Cooperativas do setor expandem atuação, modernizam redes, investem em energia limpa e fortalecem comunidades rurais em todo o país

O cooperativismo de infraestrutura é um dos ramos mais estratégicos do sistema cooperativo, por estar diretamente ligado ao desenvolvimento econômico, social e sustentável das comunidades. No Paraná, a Cooperativa de Infraestrutura e Eletrificação Rural de Palotina (CERPA) é um exemplo de como esse modelo organizacional pode transformar regiões, garantir acesso à energia elétrica e fomentar novas oportunidades para o campo e a cidade.

Um pilar do desenvolvimento regional

A atuação da CERPA vai muito além de distribuir energia. Sua relevância está em oferecer soluções de qualidade que impulsionam o agronegócio, ampliam a competitividade das propriedades rurais e asseguram qualidade de vida às famílias. Com mais de 2.100 associados e presença nos municípios de Palotina, Assis Chateaubriand e Maripá, no Oeste do Paraná, a cooperativa desempenha um papel decisivo na expansão das atividades produtivas e no fortalecimento da economia regional.

Segundo o presidente da CERPA, Irineu Antônio Lupatini, o foco da cooperativa é consolidar a modernização do sistema elétrico existente.

“Nosso atual foco é melhorar a qualidade da infraestrutura já existente em nossa região, substituindo redes antigas e modernizando o sistema de distribuição. Estamos em contato constante com a OCEPAR e com a concessionária COPEL, priorizando sempre a qualidade nos serviços e a satisfação de todos os nossos associados e clientes”, diz.

Inovação e sustentabilidade

Em um momento em que a transição energética ganha força em todo o mundo, a CERPA já aponta para o futuro. A aposta em energia limpa, como a geração solar, mostra a preocupação com a sustentabilidade e a necessidade de oferecer aos associados alternativas modernas e econômicas.

“A sustentabilidade é assunto constante aqui na CERPA. Em 2024, entrou em operação nossa usina fotovoltaica, que compensa o consumo das nossas instalações. Além disso, estamos produzindo energia por meio de usinas arrendadas e locadas, distribuindo aos nossos associados. Recentemente, também, nos associamos à SINERGI, uma cooperativa paranaense de energia compartilhada, incrementando nosso acesso à energia limpa.”

Irineu Antônio Lupatini, presidente da CERPA.

Referência em credibilidade e eficiência

A CERPA nasceu em 1975 e ao longo de quase cinco décadas de trabalho, a Cerpa construiu sua imagem em bases sólidas: ética, credibilidade, inovação, respeito e transparência. Esses valores se refletem no reconhecimento da cooperativa como uma entidade sólida, que gera renda, promove inclusão social e está em constante modernização.

A história da CERPA confirma que o ramo de infraestrutura do cooperativismo não é apenas complementar, mas essencial para o desenvolvimento sustentável. No Oeste paranaense, essa contribuição pode ser medida na melhoria da qualidade de vida das famílias, no crescimento do agronegócio e na integração de comunidades ao progresso tecnológico.

Mais do que atender seus associados, a cooperativa contribui para toda a comunidade. Sua atuação sustenta cadeias produtivas como a avicultura, fortalece pequenos e médios produtores rurais e garante serviços que seriam inacessíveis sem a presença do modelo cooperativo.

Tecnologia a serviço dos associados

As mudanças tecnológicas também impactam diretamente o setor de infraestrutura. A CERPA tem acompanhado essas transformações e incorporado soluções inovadoras no relacionamento com seus associados.

“As novas tecnologias vêm mudando a forma de trabalho da cooperativa. Estamos sempre conectados às inovações para nos mantermos vivos no mercado. O associado, inclusive, já faz a leitura do consumo de sua unidade e informa à Cerpa, reduzindo a necessidade de deslocamento dos leituristas. Além disso, contamos com telefonia moderna, atendimento de vendas pelo WhatsApp e presença ativa nas redes sociais para agilizar o contato e divulgar novidades”, explica o presidente.

Proximidade com os cooperados

Um dos diferenciais do cooperativismo é o vínculo direto entre direção e associados. No caso da CERPA, essa relação fortalece o sentimento de pertencimento e permite respostas rápidas a situações emergenciais.

“A comunicação direta entre os cooperados e a equipe diretiva é marcante na Cerpa. Há sempre disponibilidade e um cafezinho para conversas sobre a cooperativa. Esse contato próximo também ajuda a identificar riscos e sinistros em períodos de intempéries, agilizando a resolução dos incidentes. É o próprio cooperado cuidando de si e da comunidade, em busca de melhor qualidade de vida”, ressalta Lupatini.

Cooperativismo de infraestrutura do Paraná movimenta R$ 440,9 milhões e se consolida como setor estratégico

Com forte crescimento em 2023 e 2024, cooperativas de infraestrutura contribuem para o desenvolvimento do setor rural no Paraná. (Foto: Fernando Ogura/AEN)
Com forte crescimento em 2023 e 2024, cooperativas de infraestrutura contribuem para o desenvolvimento do setor rural no Paraná. (Foto: Fernando Ogura/AEN)

O ramo de infraestrutura do cooperativismo consolidou-se como um dos mais estratégicos para o desenvolvimento sustentável do Paraná. Responsável por garantir acesso à energia elétrica, fomentar soluções energéticas limpas e organizar serviços de interesse público, o setor registrou em 2024 resultados expressivos: 21 cooperativas ativas, R$ 440,9 milhões em faturamento e um quadro social que superou 44 mil associados, quase o dobro do registrado em 2022.

Cooperativas em todo o estado

O Paraná conta atualmente com 21 cooperativas de infraestrutura, distribuídas nos segmentos de água e saneamento (1), geração compartilhada/distribuída de energia (9), distribuição de energia (9), construção civil habitacional (1) e interesse público/representação (1). Essas organizações estão presentes em todas as regiões do estado, com destaque para o Oeste, Centro-Sul e Noroeste.

Entre as cooperativas estão a CERPA (Palotina), CERCAR (Marechal Cândido Rondon), CERME (Medianeira), CERCHO (Chopinzinho), além de novas experiências como a SINERGI Cooperativa, voltada à energia compartilhada.

Para o presidente da CERPA, Irineu Antônio Lupatini, os números do Paraná seguem o movimento observado no restante do país:

“No Paraná, o ramo de infraestrutura do cooperativismo apresenta números significativos. Nosso Estado tem seguido a tendência nacional, com crescimento especialmente no segmento de geração distribuída de energia, em virtude do aumento da produção de energia sustentável. Ainda, há muita área para expansão do ramo cooperativista de infraestrutura, com as cautelas referentes ao cenário econômico.”

Crescimento do faturamento e diversificação

O setor apresentou forte crescimento no último ciclo. O faturamento saltou de R$ 335,8 milhões em 2023 para R$ 440,9 milhões em 2024, um avanço de 30%. Em dólares, os ingressos totais chegaram a US$ 86,4 milhões.

A composição da receita também evidencia a força do ramo: em 2024, 77% do faturamento vieram da energia, 19% do comércio e 4% de serviços.

Patrimônio sólido e investimentos

O patrimônio líquido das cooperativas alcançou R$ 215,3 milhões em 2024, sendo 78,9% formado por fundos e reservas, 17,6% por capital social e 3,6% por resultado do exercício. Os ativos totais cresceram de R$ 298,8 milhões (2022) para R$ 449,6 milhões em 2024.

O setor mantém índices de solvência positivos (3,13 em 2024) e busca equilíbrio financeiro. A liquidez corrente ficou em 1,15, mostrando capacidade de honrar compromissos de curto prazo.

Expansão do consumo de energia

Um dos indicadores mais relevantes é o consumo de energia elétrica. Em 2024, as cooperativas do ramo infraestrutura somaram 336,9 milhões de kWh/mês, com 42.732 unidades consumidoras (UCs) conectadas. O consumo médio por unidade atingiu 7.884,5 kWh/mês, refletindo a diversificação dos perfis atendidos — que vão de residências rurais a empreendimentos agroindustriais.

Resultado e geração de valor

As cooperativas do ramo infraestrutura fecharam 2024 com sobras de R$ 16,1 milhões. Toda a movimentação financeira do período esteve ligada a atos cooperados, ou seja, diretamente relacionados ao atendimento dos associados.

O Valor Adicionado gerado pelo ramo foi de R$ 45,7 milhões, distribuído entre pessoal (51,9%), governo (7,8%), cooperados e capitalização (34,9%) e capitais de terceiros (5,4%).

Quadro social em expansão

O número de associados das cooperativas de infraestrutura cresceu de 27,8 mil em 2023 para 44,2 mil em 2024, um salto de 59% em apenas um ano. Já o número de funcionários passou de 375 para 567 no mesmo período, evidenciando o impacto na geração de empregos diretos.

O perfil dos associados também vem mudando: em 2024, 67,7% eram pessoas físicas e 32,3% jurídicas. A participação feminina cresceu para 23,8%, mostrando avanços na inclusão.

Perspectivas e oportunidades

Para Lupatini, o fortalecimento do ramo exige atenção especial à regulamentação e à inovação:

“É preciso consolidar as cooperativas nos setores econômicos onde atuam, elaborando leis e normativos que considerem as especificidades do movimento cooperativo. Investimento em inovação, melhorias da gestão e diversificação dos modelos de negócios também são essenciais para o desenvolvimento do setor. Além disso, firmar parcerias estratégicas podem ser fundamentais, seja com o setor público, privado, ou até mesmo com outras cooperativas.”

Segundo ele, áreas como energia renovável e tecnologia de conectividade representam boas oportunidades de expansão:

“As áreas de tecnologia e conectividade, que levam internet de boa qualidade às regiões mais remotas, e de energia renovável, especialmente a geração distribuída e compartilhada, apresentam boas oportunidades de crescimento, uma vez que assuntos relacionados à sustentabilidade e tecnologia estão cada vez mais presentes em nossas vidas.”

Cooperativismo de infraestrutura cresce no Brasil e leva qualidade de vida a milhões de pessoas

Brasil tem hoje 264 cooperativas de infraestrutura, que reúnem 1,4 milhão de cooperados e geram 7 mil empregos diretos. (Foto: Divulgação/SomosCoop)
Brasil tem hoje 264 cooperativas de infraestrutura, que reúnem 1,4 milhão de cooperados e geram 7 mil empregos diretos. (Foto: Divulgação/SomosCoop)

Distribuição de energia elétrica, saneamento básico, telecomunicação e habitação são serviços essenciais para a qualidade de vida da população. Em muitas regiões brasileiras, principalmente no meio rural, quem garante o acesso a esses direitos fundamentais são as cooperativas de infraestrutura, um ramo do cooperativismo que alia desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade.

Segundo o AnuárioCoop 2023, o Brasil conta atualmente com 264 cooperativas de infraestrutura, que reúnem 1,4 milhão de cooperados e geram 7 mil empregos diretos. Esse segmento movimenta R$ 10,3 bilhões em ativos, distribuiu mais de R$ 447,2 milhões em salários e benefícios para seus funcionários e registrou R$ 720 milhões em sobras do exercício. Apenas em 2022, o setor ampliou em 23% o total de ativos em relação ao ano anterior.

Energia, sustentabilidade e inovação

As cooperativas de infraestrutura se destacam no setor energético. São elas as responsáveis por levar luz a milhares de comunidades rurais onde outras operadoras não têm interesse de atuar. Em 2022, foram responsáveis por fornecer energia elétrica de qualidade e a preço justo para mais de 750 mil domicílios, em nove estados e mais de 800 municípios.

Além disso, a sustentabilidade está cada vez mais presente. No campo da geração distribuída de energia renovável, o setor somou 47 MW de potência instalada em 2022, um crescimento de 11 MW em relação ao ano anterior. Atualmente, 565 cooperativas de diferentes ramos já desenvolvem projetos de micro e minigeração distribuída no país.

Diversidade de segmentos

O ramo de infraestrutura reúne cooperativas de diferentes áreas de atuação. A divisão por segmentos mostra a amplitude de serviços prestados à população:

  • Geração de energia para consumo próprio – 33%
  • Construção civil – 32%
  • Distribuição de energia – 24%
  • Geração de energia para venda – 4%
  • Desenvolvimento – 3%
  • Irrigação – 2%
  • Água e saneamento – 1%

Essa variedade garante que o cooperativismo de infraestrutura atenda desde a produção de energia e irrigação agrícola até a construção de moradias, passando por saneamento, telecomunicação e até projetos rodoviários e ferroviários.

Raízes históricas

O cooperativismo de infraestrutura tem trajetória longa no país. Sua origem remonta a 1941, com a criação da primeira cooperativa que levou energia elétrica ao município de Erechim (RS), beneficiando centenas de famílias de pequenos produtores rurais.

O marco legal que impulsionou o setor veio em 1964, com o Estatuto da Terra, que permitiu que as cooperativas oferecessem serviços básicos em áreas rurais, onde o poder público e empresas privadas não chegavam. Desde então, essas organizações têm sido fundamentais para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento no campo.

Desafios e perspectivas

Apesar da importância social e econômica, o ramo ainda enfrenta obstáculos para ampliar sua atuação. Segundo o presidente da CERPA, Irineu Antônio Lupatini, há espaço para expansão, mas é necessário superar barreiras estruturais e regulatórias:

“O sistema cooperativo vem, há tempos, facilitando o acesso a produtos e serviços a custos mais justos, proporcionando à comunidade a participação nas decisões da cooperativa, a divisão de resultados financeiros e o desenvolvimento local. Apesar da sua relevância, muitas cooperativas enfrentam dificuldades para acessar recursos financeiros e superar entraves burocráticos, o que exige parcerias estratégicas e maior apoio legal para crescer.”

Mesmo diante desses desafios, as perspectivas são positivas. As cooperativas de infraestrutura tendem a ganhar ainda mais relevância em setores como energia renovável, telecomunicações, habitação e saneamento básico, considerados essenciais para o futuro do país.

“As perspectivas são promissoras, com crescimento contínuo e diversificado em áreas essenciais. As regiões Sul e Sudeste concentram hoje a maior participação, mas ainda há muito espaço para o setor em todo o Brasil. O modelo cooperativista tem artifícios capazes de minimizar impactos econômicos negativos e seguir promovendo inclusão e desenvolvimento”, afirma Lupatini.

Desenvolvimento com base na cooperação

Mais do que números, o cooperativismo de infraestrutura mostra que é possível conciliar desenvolvimento econômico, justiça social e sustentabilidade. Com gestão democrática e foco na coletividade, essas organizações não buscam apenas lucro, mas sim qualidade de vida e oportunidades para seus cooperados e comunidades.

Como resume o movimento, trata-se de um modelo de negócios que pensa primeiro nas pessoas e que, ao longo de oito décadas, tem sido essencial para transformar a realidade de milhares de brasileiros – seja levando energia, conectividade, água, saneamento ou habitação onde antes só havia carência de serviços.

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