primeiro lugar no país em trigo, feijão e frango; segundo em soja, milho e mandioca; e terceiro em carne suína e leite. 

Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, um dos pontos fortes do cooperativismo está no fato de dar oportunidades a todos, do pequeno ao médio e grande. “Aqui trabalhamos em busca de um mundo melhor, que é o lema do Ano Internacional do Cooperativismo, declarado pela ONU. E esse mundo melhor é o mundo local. Obviamente, isso tem uma extensão maior e vai influenciar a região, vai influenciar o estado, o país e o mundo, diz. 

“O setor agro do cooperativismo no Paraná é marcado pelo pioneirismo, uma história de muitos anos. Hoje, cerca de 64% de tudo que se produz no Paraná nesse ramo vem de uma cooperativa agropecuária”, acrescenta Roberto Mafioletti, coordenador do Sistema Ocepar

Faturamento e geração de riqueza 

Em 2024, o ramo agro do cooperativismo paranaense faturou R$ 153,95 bilhões, com destaque para o avanço da industrialização: 41% da receita veio de produtos industrializados, três pontos percentuais acima de 2023. Esse resultado demonstra a capacidade das cooperativas de transformar matérias-primas em alimentos de maior valor agregado.

Para o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek, o processo de industrialização é central para a competitividade:

“A industrialização agrega valor quando esse valor é percebido, sentido pelo consumidor. Por isso a indústria precisa ser flexível, dinâmica e ágil. A agroindústria só será viável se atender a esse desafio. No Paraná, a agroindústria cooperativa vem crescendo de forma consistente”, ressalta. 

No total, 62 cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 154,3 bilhões, o equivalente a 75% do faturamento total do cooperativismo estadual. 

O impacto social também é expressivo: o setor reúne 229,3 mil associados (alta de 3,1% em relação a 2023) e 112,1 mil funcionários (+2,5%), além de ter recolhido R$ 4,1 bilhões em impostos no último ano. 

Relevância internacional 

A força do cooperativismo agropecuário paranaense também se mede pelo alcance internacional. Onze cooperativas agroindustriais do Estado figuram entre as maiores do mundo, segundo o World Cooperative Monitor. 

A presença global é reforçada pelas exportações, que levam produtos paranaenses a mais de 100 países, confirmando a importância do Paraná como um dos maiores polos agroindustriais do planeta. 

O desafio agora é crescer de forma sustentável, conciliando produtividade, inovação e preservação ambiental. Zydek enfatiza que o modelo paranaense já reúne condições para isso: 

“O Paraná tem cooperativismo de ponta no Brasil, que contribui muito para a liderança agropecuária. Essa experiência nos credencia a manter a competitividade com sustentabilidade, embasada na boa governança, no respeito ao meio ambiente e no bem-estar social, pela integração das comunidades e geração de empregos”, afirma o presidente da Frimesa

Pilar do desenvolvimento 

Mais do que números, o ramo agro do cooperativismo paranaense representa um modelo de desenvolvimento equilibrado, que combina competitividade internacional com inclusão produtiva. Ao garantir mercado para pequenos e médios agricultores, gerar empregos e distribuir renda, as cooperativas reforçam sua condição de pilar estratégico da economia estadual e nacional. 

Com raízes sólidas no campo e atuação cada vez mais global, o agro cooperativo do Paraná segue como um dos motores do desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Cooperativismo agro bate recordes e reafirma protagonismo no desenvolvimento do Brasil 

Cooperativas agropecuárias respondem por mais de 50% da safra nacional de grãos. (Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar)
Cooperativas agropecuárias respondem por mais de 50% da safra nacional de grãos. (Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar)

O cooperativismo agropecuário brasileiro encerrou 2024 com resultados históricos, consolidando-se como um dos pilares do agronegócio nacional. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, divulgado pelo Sistema OCB, as 1.172 cooperativas agropecuárias do país movimentaram R$ 438,2 bilhões no último ano – o maior valor já registrado, 3,6% superior ao de 2023.

Além do desempenho financeiro expressivo, o setor alcançou recorde nas sobras do exercício, que somaram R$ 30,2 bilhões – um crescimento de 48% em relação ao ano anterior. Os ativos totais chegaram a R$ 307,5 bilhões, avanço de 12% sobre 2023, reforçando a solidez do modelo cooperativista mesmo diante de oscilações econômicas e climáticas. 

Metade da comida que chega à mesa vem das cooperativas 

As cooperativas agropecuárias respondem por mais de 50% da safra nacional de grãos, além de terem participações expressivas na fruticultura, na olericultura, no setor de proteína animal e na produção sucroenergética. Segundo o IBGE, essas organizações são responsáveis por 53% da produção nacional de grãos e fibras e por cerca de 80% da carne suína produzida no país. 

Na prática, metade do alimento que chega à mesa dos brasileiros tem origem cooperativa. Essa relevância se explica pelo papel estratégico das cooperativas: além de reunirem produtores, elas oferecem insumos, assistência técnica, industrialização, armazenamento e comercialização. 

Outro destaque é o perfil social: mais de 70% dos cooperados são agricultores familiares, o que reforça o papel do cooperativismo como motor de inclusão produtiva no campo. 

Estrutura nacional e geração de empregos 

O Brasil conta hoje com mais de 1 milhão de cooperados no ramo agro, representando cerca de 20% dos produtores rurais do país, e 268,2 mil empregos diretos — número que cresceu 20% desde 2020. O total de cooperados também avançou, saindo de 1 milhão em 2020 para 1,09 milhão em 2024. 

Regionalmente, o Rio Grande do Sul lidera em número de associados (266 mil), seguido por Minas Gerais (204 mil), Paraná (191 mil), São Paulo (138 mil) e Santa Catarina (90 mil). 

Agroindustrialização e diversificação 

As cooperativas agropecuárias atuam em diferentes elos da cadeia produtiva, garantindo escala e competitividade. Entre os segmentos de atuação, destacam-se: 

  • 47% em insumos e bens de fornecimento; 
  • 43% em produtos vegetais não industrializados; 
  • 32% em serviços rurais; 
  • 22% em produtos animais não industrializados. 

Muitas delas também avançam na agroindustrialização, agregando valor à produção primária e fortalecendo a presença no mercado interno e externo. Esse processo garante renda ao cooperado e amplia o alcance do agronegócio brasileiro. 

História e impacto social 

Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB. (Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar)
Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB. (Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar)

O cooperativismo agro no Brasil tem raízes profundas. A primeira cooperativa agropecuária foi fundada em 1847, no Paraná, mas ganhou força a partir de 1907, quando o então governador de Minas Gerais, João Pinheiro, incentivou o modelo para reduzir a dependência de intermediários estrangeiros, especialmente no setor cafeeiro. 

Desde então, o setor não apenas cresceu em números, mas também se consolidou como um modelo de desenvolvimento regional e social. Municípios que contam com cooperativas agropecuárias registram índices de desenvolvimento humano (IDH) superiores àqueles que não contam com esse tipo de empreendimento. Em muitas localidades, a cooperativa é o “armazém de confiança” da população — referência para compras, entrega de produções e prestação de serviços. 

Pilar da economia brasileira 

A representatividade do agronegócio no PIB brasileiro é marcante: em 2022, o setor respondeu por 24,9% do Produto Interno Bruto nacional. Dentro desse contexto, o cooperativismo tem papel central. Com um modelo de negócios coletivo, democrático e sustentável, as cooperativas agropecuárias não apenas produzem alimentos, mas também geram qualidade de vida, oportunidades e desenvolvimento para o Brasil.

Como resume Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB:

“O cooperativismo agro é uma base sólida para a economia brasileira, que integra produção, tecnologia e responsabilidade social em uma estrutura eficiente e que beneficia milhares de famílias no campo.” 

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