Ausências em debate para presidente validam prática nos estados

Debate não teve a presença de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Foto: Renato Pizzutto/Band

Zé da Bíblia passou o sábado recebendo homenagens póstumas de políticos paranaenses. Ratinho Junior, Rafael Greca, Roberto Requião, Alexandre Curi, Mauro Moraes e Ney Leprevost estavam entre os que lamentaram uma morte que não aconteceu. No domingo, a filha confirmou que ele está vivo e passa bem. Parte das homenagens simplesmente sumiu das redes.

Errar acontece. Apagar depois não corrige nada. Zé da Bíblia ressuscitou; a fake news ficou sem velório.

Ninguém está imune

O episódio de Zé da Bíblia deixa também uma advertência menos divertida. Fake news não escolhe apenas desavisados, fanáticos ou consumidores profissionais de teorias conspiratórias. Gente experiente e criteriosa também cai. A velocidade com que hoje se recebe, processa e repassa informação frequentemente atropela a velha providência de conferir antes de publicar.

A desinformação conta justamente com essa pressa. E, como ficou demonstrado no fim de semana, ninguém tem vacina contra ela.

Mais perto, mas não tanto

A Alfa Inteligência* colocou Sergio Moro com 38%, Sandro Alex com 26% e Requião Filho com 20%. No segundo turno, Moro aparece com 46% contra 41% de Sandro. Não é empate. Também não é passeio.

Depois de tantos institutos produzindo tantos Paranás diferentes, a prudência recomenda uma coisa simples: menos foguetório e mais “próxima pesquisa”.

A aula da ausência

Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema faltaram ao primeiro debate presidencial da Band. Cada campanha chamou isso de estratégia. Ótimo. O problema é o exemplo. No Paraná, onde ausência em debate já virou assunto, qualquer candidato agora pode alegar que só está seguindo a cartilha dos presidenciáveis.

O mau exemplo, desta vez, veio com alcance nacional.

Emenda com dono

Flávio Dino determinou que sejam anuladas indicações de emendas atribuídas a presidentes de partidos e outras pessoas sem mandato no Congresso. Presidente de legenda pode mandar em muita coisa. Pode enquadrar bancada, negociar apoio e distribuir espaço político. O que não pode é virar parlamentar honorário na hora de repartir dinheiro público.

Dino resolveu exigir um detalhe antiquado: nome junto da responsabilidade.

Cada um com sua defesa

Lula disse que Lulinha terá de se defender das investigações e que ninguém ficará impune caso tenha cometido irregularidade. É a resposta certa.

Agora falta a parte mais difícil: convencer o país de que, quando o investigado é filho do presidente, família e governo continuam morando em casas separadas.

A conta aperta

Quase 70% das despesas federais submetidas ao arcabouço crescem, individualmente, acima da trava real de 2,5%. O teto vale para o conjunto, mas a matemática é pouco sentimental: se uma despesa sobe demais, outra precisa ceder.

Campanha gosta de anunciar prioridade. O Orçamento prefere escolher vítima.

O mercado vota todo dia

Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 22 bilhões da B3 em agosto. Juros americanos, risco fiscal, eleição brasileira e conflitos internacionais ajudam a explicar a saída.

O eleitor vota em outubro. O mercado é mais impaciente: vota de manhã, troca de ideia à tarde e, se ficar nervoso, leva o dinheiro embora antes do jantar.

Guerra entre vizinhos

Estados Unidos e Canadá fracassaram na negociação comercial, e tarifas americanas de 50% sobre parte das importações canadenses entraram em vigor. Ottawa anunciou reação. São vizinhos, aliados e donos de uma relação comercial de cerca de US$ 900 bilhões por ano.

Trump conseguiu provar que proximidade geográfica não evita guerra comercial. Às vezes só facilita encontrar o alvo.

Preparando mais guerra

A Rússia realiza testes de prontidão e exercícios logísticos que podem servir de preparação para uma nova mobilização militar. Zelensky fala em até 300 mil soldados adicionais depois das eleições parlamentares russas. Moscou ainda não confirmou a convocação. Por enquanto é preparação, não decisão.

Mas quem começa a organizar alojamento, transporte e equipamento para centenas de milhares de homens dificilmente está ensaiando um cessar-fogo.


*Metodologia: 1.200 entrevistados pelo instituto Alfa Inteligência de 18 a 22 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Rádio Transamérica de São Paulo Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-05032/2026.

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