Tempo de televisão é artigo caro em campanha. Sandro Alex conseguiu entregar 1 minuto e 30 segundos do próprio programa a Sergio Moro depois que a Justiça Eleitoral concedeu direito de resposta ao adversário. A propaganda havia associado Moro às fraudes do INSS e foi proibida de voltar ao ar. Sandro queria usar seu tempo para bater. Terminou oferecendo câmera, audiência e microfone. Não foi cortesia eleitoral. Foi decisão judicial.
DELTAN GANHOU. O PROCESSO NÃO
Deltan Dallagnol saiu do TRE-PR com o que mais precisava: quatro votos contra três pelo deferimento de sua candidatura ao Senado. Vitória apertada continua sendo vitória, e urna não pergunta pelo placar. PT e PDT já anunciaram recurso ao TSE, justamente a Corte que lhe tirou o mandato em 2023. Deltan pode comemorar, fazer campanha e dizer que venceu. Só não convém desfazer as malas. A candidatura foi liberada; a viagem judicial continua.
DESCULPAS DE R$ 100 MIL
Na mesma sessão em que devolveu Deltan à disputa, o TRE-PR aplicou multa de R$ 100 mil por litigância de má-fé pela juntada de documentos com dados fiscais e bancários protegidos por sigilo ligados a Cristiano Zanin. A defesa havia pedido desculpas pela exposição e sustenta que apresentou integralmente processos do CNMP. O Tribunal considerou a conduta temerária. O pedido de desculpas permaneceu. Só ganhou preço.
A PESQUISA QUE NÃO PODIA SER PESQUISA
O Real Time Big Data terminou o campo de uma pesquisa sobre a eleição paranaense que deveria ser conhecida nesta quarta-feira. A campanha de Sandro Alex conseguiu suspender sua divulgação ao questionar a capacidade financeira do instituto para bancar levantamentos autofinanciados. Não há elemento para afirmar que Sandro conhecesse ou temesse o resultado. A cena política, porém, sobrevive à cautela jurídica: todo mundo esperava o termômetro da eleição e o termômetro foi parar na Justiça. No Paraná, pesquisa agora precisa primeiro provar que pode ser pesquisa.
O VERÃO PERDEU A ESTAÇÃO
Sandro Alex quer levar a fórmula do Verão Maior Paraná a Maringá, Londrina e Cascavel, com grandes shows também no inverno e na primavera. A campanha encontrou uma maneira simples de vender continuidade: esticar uma das marcas mais populares do governo Ratinho Junior até o calendário desistir. O verão deixou de ser estação. Virou programa de governo.
FACHIN DEU 72 HORAS. A CRISE NÃO
Edson Fachin deu 72 horas para André Mendonça responder ao recurso da AGU contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. É o rito. Só que a crise do Supremo não parece muito interessada em respeitar relógio: a cúpula da PF reagiu, o governo entrou na disputa e Gilmar Mendes quer o assunto no plenário. Fachin tenta impor prazo a um incêndio. Resta saber se o fogo concordará em esperar três dias.
VÍTIMA, JUIZ E CANETA
André Mendonça afirma ter sido alvo de monitoramento indevido da inteligência da PF e afastou preventivamente Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Os fatos precisam ser apurados sem transformar automaticamente relatório de inteligência em espionagem. Mas sobra uma pergunta incômoda: quem se considera atingido deve ser também quem determina a cautelar contra aqueles que aponta como responsáveis? Mendonça pode ter argumentos jurídicos. O desconforto é que, na mesma história, aparece como possível vítima, juiz e dono da caneta.
ALCOLUMBRE NA ARQUIBANCADA
O Supremo briga consigo mesmo, a crise chega à Polícia Federal, o governo recorre e Fachin tenta organizar a casa. No Senado, Davi Alcolumbre continua assistindo. A Constituição deu à Casa competência para processar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, mas pedidos acumulados há anos aprenderam a conviver com o silêncio. O problema é que a arquibancada começa a ficar desconfortável. Quando não decidir vira método, não decidir também é uma decisão.
DUAS VAGAS, SEIS COTOVELOS
Alexandre Curi, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha se encontram hoje à noite no debate da Band Paraná. Deltan chegará poucas horas depois de sair do TRE elegível e multado, o que já garante assunto suficiente. E existe a peculiaridade das duas vagas: ninguém precisa necessariamente convencer o eleitor a abandonar seu candidato preferido. Pode simplesmente pedir o segundo voto. Com seis candidatos competitivos e duas cadeiras, sobra espaço para programa, promessa e cotovelo.
VORCARO NÃO SAI DA CONTA
A Comissão de Valores Mobiliários aplicou R$ 201,5 milhões em multas num processo envolvendo fraude na gestão de fundo imobiliário. Daniel Vorcaro recebeu punição de R$ 20 milhões e as defesas ainda podem recorrer. Enquanto o país discute Moraes, Mendonça, Polícia Federal, Banco Central e a crise do Supremo, Vorcaro continua produzindo notícia exatamente no terreno de onde tudo começou: dinheiro. A crise mudou de tamanho, de Poder e de personagens. Vorcaro conseguiu a proeza de continuar na conta.
