Espírito da Lava Jato, capital político e campanha de Requião Filho com Lula

Os candidatos ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD), Requião Filho (PDT) e Serio Moro (PL). Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Matysiak, Marcos Oliveira/Agência Senado, Divulgação PSD
Os candidatos ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD), Requião Filho (PDT) e Serio Moro (PL). Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Matysiak, Marcos Oliveira/Agência Senado, Divulgação PSD


Sergio Moro abriu a campanha com “Fortaleza Paraná” e prometeu levar o espírito combativo da Lava Jato aos problemas cotidianos do Estado. Depois de empreiteiras, doleiros, delações e operações cinematográficas, o método agora terá de enfrentar hospital, escola, estrada e segurança pública. Mandar prender dá manchete. Fazer o Estado funcionar não cabe numa operação.

Foto de família

Sandro Alex começou a campanha cercado de patrimônio político. Ratinho Junior entrega aprovação, Rafael Greca acrescenta recall e nove partidos fornecem estrutura. É muita gente empurrando a candidatura na mesma direção. Agora Sandro precisa mostrar que também sabe dirigir.

Casamento no ABC

Requião Filho escolheu São Bernardo do Campo e a largada de Lula para começar sua campanha. E oficializou a união: “quem vota Lula vota Requião, quem vota Requião vota Lula”. As críticas pontuais que vinha fazendo ao governo federal sobreviveram até a véspera da campanha. Na política também existe lua de mel. E ninguém começa casamento discutindo a conta de luz.

Escolha a sua

Na quinta-feira, a IRG* colocou Sandro Alex em segundo lugar, com 24,8%, e Requião Filho em terceiro, com 21%. Nesta segunda, a Paraná Pesquisas** apresenta Requião com 23,4% e Sandro com 16,5%. Numa, Sandro está 3,8 pontos à frente. Na outra, 6,9 atrás. A campanha mal começou e o eleitor já ganhou uma tarefa extra: além de escolher o candidato, terá de escolher em qual pesquisa prefere acreditar.

Comunicação é tudo

A Câmara de Curitiba assinou contratos de publicidade institucional com teto de R$ 6,9 milhões para 12 meses. Segundo a Casa, o objetivo é ampliar a transparência e a comunicação com a população. Coincidentemente, 27 dos 38 vereadores estão candidatos a deputado. Nunca foi tão importante explicar ao curitibano o trabalho de tanta gente justamente quando tanta gente está procurando outro trabalho.

Mais um

Lula começou a campanha prometendo criar o Ministério da Segurança Pública, caso seja aprovada a PEC da área. O país cobra respostas para violência, crime organizado e facções, e o presidente apresentou uma solução bastante conhecida em Brasília: uma nova placa na Esplanada. Se ministério resolvesse sozinho o problema, segurança pública seria apenas questão de marcenaria.

Colete eleitoral

Flávio Bolsonaro começou a campanha usando colete à prova de balas e, segundo o líder do PL na Câmara, pretende mantê-lo durante a eleição. Segurança pública será uma de suas principais bandeiras. Pelo menos nesse assunto o candidato resolveu começar demonstrando pessoalmente que não confia muito na situação.

Terror para todos

Flávio Bolsonaro promete enquadrar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas. A frase é forte e certamente funciona no palanque. Depois da eleição começa a parte chata: mudar a legislação, definir juridicamente quem entra na lista e explicar as consequências. Campanha eleitoral tem essa vantagem sobre o Código Penal: nela, basta o microfone para a pena entrar em vigor.

Apego ao emprego

Dos 513 deputados federais, 434 tentam a reeleição. Outros 15 disputam o Senado ou cargos no Executivo. A Câmara pode não conseguir consenso para muita coisa, mas seus integrantes parecem concordar sobre um assunto: o emprego é bom. Renovação continua sendo uma ideia muito interessante, principalmente quando começa pela cadeira do colega.

Quer levar? Eu empresto

O crédito bancário apertou e os varejistas resolveram ajudar. O financiamento concedido pelas próprias lojas passou de 9,27% do faturamento em 2023 para 15,52% em 2025. É quase 70% de crescimento. O cliente entra sem dinheiro, o banco prefere não emprestar e a loja quer vender. No capitalismo brasileiro, quem encontra o problema acaba oferecendo também a solução.

Rombo no carnê

A Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e admite nova recuperação extrajudicial ou judicial. A empresa ressalva que cerca de R$ 9,1 bilhões do resultado vieram de efeitos não recorrentes. Ainda assim, a cena é curiosa: durante décadas a Casas Bahia perguntou ao brasileiro em quantas vezes ele queria pagar. Agora é a própria empresa que precisa descobrir em quantas vezes consegue pagar a conta.

*Metodologia: 1.350 entrevistados pelo IRG Pesquisas de 8 a 12 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela TV Independência Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,67 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-09301/2026.

**Metodologia: 1.520 entrevistados pelo Paraná Pesquisas de 13 a 16 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-09048/2026.

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