Sergio Moro ainda precisa ganhar a eleição, encontrar terreno, conseguir dinheiro e construir o presídio de segurança máxima que promete ao Paraná. O nome, porém, já está escolhido: El Salvador, homenagem ao país de Nayib Bukele, onde a criminalidade despencou junto com algumas garantias individuais.
Bukele virou franquia da segurança pública brasileira. Nesse ritmo, logo aparece um novo bordão entre os especialistas em soluções importadas: bandido ou é preso ou sai na horizontal.
Produto nacional
Enquanto candidatos brasileiros descobrem Bukele, Ronaldo Caiado tem algo menos exótico para mostrar: Goiás. Sob seu governo, o estado reduziu fortemente homicídios, roubos e outros indicadores de criminalidade.
Caiado continua patinando nas pesquisas presidenciais, mas, quando o assunto é segurança, carrega uma vantagem incômoda: em vez de importar um modelo, tem um para apresentar.
Athletiba
Setembro começa com um Athletiba de pesquisas. Paraná Pesquisas divulga levantamento no dia 3 e IRG/RIC TV entra em campo no dia seguinte.
Depois de Quaest, Neokemp, Elbic e Real Time produzirem distâncias diferentes e até alternância entre Sandro Alex e Requião Filho atrás de Sergio Moro, resta saber se teremos finalmente um placar ou mais um clássico em que cada torcida comemora um resultado.
Placar elástico
Sergio Moro continua na frente, mas até sua liderança muda bastante de tamanho conforme o instituto. Atrás dele, Sandro Alex e Requião Filho alternam segundo e terceiro lugares.
As pesquisas de setembro dirão se o horário eleitoral começa a organizar esse cenário. Por enquanto, o líder é o mesmo. O placar é que parece pertencer a cada instituto.
Tomate não lê pesquisa
A cesta básica de Londrina chegou a R$ 674,59 em agosto, alta de 3,83% no mês e 11,55% em um ano. O tomate sozinho disparou 57,4%.
Enquanto governo e oposição escolhem o indicador que melhor explica a economia, o consumidor utiliza método mais simples: passa no caixa. Tomate não lê pesquisa nem respeita horário eleitoral.
Sem multa, com lupa
O TCE afastou multas aplicadas ao ex-prefeito Ulisses Maia e outros ex-gestores de Maringá por falhas na contratação de uma plataforma educacional de R$ 3,3 milhões. Mas manteve auditoria sobre sua utilização em 52 escolas.
A multa saiu. A lupa ficou. A plataforma passou pelo recurso; agora falta saber como passou pelas escolas.
Terapia de grupo
Augusto Cury apareceu como fato novo da corrida presidencial. Chegou a 9% no BTG/Nexus* e a 7,8% no AtlasIntel**, dois movimentos expressivos captados por institutos diferentes.
O escritor construiu uma carreira ensinando brasileiros a administrar ansiedade, emoção e conflitos. Se continuar crescendo, Lula e Flávio Bolsonaro descobrirão que a polarização não ganhou um terceiro candidato. Ganhou terapeuta.
Fora do algoritmo
Renan Santos construiu boa parte da carreira entendendo redes sociais, engajamento e algoritmos. Agora, Dias Toffoli retirou da pauta do TSE o julgamento de seu registro após apontar possíveis irregularidades relacionadas justamente aos perfis digitais da campanha.
Para quem aprendeu cedo a navegar no algoritmo, o primeiro congestionamento apareceu no formulário.
Ormuz não esquece
Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques depois de semanas de relativa calmaria. Washington atingiu alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz e Teerã respondeu atacando instalações militares utilizadas pelos americanos.
A diplomacia passou semanas tentando baixar a temperatura. Alguns mísseis depois, descobriu que o termostato continua quebrado.
Cachorro louco
Agosto termina hoje carregando a velha fama de mês do cachorro louco. Na política brasileira, a expressão nunca dependeu muito de comprovação científica: bastam eleições, pesquisas, candidatos, tribunais, guerras de versões e algumas declarações que dispensam qualquer diagnóstico.
A partir de amanhã começa setembro. Os cachorros podem até sossegar. A campanha, definitivamente, não.
*Metodologia: 2.005 entrevistados pelo instituto Nexus de 28 a 30 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-08900/2026.
**Metodologia: A AtlasIntel ouviu 5.014 pessoas por meio de formulário eletrônico de 25 a 30 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-07972/2026.
