Lula e Flávio viram cartas de Pokémons nas mãos de Janones e Marçal

Andre Janones e Pablo Marçal. Fotos: Reprodução / Instagram

Lula e Flávio parecem ter virado cartas de Pokémon. Quem joga são Pablo Marçal e André Janones. De um lado, um arremedo de coach promovido a general dos influenciadores. Do outro, um chefe de torcida organizada com quartel-general no WhatsApp. Um levanta a carta de Flávio, o outro responde com Lula. Tem ataque especial, contra-ataque, gritaria e os dois rezando para o algoritmo nocautear o adversário. Só falta alguém gritar: “Pokémon, eu escolho você!”. Parece brincadeira de criança crescida, mas a disputa não é por figurinhas. É pelo Palácio do Planalto.

E o eleitor, que nem pediu para participar dessa batalha, acaba recebendo os golpes pelo celular.

A FÓRMULA MÁGICA DO ALVARÁ

Em Guarapuava, o Ministério Público denunciou o presidente da Câmara, Pedro Moraes, o vereador Danilo Dominico, um servidor municipal e um empresário por suspeitas de corrupção na regularização de um edifício. A operação recebeu o sugestivo nome de Fórmula Mágica. Segundo a acusação, teriam circulado R$ 99.650 em vantagens indevidas. O detalhe mais curioso é que, diante da resistência dos técnicos, o então secretário de Habitação teria assinado pessoalmente documentos de aprovação da obra, embora não tivesse formação em engenharia ou arquitetura.

Os denunciados têm direito à defesa. Mas, se confirmada a acusação, a fórmula utilizada para conseguir o alvará tinha ingredientes que não constam de nenhuma receita administrativa.

AS CÂMARAS TIRARAM 3,3

Vereador gosta de fiscalizar, cobrar resultados e apontar os erros dos outros. Pois o Tribunal de Contas resolveu avaliar a atuação das 399 câmaras municipais do Paraná. A média foi de apenas 3,3, numa escala de zero a dez. E há um detalhe interessante: a avaliação utiliza informações fornecidas pelos próprios legislativos, segundo a metodologia do TCE. Não se trata da nota individual de cada Câmara, mas o resultado coletivo está longe de merecer comemoração. Educação e saúde municipais, também avaliadas pelo Tribunal, conseguiram médias superiores a sete.

Pelo visto, quando o assunto é atuação legislativa, os vereadores ainda têm muito dever de casa. E desta vez não adianta convocar o prefeito para dar explicações.

ITAIPU ENTROU NA CONVERSA EM INGLÊS

Os americanos anunciaram, os paraguaios comemoraram e o Brasil nem apareceu no comunicado. A empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico fecharam parceria para instalar no Paraguai uma estrutura de inteligência artificial abastecida por energia de Itaipu. A previsão é começar a operar em 2027. A usina esclareceu que não participou da negociação e que cada país dispõe de sua parcela de energia conforme o tratado. Tudo legítimo. Mas o episódio deixa uma questão interessante para este lado da fronteira. Enquanto o Paraguai transforma sua disponibilidade energética em oportunidade para atrair investimentos tecnológicos, que projetos semelhantes estamos preparando com a nossa?

A energia é binacional. A iniciativa, pelo menos nesta notícia, veio de uma margem só.

O MEI GANHOU UM TETO MAIS ALTO

O pequeno empreendedor ganhou espaço para crescer. Lula sancionou a lei que eleva o limite anual de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Também será possível contratar até dois empregados e obter o perdão de determinadas dívidas federais, desde que cumpridas as condições legais. A sanção aconteceu a quatro dias da eleição presidencial, coincidência que naturalmente entrou na discussão política. Para quem trabalha por conta própria, a mudança é bastante concreta.

O teto ficou mais alto, algumas dívidas poderão desaparecer e haverá espaço para contratar. Só tem um detalhe que nenhuma lei consegue resolver: o cliente ainda precisa aparecer.

SALÁRIO NA SALA DE ESPERA

Nos hospitais Vita Batel e Vita BR, em Curitiba, a greve dos funcionários continua depois da rejeição de uma proposta de acordo. A paralisação começou no dia 15, motivada por atrasos de salários e benefícios. A administração hospitalar afirma manter um plano de contingência para assegurar os atendimentos essenciais. Uma nova negociação está prevista para esta quinta-feira. A situação exige cuidado porque envolve dois direitos que não deveriam entrar em conflito: o dos trabalhadores de receber pelo serviço prestado e o dos pacientes de continuar recebendo assistência.

Um hospital pode ter equipamentos modernos e instalações impecáveis. Mas precisa, antes de tudo, cuidar de quem cuida das pessoas.

PASSAGEM LIVRE, EMENDA PRESA

Lula encaminhou ao Congresso uma proposta para garantir transporte coletivo gratuito nos fins de semana e feriados. A ideia é utilizar pelo menos 26,8% dos recursos das emendas parlamentares obrigatórias para financiar o benefício, com previsão de aproximadamente R$ 12 bilhões anuais. A proposta ainda depende de aprovação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já demonstrou resistência à origem do dinheiro. A gratuidade pode agradar aos passageiros, mas mexer nas emendas é outra conversa. Afinal, deputados e senadores não costumam demonstrar entusiasmo quando alguém pretende decidir o destino de recursos que eles próprios gostariam de distribuir.

O passageiro poderá viajar sem pagar. Resta convencer o Congresso a bancar a passagem.

VINTE E TRÊS PUXÕES DE ORELHA

O Tribunal de Contas apresentou 23 determinações e três recomendações para melhorar o transporte coletivo de São José dos Pinhais. A auditoria encontrou falhas no planejamento financeiro, ausência de pesquisas adequadas sobre a demanda de passageiros e fiscalização insuficiente das concessionárias. Identificou até cálculos que elevaram artificialmente a taxa de retorno prevista nos contratos. O município já está adotando providências. Para quem espera no ponto, a discussão é menos complicada: o ônibus precisa chegar, oferecer condições adequadas e cobrar uma tarifa justificável.

O Tribunal fez uma extensa lista do que deve mudar. O passageiro espera que, desta vez, as providências cheguem antes do próximo ônibus.

LIXO QUE VIRA COMIDA

Em Castro, nos Campos Gerais, uma experiência municipal está conseguindo transformar resíduos em alimentos. O programa Feira Mais troca materiais recicláveis por produtos cultivados por agricultores locais. Neste ano, já foram recolhidas 88,4 toneladas de recicláveis e distribuídas 45,6 toneladas de alimentos, beneficiando mais de 4,5 mil pessoas. Os próximos atendimentos estão previstos para os dias 28 e 29, em comunidades rurais. O mecanismo é simples: o morador entrega o material separado, ajuda a preservar o meio ambiente e leva comida para casa.

Enquanto tanta gente procura soluções sofisticadas para problemas antigos, Castro encontrou uma maneira bastante prática de fazer o lixo render. E, desta vez, render coisa boa.

O LITORAL LEVANTA A CORTINA

Pontal do Paraná trocou, por alguns dias, o movimento das praias pelo movimento dos palcos. A cidade realiza até sábado a 12ª edição do FestPon, festival gratuito que reúne 12 espetáculos e três oficinas culturais. A programação movimenta o Auditório Primavera e outros espaços, levando teatro e dança a moradores e visitantes. É uma boa lembrança de que o Litoral não precisa esperar o verão para ter vida cultural. E a escolha da semana não poderia ser mais curiosa.

Enquanto o país acompanha tantos personagens em plena campanha eleitoral, Pontal oferece um programa em que todos sabem, desde o começo, que estão assistindo a uma encenação.

APLAUSO AINDA É DE GRAÇA

Francisco Beltrão prepara sua segunda Mostra Cultural, marcada para os dias 26 a 28 de outubro, no Teatro Municipal Eunice Sartori. Cerca de 380 alunos participam das 17 oficinas gratuitas de música, teatro e dança oferecidas pela prefeitura e terão a oportunidade de apresentar ao público o que aprenderam. A programação inclui apresentações musicais, dança e a comédia Quem Casa, Quer Casa, de Martins Pena. Tudo com entrada gratuita. É uma iniciativa que valoriza os novos talentos e aproxima a comunidade da produção cultural local.

Para muitos desses alunos, talvez seja a primeira experiência diante de uma plateia. E há coisas que dinheiro nenhum substitui, como o aplauso recebido depois de vencer o medo de subir ao palco.

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