Duas pesquisas, dois Sandros

O candidato Sandro Alex (PSD) durante evento de campanha. Foto: Divulgação/PSD
O candidato Sandro Alex (PSD) durante evento de campanha. Foto: Divulgação/PSD

Alfa* e Quaest** encontraram praticamente o mesmo Moro, 38% e 37%, e o mesmo Requião Filho, 20% e 21%. Sandro Alex conseguiu aparecer com 26% numa e 15% na outra.

Metodologias diferem e ninguém precisa escolher sua pesquisa de estimação. Mas onze pontos autorizam uma dúvida: se Moro e Requião saíram parecidos nas duas fotografias, qual dos dois Sandros estava diante da câmera?

A aprovação que não encontra o candidato

Alfa* e Quaest** discordam bastante sobre Sandro, mas praticamente carimbam Ratinho Junior: 78% e 79% de aprovação. A Quaest** acrescenta que 62% ainda não conhecem o candidato governista.

Portanto, calma com a tese de que Ratinho não transfere votos. Antes de descobrir se o eleitor aceita a herança, talvez seja preciso apresentá-lo ao herdeiro.

Bolsa de apostas

Depois das últimas pesquisas paranaenses, até a velha tradição britânica das casas de apostas teria dificuldade para estabelecer as cotações.

O apostador já não precisaria apenas escolher o candidato. Antes teria de decidir em qual pesquisa acreditar.

Talvez seja mais seguro apostar na margem de erro.

Limbo

Fim de noite num restaurante babilônico, como diria Milton Cunha. O acaso reuniu advogados eleitorais, candidatos, jornalistas e publicitários. Entre bons vinhos, a elegibilidade de Deltan Dallagnol inevitavelmente chegou à mesa.

O processo continua no TRE-PR, mas prevaleceu a expectativa de que acabará no TSE. Sobre qual será a decisão, ninguém cravou. Sobre quando virá, menos ainda.
Depois dos argumentos jurídicos e algumas taças, uma palavra sobreviveu à noite: limbo.

Embaixo do tapete

Curitiba e BNDES assinam protocolo para estudar uma PPP destinada a mandar para o subsolo a floresta de fios que enfeita os postes da cidade. Por enquanto, atenção: é estudo, não obra.

Se um dia sair do papel, Curitiba poderá finalmente olhar para cima sem encontrar um novelo elétrico. Até lá, a fiação começa pelo caminho tradicional das grandes obras brasileiras: debaixo de uma pilha de estudos.

Celepar: o que vai junto?

O Ministério Público abriu uma nova frente na discussão sobre a privatização da Celepar: quer esclarecer a custódia dos documentos públicos mantidos pela companhia. Sistemas, dados e infraestrutura tecnológica já estavam no pacote da discussão. Agora apareceram os documentos.

Quanto mais se abre a Celepar, mais coisas aparecem dentro dela. Antes de perguntar quanto vale, convém descobrir o que exatamente pode ir junto.

Prova oral

Sandro Alex, Sergio Moro e Requião Filho passam hoje, separadamente, pela Expo + Indústria. A Fiep apresenta sua proposta de política industrial e coloca na mesa infraestrutura, energia, tributação, inovação e ambiente regulatório.

Campanha normalmente funciona ao contrário: candidato faz a pergunta que gostaria de ouvir e responde aquilo que ensaiou. Hoje, pelo menos, a banca examinadora estará do outro lado da mesa.

Vice também fala

A eleição paranaense reservou para setembro uma experiência pouco habitual: um debate entre candidatos a vice-governador. Pela primeira vez, eles terão microfone e palco sem o titular ao lado.

Vice precisa acrescentar à chapa sem disputar o volante com quem dirige. Governador escolhe vice para somar. No debate descobriremos se algum deles também sabe dividir atenção.

Problema em dobro

Pablo Marçal já enfrenta restrições provisórias do TSE enquanto aguarda decisão sobre seu registro. Agora a Polícia Federal investiga suspeitas envolvendo R$ 750 mil do fundo eleitoral do PRTB em 2024, tendo entre os investigados Leonardo Avalanche, presidente do partido e candidato a vice. Avalanche nega irregularidades, e investigação não significa culpa.

A Justiça Eleitoral olha para a cabeça da chapa enquanto a Polícia Federal olha para o vice. Não se pode reclamar de falta de atenção.

O Menino vem aí

Meteorologistas britânicos acompanham um El Niño que pode se tornar excepcionalmente intenso, embora ainda exista bastante incerteza sobre a força que alcançará. Para o Paraná, não é assunto distante: o fenômeno pode mexer com chuvas, agricultura, cidades e preços.

Depois de pesquisas eleitorais, prognósticos jurídicos e apostas, é reconfortante encontrar especialistas tentando prever o futuro e admitindo que podem não saber exatamente o que acontecerá. Talvez a meteorologia tenha alguma coisa a ensinar à política.

*Metodologia: 1.200 entrevistados pelo instituto Alfa Inteligência de 18 a 22 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Rádio Transamérica de São Paulo Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-05032/2026.

**Metodologia: Foram entrevistados 804 eleitores no estado do Paraná de 20 a 23 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Sociedade Radio Emissora Paranaense S.A./ TV Paranaense, Rede Paranaense. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-05388/2026.

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