MOURÃO FICOU FINCADO
O general Hamilton Mourão, senador pelo Rio Grande do Sul, fez jus ao sobrenome. Mourão. Para quem conhece as coisas do campo, mourão é aquela estaca grossa que sustenta a cerca. E o senador ficou firme no seu não à PEC que acaba com a escala 6×1. Foi o único, contra 75 votos favoráveis. Até Flávio Bolsonaro votou sim, enquanto lideranças do PL já anunciam uma proposta alternativa para 2027.
Mourão, pelo menos, não precisará explicar amanhã por que mudou de opinião hoje. A cerca pode até mudar de lugar no ano que vem. O mourão, por enquanto, continua fincado.
ODORICO PARAGUAÇU BAIXOU EM PONTA GROSSA
Quem se lembra de O Bem-Amado, de Dias Gomes, conhece o drama de Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, que construiu um cemitério e passou a novela tentando arrumar um morto para inaugurá-lo. Pois o vereador Florenal, de Ponta Grossa, parece ter encontrado uma solução mais rápida. Ao comemorar a instalação de energia elétrica na capela mortuária do Parque Tarobá, anunciou que, depois da eleição, vai morrer um monte de petista do coração e que assim poderão utilizar a capela.
Odorico tinha o cemitério, mas faltava defunto. Florenal já garantiu a iluminação e agora espera que a apuração eleitoral providencie a freguesia. Se ninguém morrer, pelo menos a conta de luz estará em dia.
NA ESCALA DE ALCOLUMBRE, 2027 JÁ COMEÇOU
Davi Alcolumbre conseguiu colocar em votação, nos dois turnos e na mesma noite, a PEC que acaba com a escala 6×1. A liderança do governo reuniu as assinaturas para acelerar o calendário, e o presidente do Senado conduziu uma votação que também serviu para demonstrar sua capacidade de articulação. Lula ganhou uma importante conquista legislativa, enquanto Alcolumbre já faz contas para fevereiro, quando pretende continuar no comando da Casa. Não será uma disputa simples, diante de uma bancada de 28 senadores do PL e da possibilidade de Rogério Marinho entrar no jogo. Alcolumbre sabe que precisará conversar com diferentes grupos.
A votação da PEC terminou ontem, mas a eleição que interessa ao presidente do Senado está apenas começando.
2,9 MILHÕES DE VOTOS NO LIMBO
Quase duas semanas depois da eleição, os 2.904.594 votos dados a Deltan Dallagnol continuam num limbo jurídico. O TSE ainda não decidiu definitivamente se serão validados ou anulados, e a OAB Paraná já cobra uma solução. Enquanto isso, a Federação Brasil da Esperança, integrada pelo PT, pede a anulação dos votos e a proclamação de Alexandre Curi como senador, caso seja confirmado o indeferimento do registro. Curiosamente, Curi foi candidato do grupo de Ratinho Junior, adversário do PT e de Requião Filho no Paraná.
É aquela velha história de que o inimigo do meu inimigo pode acabar sendo meu amigo. Não significa que tenham se tornado aliados, mas a política tem dessas conveniências. E quase três milhões de eleitores continuam esperando para saber se seus votos valerão alguma coisa.
BRINCADEIRA DE CRIANÇA
Flávio disse que não ia. Lula disse que ia. Aí Flávio disse que ia, mas explicou que só tinha dito que não ia porque sabia que Lula diria que ia. Entendeu? Segundo Flávio, Lula é muito previsível e caiu direitinho na sua estratégia. Parece conversa de dois meninos decidindo quem vai brincar com quem. A diferença é que estamos falando de dois candidatos à Presidência da República.
Agora que resolveram quem vai, quem não vai e quem sabia que o outro ia, quem sabe sobra algum tempo para discutir o Brasil.
JÁ GANHOU?
Quem estiver preparando a festa da vitória talvez deva esperar mais um pouco. A Quaest colocou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%, empate técnico a dez dias do segundo turno. Ainda teremos dois debates, embora a experiência recente não recomende esperar grandes discussões sobre programas de governo. Esses encontros viraram muito mais testes de comportamento: quem suporta a pressão, quem perde a paciência, quem escapa de uma pergunta e quem consegue constranger o adversário.
Depois começa outra disputa, pela produção dos melhores cortes para as redes sociais. Os eleitores poderão conhecer melhor as reações dos candidatos. Quanto às propostas para o Brasil, resta torcer para que encontrem algum espaço entre uma provocação e outra.
CAIXA FORTE, DEBATE ABERTO
A poucos meses do fim do governo Ratinho Junior, o Paraná apresenta R$ 27,6 bilhões de disponibilidade líquida de caixa, a terceira maior do país, além da classificação A+ de capacidade de pagamento. Os números demonstram a consistência da gestão fiscal, embora tenham provocado questionamentos na Assembleia sobre projeções orçamentárias e incentivos tributários. É uma discussão legítima, desde que ninguém confunda caixa disponível, resultado fiscal e renúncia de receitas, que são coisas diferentes. Sergio Moro receberá um Estado financeiramente estruturado.
Seu desafio será aproveitar essa condição para executar as prioridades do próximo governo. Afinal, administrar bem o dinheiro público também significa saber como utilizá-lo.
FOZ VIRA CIDADE OLÍMPICA
A partir de segunda-feira, Foz do Iguaçu será a capital brasileira do esporte juvenil, recebendo cerca de cinco mil atletas para os Jogos da Juventude, organizados pelo Comitê Olímpico do Brasil. E os números impressionam: 20 modalidades, 32 instalações esportivas, mais de 60 mil refeições, 40 mil diárias de hotel, duas mil pessoas envolvidas na organização e até 170 toneladas de equipamentos. Tudo isso até 3 de novembro, com a presença de 21 ídolos do esporte brasileiro. A realização envolve uma parceria institucional entre o COB, o Governo do Paraná e a Prefeitura de Foz do Iguaçu, reforçando a capacidade da cidade de receber grandes eventos. O Paraná já sediou uma etapa nacional da competição, em Curitiba, em 2017, mas esta será a estreia da cidade das Cataratas.
Uma oportunidade e tanto para o turismo, a economia e, principalmente, para deixar um legado esportivo. Afinal, os Jogos terminam em novembro, mas seus resultados podem durar muitos anos.
A SOBRA DA MERENDA VIROU PRATO CHEIO
Em Ponta Grossa, a Câmara manteve, por 12 votos a 6, o veto da prefeita Elizabeth Schmidt ao projeto que permitiria aos professores e funcionários consumir a merenda preparada e não utilizada pelos alunos. O autor, Guilherme Mazer, queria evitar desperdício. A prefeitura argumenta que a medida poderia estimular a produção de comida excedente, dificultar a fiscalização do contrato terceirizado e criar um benefício alimentar adicional. São preocupações que merecem consideração, mas também algumas perguntas: quanto realmente sobra, por que sobra e para onde vai? Os estudantes devem ter prioridade absoluta, naturalmente.
Resolvido isso, seria interessante saber se o município está evitando desperdício ou simplesmente impedindo o aproveitamento da comida já preparada. Porque, no fim das contas, quem paga a merenda é o contribuinte.
O PRIMEIRO VÍDEO TEM GENTE QUE NUNCA ESQUECE
A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado trouxe de volta uma cena impagável da Câmara, em maio. André Fernandes, deputado do PL cearense, disse que Erika Hilton havia sido humilhada porque sua proposta original de jornada 4×3 não prevaleceu. A deputada devolveu lembrando os antigos vídeos em que André ensinava depilação íntima na internet. Lembram daquela propaganda do Valisère? Pois é, o primeiro vídeo tem gente que nunca esquece. Mas a história não terminou na gargalhada. André publicou depois um vídeo com ataques transfóbicos contra Erika e acabou condenado pela Justiça paulista a indenizá-la em R$ 50 mil, em decisão que ainda admite recurso.
No Congresso, a discussão pode até terminar. Nas redes, certas coisas continuam rendendo consequências.
96% CONECTADOS. MAS COMO?
A região de Foz do Iguaçu, que inclui municípios vizinhos, lidera o Paraná em acesso à internet, segundo o Ipardes: 96,09% dos domicílios têm pelo menos um morador conectado. No campo, o índice chega a surpreendentes 97,22%. Mas a pesquisa mede acesso, não qualidade, velocidade ou regularidade do serviço. Também não permite identificar eventuais conexões clandestinas. A liderança regional é uma boa notícia, mas desperta outra pergunta: que internet chega efetivamente às casas?
Porque conseguir abrir uma página é uma coisa. Depender da conexão para trabalhar, estudar ou prestar um serviço é outra bem diferente.
O PORCO ROSA FOI COBRAR O FMI
Enquanto mais de 15 mil autoridades e especialistas discutem o futuro da economia mundial em Bangkok, na Tailândia, manifestantes apareceram carregando um enorme porco rosa com cifrões no lugar dos olhos. Máscaras de Donald Trump e de dirigentes internacionais completavam o cortejo, organizado para protestar contra a pobreza, a desigualdade e o endividamento das famílias. O assunto é sério, mas o porco conseguiu apresentar sua própria versão das contas sem precisar de uma única planilha.
Dentro do centro de convenções, economistas discutem dívidas, crescimento e equilíbrio fiscal. Do lado de fora, o animal de mentira lembra que, enquanto alguns fazem as contas, milhões de pessoas continuam pagando a fatura.
