REQUIÃO, RIC E O DEBATE QUE VIROU PROCESSO
O debate da RIC estava marcado para o dia 21. Requião Filho confirmou presença. A emissora cancelou. Ele foi ao TRE-PR.
O curioso é que as regras já previam ausências. Se sobrasse apenas um candidato, o debate poderia virar entrevista. Agora será preciso descobrir se um debate pode desaparecer porque os convidados talvez não apareçam.
A campanha ainda nem sabe se haverá estúdio. Já tem processo.
RATINHO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL PARA EMPRÉSTIMO
Sandro Alex não passou pela RPC tentando provar proximidade com Ratinho Junior. Seria estranho se tentasse. Ele esteve no governo, é o candidato do governador e fala de obras, hospitais, estradas, energia e saneamento como parte de uma administração da qual participou.
A cena curiosa dessa campanha é outra. Sergio Moro, adversário de Sandro, falou em aliança com Ratinho. Ratinho tratou de desfazer a fotografia.
Sandro pode ter muitos problemas pela frente. Encontrar o próprio padrinho não é um deles.
UM MILHÃO DE PESSOAS E NENHUM PLANO
Sessenta e sete municípios paranaenses administram o lixo sem um plano formal de resíduos sólidos. Neles vivem mais de um milhão de pessoas. Em boa parte do Estado falta até estudo para saber exatamente o que se joga fora.
O Tribunal de Contas foi mexer no lixo e encontrou planejamento no meio. Ou melhor: não encontrou.
A ENXURRADA AGORA PASSA PELO ORÇAMENTO
Sai a imagem da água levando tudo. Entram máquinas, engenheiros, licitações, contratos e dinheiro. É essa a etapa que começa nas áreas castigadas pelos temporais, especialmente no Vale do Ribeira, onde estradas sofreram com erosões, barreiras e bloqueios. Recuperar acesso não tem a urgência cinematográfica de um resgate, mas é o que devolve alguma normalidade a quem ficou isolado.
A chuva durou dias. A reconstrução não terá essa delicadeza.
O NAVIO É GRANDE. O NEGÓCIO É FAZER O TURISTA DESCER
Paranaguá espera 14 escalas de cruzeiros na próxima temporada e avança na estrutura para receber passageiros. Durante muito tempo bastava comemorar o navio no porto. Agora a conta é outra. Passageiro dentro do transatlântico é estatística. Na rua, vira restaurante, comércio, transporte, passeio.
Para uma cidade acostumada a embarcar riqueza, talvez esteja na hora de aprender a fazê-la desembarcar.
CANGAÇO DE TOGA
Flávio Dino não precisava levantar a voz para mostrar força. Bastava a sessão.
Contestou a condução de Edson Fachin, fez questão de lembrar que as capas dos ministros têm o mesmo peso e, depois de horas de tensão, pediu vista. O julgamento parou.
Divergência é parte do Supremo. O que se viu, porém, foi mais do que uma divergência jurídica. Foi uma disputa de autoridade exposta diante do país, com ministros medindo prerrogativas enquanto a crise que deveriam resolver permanecia sentada à mesa.
O cangaço mudou muito. Hoje usa toga.
CÁRMEN LÚCIA OLHOU PARA FORA DA SALA
Enquanto ministros discutiam entre si, Cármen Lúcia pareceu perceber que havia gente assistindo. Falou em “mal-estar cívico”, disse estar triste e pediu desculpas ao povo brasileiro. Num plenário ocupado em discutir procedimentos, prerrogativas e acusações, foi um raro momento em que alguém olhou para o estrago do lado de fora.
Talvez por isso tenha incomodado tanto. Não era voto. Era espelho.
NOVENTA DIAS CABEM NUM PEDIDO DE VISTA
O Supremo discutiu durante horas e terminou sem chegar ao ponto que justificava a sessão. Flávio Dino pediu vista. O caso Moraes pode agora ficar até 90 dias fora da mesa. Enquanto isso, permanece marcada para o dia 23 a discussão envolvendo André Mendonça.
Fachin tentou separar dois processos. Saiu da sessão com dois calendários.
VORCARO, PRESENTE
Daniel Vorcaro não estava no plenário. Seu celular, de certa maneira, estava.
As mensagens apreendidas pela Polícia Federal continuam ampliando o círculo de pessoas mencionadas no caso. Citação não significa irregularidade, convém repetir.
Mas a crise já alcançou o funcionamento da Corte: Nunes Marques declarou impedimento e Toffoli também não participou da votação. A certa altura, a pergunta deixa de ser apenas o que existe no telefone de Vorcaro.
Passa a ser até onde ele vai entrar no Supremo.
A GUERRA JÁ PERSEGUE A SI MESMA
A Rússia colocou motores a jato nos drones usados contra a Ucrânia. Alguns passam dos 400 quilômetros por hora. A resposta ucraniana é quase uma síntese destes quatro anos de guerra: construir drones para caçar drones.
A tecnologia ainda tropeça. Interceptadores perderam controle em testes de alta velocidade, enquanto novos modelos continuam sendo experimentados. A razão é também econômica. Derrubar uma arma relativamente barata com um míssil caríssimo tornou-se uma conta difícil de sustentar.
Tanques ainda existem. Soldados continuam morrendo.
Mas uma parte da guerra já acontece entre duas máquinas no céu, correndo uma atrás da outra.
