Houve quem apostasse que a chegada do MDB produziria uma guerra de vaidades no grupo do governador. Até aqui, aconteceu o contrário. Greca aceitou ser vice. Alexandre Curi permaneceu no projeto. Álvaro Dias retirou a candidatura. Os ruídos existem, mas continuam menores do que a capacidade do grupo de acomodar interesses. A crise prevista, por enquanto, não apareceu.
Saída pela porta da frente
Álvaro Dias deixa a disputa pelo Senado sem transformar a decisão em drama político. Depois de décadas de vida pública, não precisou medir força, ameaçar romper nem impor condições para permanecer relevante. Ao optar pelo recuo, entregou uma rara demonstração de desprendimento numa política em que muitos confundem biografia com direito adquirido. Há derrotas que diminuem e há saídas que ampliam o patrimônio político. Esta parece pertencer ao segundo grupo.
Convencer a plateia
Garantir uma vaga na chapa já não depende apenas do compromisso assumido quando ingressou no PSD. Cristina Graeml terá agora outro desafio: reduzir as resistências que seu nome ainda desperta entre aliados importantes do próprio grupo, especialmente Rafael Greca e Eduardo Pimentel. O discurso já convenceu a militância. Resta saber se convencerá também quem participa das decisões.
Nome que não desaparece
Toda vez que alguém pergunta por onde anda Guto Silva, seu nome volta para a mesa. Depois da saída de Álvaro Dias, a segunda vaga ao Senado inevitavelmente reabre especulações. Guto continua fora da fotografia, mas poucos acreditam que tenha deixado o álbum definitivamente. Na política, silêncio prolongado às vezes significa apenas que a conversa mudou de sala.
Nem tudo saiu como o roteiro
O presidente estadual do Republicanos, Pedro Lupion, parecia bastante confortável com a possibilidade de ver o partido ganhar um argumento político para se aproximar da candidatura de Sergio Moro. A expectativa era que divergências internas ampliassem o espaço para essa narrativa. O desfecho das convenções, porém, apontou na direção oposta. Desta vez, o roteiro precisou ser reescrito.
Tem cadeira sobrando?
A saída de Álvaro Dias não significa, necessariamente, que a segunda vaga ao Senado será preenchida por um nome que hoje ocupa o centro das especulações. Em Curitiba, cresce a percepção de que ainda pode surgir um tertius vindo da Federação União Progressista. Não seria a primeira vez que uma vaga aparentemente encaminhada acabasse ocupada por alguém que passou semanas assistindo à disputa da segunda fila. Na política, quando todos olham para os mesmos nomes, às vezes o escolhido entra pela porta lateral.
