O Ministério Público investiga em Guarapuava um suposto pagamento de R$ 100 mil para facilitar a regularização de uma obra. Foram 20 mandados, alcançando presidente da Câmara, servidores e empresários, numa operação que ganhou o sugestivo nome de Fórmula Mágica.
Crime, se comprovado, é crime, mas, num Brasil acostumado a escândalos de milhões, centenas de milhões e bilhões, R$ 100 mil coloca Guarapuava na Série D do ranking da propina. Até a corrupção parece sofrer com falta de escala.
Fauna eleitoral
Na exuberante fauna de Foz do Iguaçu, quem ganhou protagonismo foi o Pardal. O do TRE. A cidade lidera as denúncias na ferramenta da Justiça Eleitoral e também não falta concorrência: são 38 candidatos locais, 19 à Assembleia e outros 19 à Câmara Federal, disputando pouco mais de 200 mil eleitores.
Com esse poleiro eleitoral, o pau nem precisa cantar porque, em Foz, o Pardal canta primeiro.
Santinho seletivo
O santinho de Jeffrey Chiquini é quase um estudo sobre afinidades: tem Chiquini para federal, Deltan para o Senado e Moro para governador.
Na segunda vaga ao Senado, onde caberia Filipe Barros, branco; na Presidência, onde caberia Flávio Bolsonaro, branco outra vez. Tudo isso no momento em que circula nos bastidores a possibilidade de Filipe desistir do Senado e voltar à disputa pela Câmara.
Por enquanto, é apenas especulação. Mas o santinho, pelo menos, já economizou dois nomes e bastante tinta.
Conta de limpeza
Ponta Grossa tem 77 das 166 unidades municipais de ensino sem funcionário dedicado exclusivamente à limpeza, e a Câmara quer investigar a terceirização. No meio da faxina apareceu um contrato de R$ 42 milhões sem número mínimo de trabalhadores.
O preço está no papel, mas faltou combinar quantas vassouras viriam junto.
O peão
Moro desistiu do debate da TMC e, depois, Sandro Alex também. Requião Filho apareceu e acabou sabatinado sozinho, embora todos tivessem participado das tratativas.
As coordenações chamam isso de estratégia e, no xadrez eleitoral, tratam candidato como peça que não pode correr risco. O problema é que alguém precisa acabar sacrificado e, desta vez, o peão foi o eleitor.
É show
Dos 399 municípios do Paraná, 393 gastaram com shows desde 2021, numa conta que chegou perto de R$ 1,2 bilhão. São José dos Pinhais lidera, com R$ 41,7 milhões, e o TCE criou até uma ferramenta para comparar essas despesas com saúde e educação.
É difícil encontrar consenso de 393 municípios sobre qualquer coisa no Paraná. Bastou montar o palco.
Selic no colo
O Tesouro admite que até 53% da dívida pública federal poderá terminar o ano vinculada à Selic, proporção recorde. Em julho, já eram 51,1% de uma dívida que chegou a R$ 9,289 trilhões.
Juro alto, portanto, não aperta apenas empresas e famílias. Aperta também quem deve mais de R$ 9 trilhões.
Na campanha, cada um escolherá o culpado. A dívida não vota, mas cobra.
Do lado de fora
Alexandre Salomão não foi convidado para o debate da TMC e apareceu por lá para reclamar. Moro e Sandro Alex foram convidados e não apareceram.
A Justiça Eleitoral tem suas regras e a TMC cumpriu as suas, mas a cena ficou irresistível: quem queria debater não podia entrar, enquanto quem podia entrar descobriu que não queria debater.
Opep de papel
A guerra com o Irã começa a mexer também no poder do petróleo. A Opep+ respondia por mais de 48% da produção mundial antes do conflito; em julho, caiu para cerca de 40%.
O cartel anunciou aumentos de produção, mas Ormuz deixou parte deles no papel, enquanto a China reduziu fortemente suas compras.
A Opep continua decidindo quanto gostaria de produzir. A guerra passou a decidir quanto consegue entregar.
Verniz novo
Renan Santos tem ideias que merecem discussão e talento para apresentá-las como novidade. No Jornal Nacional, porém, o pacote moderno trouxe polícia para “atirar para matar”, elogios a Bukele e até uma bomba atômica brasileira.
O novo envelheceu depressa: renovar a política é uma coisa; passar verniz no autoritarismo é apenas reforma de móvel antigo.
