Moro já fala em vitória no primeiro turno, mas história sugere cautela

Sergio Moro caminha ao lado de apoiadores. No centro da imagem um boneco em tamanho real representa o senador, que está ao lado fazendo um gesto de força com as mãos, com o punho cerrrado
Senador Sergio Moro em campanha no Paraná. Foto: Victor Coutant / Divulgação

Sergio Moro já fala em vitória no primeiro turno e diz que não pretende participar de debate no segundo. É uma confiança e tanto para uma eleição que ainda depende daquela formalidade incômoda chamada urna.

O “já ganhou” tem currículo na política brasileira. Em 1985, Fernando Henrique Cardoso chegou à reta final da eleição para prefeito de São Paulo tão embalado que até sentou na cadeira de prefeito antes da hora. Jânio Quadros ganhou a eleição e depois fez questão de desinfetá-la diante das câmeras.

Moro não sentou em cadeira nenhuma. Mas já dispensou até o debate do segundo turno. Falta combinar com um detalhe burocrático: o eleitor.

Sorriso e choro

Sergio Moro desembarca hoje em Foz cercado de aliados. Entre eles, Zé Elias, presidente local do União Brasil e, quando secretário municipal, coordenador do processo que decretou a caducidade do contrato do Consórcio Sorriso. A Justiça anulou o procedimento. Em outra ação sobre o mesmo contrato, Foz foi condenada a pagar R$ 208,5 milhões, fora juros e correção.

Moro vem falar de futuro. Para Zé Elias, o passado ainda aceita passageiros.

Três pesquisas e um intruso

O Paraná ganhou três pesquisas nesta quinta-feira e quatro fotografias da eleição em pouco mais de 48 horas. Pela Quaest*, Moro tem 36%, Sandro Alex e Requião Filho aparecem empatados com 20%. No Índice*, Moro marca 35%, Sandro encosta com 32% e Requião fica nos 20%. A IRG*, divulgada na terça, já havia desenhado algo parecido: 39,7% para Moro, 27,8% para Sandro e 21,3% para Requião.

Até aí, com todas as diferenças de método, campo e amostra, os retratos começam pelo menos a reconhecer os personagens.

A Neokemp* resolveu usar outra lente. Dá 48,7% a Moro, 25,9% a Requião e 20,8% a Sandro. É a única das três pesquisas divulgadas nesta quinta que mantém Requião numericamente em segundo e também a que coloca Moro mais perto dos 50%.

O mais interessante talvez esteja na Quaest. Há um mês, Requião tinha 21% e Sandro, 15%. Agora estão empatados em 20%. Dentro da mesma série, portanto, Sandro tirou seis pontos de diferença. No Índice, também avançou e chegou aos 32%.

Pesquisa não é urna e instituto não precisa produzir o mesmo número. Mas quando três fotógrafos começam a enxergar uma paisagem parecida e um quarto entrega uma fotografia bem diferente, ninguém precisa rasgar a foto.

Dá vontade apenas de conferir a lente.

Pimentel criou casca

Eduardo Pimentel chega à reta final com 76,4% de aprovação em Curitiba. O número ajuda a mostrar que o prefeito começa a produzir capital político próprio e já não cabe tão confortavelmente na condição de herdeiro de Rafael Greca. A sombra continua grande.

Pimentel é que também começou a fazer sombra.

Emendas em espera

Atenção, prefeitos, vereadores e entidades: o TCE-PR orientou que, enquanto o Supremo não decidir a questão, não deve ser imposta aos municípios a execução obrigatória das emendas de bancada. A consulta nasceu em Pato Branco e a chiadeira já começou.

A emenda continua impositiva. Só está esperando para descobrir a quem se impõe.

Licença para todos

O STF aprovou ontem, por unanimidade, 120 dias de licença-maternidade para mães adotivas. Justo. E uma bela fotografia para um tribunal que anda precisando melhorar o álbum.

Curiosamente, a sessão que discutiria o caso de André Mendonça, depois da patuscada do dia 15, foi cancelada e continua sem nova data. Os 120 dias valem só para as mães ou também para os casos de Mendonça e Moraes?

Dino, por enquanto, já garantiu 90.

Atrás das grades

Viatura, polícia na rua e bandido preso rendem discurso. O que acontece depois das grades costuma render menos voto.

O TCE-PR resolveu olhar justamente para lá e fiscaliza há quatro anos o sistema prisional, da superlotação à alimentação. Só a comida custa quase R$ 300 milhões por ano. O trabalho acaba de receber o reconhecimento do CNJ.

Cadeia dá voto. A conta cumpre pena em regime fechado.

Rueda movimentada

Flávio Bolsonaro bateu à porta de Antônio Rueda atrás do apoio de União e PP para um eventual segundo turno justamente na semana em que o presidente do União tenta explicar os vídeos nos quais uma influenciadora o acusa de agressão e violência psicológica. Depois, ela própria disse que seria tudo montagem. Se foi edição, capricharam na pós-produção.

Agora Rueda negocia alianças. Na política, montagem é especialidade antiga.

Trump ficou mudo

Trump expulsou CNN, MS NOW e Politico da Casa Branca. ABC, CBS, NBC e até a Fox responderam suspendendo a cobertura do pool.

Veio então uma cena que nenhum redator conseguiria inventar melhor: na inauguração do novo heliporto, sem os microfones das emissoras, Trump falou diante da câmera oficial enquanto o barulho do helicóptero engolia sua voz.

Tentou calar a imprensa.

O helicóptero resolveu colaborar.

*Quaest/RPC — PR-02802/2026; 804 entrevistas; campo de 20 a 23/09; margem de 3 p.p.; confiança de 95%.

Neokemp/O Correio do Povo — PR-07451/2026; 1.008 entrevistas; campo de 22 a 23/09; margem de 3,1 p.p.; confiança de 95%.

Índice Inteligência — PR-06638/2026; 1.200 entrevistas; campo de 19 a 21/09; margem de 2,83 p.p.; confiança de 95%.

IRG/Grupo RIC — PR-01172/2026; 1.200 entrevistas; campo de 17 a 20/09; margem de 2,83 p.p.; confiança de 95%.

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