Rafael Greca e a nova fotografia da eleição para governador

Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e agora candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex. Foto: Ricardo Marajó/SMCS
Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e agora candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

As pesquisas divulgadas até aqui pertencem a um Paraná que deixou de existir no momento em que Rafael Greca aceitou disputar a vice e o MDB oficializou Álvaro Dias ao Senado. A partir de agora, mais importante do que comparar números será descobrir como o eleitor reagirá ao novo desenho da disputa. Há fotografia nova. Falta revelar o filme.

A planta da casa

A convenção do MDB não produziu apenas uma surpresa. Produziu um fato. Até sábado, a candidatura de Álvaro Dias ao Senado era tratada como uma construção política em andamento. No domingo, virou decisão partidária. A diferença parece pequena, mas muda completamente o ambiente. Enquanto era hipótese, todos podiam conviver com diferentes cenários. Depois que ganhou ata, muita gente precisou rever o tamanho do próprio espaço. Em política, às vezes ninguém muda de lugar. Basta trocar os móveis para que a sala inteira pareça outra.

Relógios

Os bastidores amanheceram cheios de certezas. Alexandre Curi permanece. Alexandre Curi deixa a disputa. O Republicanos fecha questão. O Republicanos continua negociando. É provável que todas as fontes estejam dizendo a verdade. Apenas consultam relógios diferentes. Em agosto, meia hora costuma envelhecer uma informação.

A ata

A convenção do Republicanos talvez produza hoje um daqueles documentos curiosos da política: encerrar oficialmente uma reunião sem encerrar politicamente a negociação. Se a Executiva receber autorização para concluir as conversas até o registro das candidaturas, a ata registrará muito menos um desfecho do que o direito de continuar negociando.

O fotógrafo

A convenção do Republicanos promete muitas imagens. O trabalho mais interessante, porém, talvez seja o do fotógrafo. Em campanhas eleitorais, a lente raramente procura quem discursa. Procura quem decidiu aparecer na mesma fotografia. Às vezes, uma ausência ocupa mais espaço que um discurso de vinte minutos.

Calendário

Agosto começou lembrando uma velha regra da política: convenção não encerra campanha, apenas muda o tipo de ansiedade. Até ontem a preocupação era formar a chapa. A partir de hoje passa a ser distribuir espaço, agenda, discurso e palanque. O calendário eleitoral é o mesmo para todos. O calendário político nunca foi.

Silêncio estratégico

Há dirigentes que descobriram uma curiosa virtude do silêncio. Não é falta de opinião. É excesso de negociação. Quanto mais delicado o momento, menos interessante se torna conceder entrevista. Quem fala antes da hora corre o risco de desmentir a reunião da tarde.

Fila de espera

Há candidatos preocupados com o adversário errado. Enquanto alguns continuam olhando para quem está do outro lado da disputa, outros perceberam que o maior desafio passou a ser encontrar espaço dentro da própria aliança. Em ano eleitoral, nem toda fila termina na urna. Algumas começam muito antes, na porta da sala de reuniões.

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