Tempo perdido fará falta para Deltan na reta final das eleições

Deltan Dallagnol. Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

Deltan Dallagnol pode reverter a liminar e até terminar essa história comemorando no TSE. Só não recupera os dias. A menos de duas semanas da eleição, a decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques suspendeu atos de campanha enquanto o processo sobre o registro continua. Advogado consegue devolver direito; calendário não devolve segunda-feira.

Mesmo uma vitória posterior terá chegado depois de dias preciosos que os adversários puderam usar e ele, não.

Uma nota que fala mais do que escreve

Tribunal de Contas costuma emitir nota para explicar decisão. Desta vez, o TCE-PR precisou explicar a si próprio. Depois de declarações dadas à imprensa em contexto eleitoral, a Corte lembrou publicamente que suas decisões são colegiadas, passam por análise técnica e pelo Ministério Público de Contas e não representam a opinião isolada de um conselheiro.

Em plena campanha, foi preciso colocar no papel uma obviedade: conselheiro não é o Tribunal. O interessante é tentar descobrir por que uma obviedade precisou virar nota oficial.

O ladrão levou as consultas

Vinte e cinco municípios do Oeste começaram a semana pagando por alguns metros de fio. O Cisop, em Cascavel, suspendeu os atendimentos desta segunda-feira depois que ladrões furtaram cabos da rede elétrica e danificaram também parte da estrutura do gerador. Pacientes terão consultas e procedimentos reagendados.

O ladrão procurava cobre. Encontrou uma maneira de interromper um serviço regional de saúde.

O bilhão pegou a estrada

Campo Mourão está longe da Faria Lima e não parece preocupado com isso. A Coamo projeta cerca de R$ 1 bilhão em investimentos no Paraná, passando por armazenagem, frota, logística, etanol de milho, biodiesel e ampliação da capacidade de armazenagem. Mais interessante que o tamanho do cheque é a direção: o agronegócio paranaense continua avançando sobre indústria, energia e logística.

O dinheiro anda conhecendo bem o caminho do interior.

Quatro a três, com recado

A liminar de Floriano de Azevedo Marques atingiu Deltan, mas produziu algum desconforto também no TRE-PR. O Tribunal paranaense havia deferido o registro por 4 a 3. Ao conceder a cautelar, Floriano apontou fortes indícios de que a decisão contrariou entendimento do próprio TSE. Ainda haverá julgamento, defesa e plenário, portanto ninguém precisa antecipar o placar.

A pergunta deixada pelo ministro é suficiente: por que Curitiba resolveu seguir por uma estrada diferente daquela que a Corte superior já havia sinalizado?

A medalha vem com a conta

Primeiro lugar no Ranking de Eficiência dos Estados. O Paraná alcançou índice de 0,734, com destaque para educação, e Ratinho Junior ganhou um belo cartão de despedida justamente quando tenta transferir ao sucessor parte do prestígio acumulado em oito anos.

A fotografia financeira acrescenta outra camada. O Estado ampliou investimentos e consumiu parte da folga de caixa, mantendo indicadores sólidos. Não é terra arrasada nem cofre mágico. Houve uma escolha sobre onde colocar dinheiro.

Quem assumir em janeiro receberá a medalha e também o extrato.

Cem por hora

O número muda a conversa: ventos que podem passar dos 100 quilômetros por hora, chuva forte e possibilidade de granizo no Oeste e Sudoeste. Depois dos estragos recentes, previsão meteorológica deixou de servir apenas para decidir sobre guarda-chuva ou churrasco.

Para prefeituras, Defesa Civil, concessionárias, produtores e famílias, boletim do tempo começa a parecer documento de planejamento.

Obras votam?

R$ 7,77 bilhões. É quanto o Paraná havia colocado em infraestrutura até setembro, no último ano do governo Ratinho Junior. O número ajuda a explicar por que estrada, viaduto, ponte e pavimentação aparecem tanto na vitrine governista. Só que agora vem a parte que planilha nenhuma responde: obra pronta transfere voto?

Ratinho resolveu testar essa hipótese com Sandro Alex. E faltam menos de duas semanas para conhecer a resposta.

Fechado para campanha

A placa não existe na porta do Congresso, mas poderia. A menos de duas semanas do primeiro turno, Câmara e Senado entram em mais uma semana de atividade reduzida. Deputados e senadores estão nos estados cuidando de uma pauta que não precisa de relator, parecer nem votação nominal: a própria eleição. Antes fizeram esforço concentrado para adiantar serviço.

Agora situação e oposição encontraram uma rara convergência de interesses.

Treze e setenta e cinco

A Selic já caiu cinco vezes seguidas e está em 13,75%. Para o mercado, começa uma semana de lupa sobre ata do Copom, projeções, relatório de política monetária e IPCA-15. Para quem precisa financiar carro, casa, equipamento ou capital de giro, a discussão é bem menos sofisticada: 13,75% continua sendo juro alto, ainda que venha descendo.

A ONU abre. As guerras não fecham

A Assembleia Geral reúne em Nova York dezenas de chefes de Estado e de governo para discutir paz num planeta que chega ao encontro carregando Ucrânia, Oriente Médio, Sudão e outras crises. Haverá espaço também para clima, desigualdade, inteligência artificial e para uma ONU que precisa discutir a própria dificuldade de interferir nos acontecimentos.

Donald Trump estará lá. Lula também. Xi Jinping e Vladimir Putin, não. O Conselho de Segurança continuará carregando uma distribuição de poder desenhada depois de uma guerra encerrada há mais de oito décadas, enquanto as guerras atuais procuram caminhos que frequentemente passam longe das Nações Unidas.

Durante alguns dias, Nova York será novamente a capital diplomática do planeta. Depois os líderes voltam para casa.

As guerras ficam.

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