O prefeito de Quatro Barras, Loreno Tolardo, começou a campanha em outra companhia. Em junho, estava entre os prefeitos da Região Metropolitana reunidos em torno da pré-candidatura de Sandro Alex. No fim de semana, declarou apoio a Sergio Moro e, horas depois, anunciou que deixava o PSD, partido ao qual estava filiado havia 16 anos. Tolardo não relacionou uma decisão à outra e tratou a despedida sem desaforos. A cronologia, entretanto, registra uma defecção em plena reta final da campanha.
Se foi apenas uma defecção ou se a palavra acabará pedindo um verbo muito parecido, isso as urnas ainda terão de responder.
Traquinagem
Margem de erro foi inventada pela estatística, não pelo marketing político. Convém lembrar disso nesta semana, quando cada décimo de pesquisa será espremido até confessar alguma coisa. Um candidato pode passear pela ponta de cima, outro ser acomodado na de baixo, uma distância engordar ou emagrecer e tudo continuar formalmente dentro do intervalo informado pelo levantamento.
Não é fraude, não é ilegalidade e nem sequer precisa haver número errado. O número pode estar perfeitamente quieto no lugar dele. A traquinagem começa quando alguém resolve ajudá-lo a contar a história que mais lhe agrada.
Quem lê pesquisa há algum tempo conhece a molecagem. A margem é de erro. A esperteza, não.
Uma eleição, vários cenários
O Paraná chega aos últimos seis dias de campanha com uma eleição e vários cenários desenhados pelas pesquisas. Há convergência sobre alguns pontos, mas diferenças relevantes sobre o tamanho das distâncias e, principalmente, sobre a disputa abaixo da primeira colocação na corrida pelo governo. Não são apenas pequenas oscilações em torno da margem de erro, mas levantamentos que vêm apresentando configurações distintas da mesma eleição. Some-se a isso uma disputa por duas vagas ao Senado e mais de mil candidatos a deputado federal e estadual, justamente onde boa parte do eleitorado costuma decidir mais perto da urna.
A última semana começa com números abundantes, certezas bem mais escassas e muito voto ainda procurando endereço.
A conta aumentou
A Justiça Eleitoral ampliou de dez para 19 o número de eventos realizados no Madalosso cujas contas deverão ser esclarecidas. Entre os nove encontros acrescentados estão eventos que aparecem em publicações levadas ao processo com referências à Sedest, ao Instituto Água e Terra e à Secretaria da Segurança Pública. Isso não significa que os órgãos tenham bancado os encontros, nem há decisão apontando uso de dinheiro público.
É justamente essa a pergunta que cresceu junto com o processo: quem contratou, quanto custou e quem pagou? O Madalosso terá de fornecer as informações, sob pena de multa de R$ 30 mil.
Quem espera e quem falta
Pato Branco empenhou R$ 184,6 milhões na saúde até agosto, mas outro número apresentado na prestação de contas chama atenção. Entre maio e agosto, foram marcadas 32.693 consultas na Atenção Básica e 6.768 pacientes não apareceram. É uma ausência a cada cinco horários disponíveis. Em julho, o índice chegou a 24,8%. Na odontologia foram outras 2.204 faltas.
Numa fila do SUS, cada cadeira que fica vazia porque alguém não avisou que faltaria poderia ter sido ocupada por quem continua esperando.
Última chamada
Termina nesta segunda-feira o prazo para registrar no PesqEle as pesquisas realizadas antes da eleição que se pretenda divulgar no próximo domingo. Como o registro precisa anteceder a publicação em pelo menos cinco dias, será possível conhecer quem contratou os levantamentos, quando os institutos irão a campo, o tamanho das amostras e o que pretendem medir. As pesquisas feitas com eleitores no próprio domingo seguem outra regra e seus resultados só podem ser divulgados depois das 17 horas.
A última semana começa, portanto, com o PesqEle dizendo antes quais pesquisas ainda estão por vir.
Treze outra vez
Um placar de 13 a 6 começou a produzir conversa política em Maringá. A Câmara adotou um procedimento incomum para votar em bloco quatro projetos de lei, entre eles matérias com impacto financeiro e a criação de uma nova empresa municipal. Na análise da constitucionalidade, treze vereadores ficaram de um lado e seis do outro. Foi suficiente para ressuscitar nos bastidores uma lembrança da política maringaense: o antigo Grupo dos 13, formado no início dos anos 1990 para dar sustentação à administração municipal.
Um placar não cria uma nova bancada, muito menos prova que ela exista. Mas, em política, quando treze começam a votar juntos, sempre aparece alguém disposto a fazer a conta.
Até sábado
A campanha termina, mas o expediente da Justiça Eleitoral não. O TRE do Paraná terá sessões de julgamento todos os dias desta semana, inclusive no sábado, véspera da votação. Nesta segunda e terça, o plenário começa às 16 horas; de quarta em diante, às 14 horas. A concentração não é apenas administrativa. Processos sobre propaganda, registros e outras controvérsias eleitorais chegam à reta final quando uma decisão tomada de manhã pode ter de ser cumprida ainda no mesmo dia.
A última semana da eleição paranaense será disputada nas ruas, nas redes, na televisão e, até a véspera da urna, também no plenário.
Caneta contra caneta
A última semana eleitoral começou com uma situação pouco convencional até para os padrões recentes do Judiciário. André Mendonça, atuando no TSE, mandou retirar publicações relacionadas à falsa associação de Flávio Bolsonaro com um antigo projeto sobre Nossa Senhora Aparecida. Flávio Dino, atuando no STF, derrubou parte da decisão e determinou a volta de postagens, entre elas uma que nem sequer mencionava nominalmente o candidato.
O fato original continua sendo fato: Flávio não apresentou nem apoiou o projeto de 2007. O que mudou de endereço foi a controvérsia. Saiu das redes, passou pelo TSE e terminou com uma caneta do Supremo riscando o que outra caneta havia escrito na Justiça Eleitoral. E ainda é segunda-feira.
A conta chegou
O Supremo passou semanas discutindo seus próprios ministros, Banco Master, investigações, decisões, competências e limites. Agora chegou uma resposta de fora do plenário. O Datafolha encontrou 47% dos eleitores avaliando o trabalho do STF como ruim ou péssimo, sete pontos acima de maio e o maior índice negativo desde o início da série, em 2019. Outros 31% consideram a atuação regular e 18%, ótima ou boa.
A divisão política aparece com nitidez, mas não apaga o número geral. Depois de ocupar o centro da crise e entrar definitivamente na campanha presidencial, o Supremo descobriu que também estava sendo julgado. Desta vez, sem recurso.
Datafolha/Folha e Globo. 2.002 eleitores entrevistados entre 22 e 23 de setembro. Margem de erro de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95%. Registro BR-00304/2026.
