Flávio Bolsonaro levou Sergio Moro e Deltan Dallagnol ao debate da Band e fez questão de anunciar a presença dos dois, lembrando o papel que tiveram na prisão de Lula. Deltan ainda apareceu com uma camiseta estampando o famoso PowerPoint da Lava Jato. A intenção de constranger o presidente era evidente, mas a provocação não mudou o rumo do confronto. As condenações de Lula foram posteriormente anuladas pelo Supremo. Mais tarde, quando Flávio mencionou um suposto percentual de votos de presos em Lula, sem apresentar a fonte, o presidente respondeu que gostaria de receber 100%, inclusive o voto de Jair Bolsonaro. A tirada foi boa.
Flávio levou a Lava Jato para a primeira fila e acabou vendo o pai entrar na conversa.
MUITO BARULHO PARA POUCA CONVERSA
Depois de tanta expectativa, Lula e Flávio finalmente ficaram frente a frente. Quem esperava esclarecimentos precisou procurá-los entre acusações sobre filhos, corrupção, filmes e até uma demonstração com as letras da palavra “corrupto”. Flávio mostrou desenvoltura diante das câmeras; Lula preferiu o confronto direto e, por vezes, insistiu em perguntas que não saíam do lugar. Houve propostas sobre saúde, economia e segurança, mas faltaram explicações sobre custos e execução. Até os mediadores precisaram pedir silêncio.
Para um debate presidencial, sobrou material para as redes sociais e faltou novidade para o eleitor que ainda procura decidir o voto.
QUEM ACUSA TAMBÉM ABRE A CONTA?
Flávio trouxe Roberta Luchsinger e suspeitas envolvendo Lulinha. Lula respondeu com Daniel Vorcaro, o filme sobre Jair Bolsonaro e um desafio para que ambos abrissem os sigilos bancário e telefônico, inclusive de familiares. O acordo não saiu. Lula ainda falou da possibilidade de Flávio perder a imunidade parlamentar e enfrentar processos. Enquanto isso, chegava ao noticiário a informação de que Alexandre de Moraes seria relator de um pedido de investigação envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. A campanha contesta as suspeitas e a existência de inquérito formalmente aberto.
No estúdio, as acusações correram soltas. Extratos, ninguém apresentou.
RATINHO E O DNA DAS PROMESSAS
O apresentador Ratinho apareceu na propaganda de Flávio Bolsonaro para perguntar se o candidato manteria os programas sociais. Flávio garantiu que sim. O pai do governador do Paraná empresta sua popularidade à campanha presidencial do PL, depois de ter apoiado outro candidato ao Palácio Iguaçu. Houve até uma conta capenga: ao afirmar que o PT está no poder há vinte anos, Ratinho esqueceu o intervalo entre Dilma e Lula.
O apresentador entende de teste de DNA, mas a cronologia política não se resolve com exame de laboratório.
A BOCA MALDITA NÃO VOTA SOZINHA
Curitiba viu apoiadores de Flávio ocuparem as ruas no sábado, com Moro, governadores e parlamentares. O candidato não apareceu. No domingo, foi a vez dos apoiadores de Lula se manifestarem pelo centro. A campanha presidencial já embaralha alinhamentos da eleição estadual e coloca lideranças que estiveram em lados diferentes disputando agora o mesmo eleitorado.
Bandeiras e palavras de ordem demonstram mobilização, mas não antecipam resultados. Quem quiser contar votos pelo tamanho da manifestação terá de esperar mais uma semana e conferir a conta nas urnas.
RICARDO JÁ SABE O CAMINHO
Ricardo Barros passou a campanha estadual do lado contrário ao de Sergio Moro, mas seus seis deputados estaduais já estiveram com o governador eleito. Segundo contou à Tribuna, Moro perguntou sobre a disposição da bancada para integrar sua futura base. Ricardo sinalizou interesse em colaborar, embora não exista negociação sobre cargos ou participação no governo. É a política paranaense recuperando seu conhecido talento para separar a campanha da convivência.
O deputado garante que não se arrepende da escolha eleitoral. Também não parece disposto a assistir de longe às decisões do novo governo.
A CADEIRA JÁ ESTÁ NA CONVERSA
Sem anunciar candidatura, Ricardo Barros tratou de manter Maria Victoria no jogo pela presidência da Assembleia. Elogiou o preparo e a capacidade de articulação da filha, mas garantiu que o assunto não foi negociado com Moro. O PSD também não pretende abrir mão da cadeira, e Hussein Bakri movimenta suas próprias conversas. Ricardo sustenta que integrar a base governista não significa necessariamente acompanhar o governo na escolha da Mesa.
A eleição ainda está distante, mas o endereço da presidência da Assembleia já é bastante frequentado.
COLETE, FUZIL E CÂMERA
O Ministério Público denunciou o deputado Tito Barichello e a vereadora Tathiana Guzella, ambos do PL, pela participação numa suposta operação policial sem autorização, em 2024. Os dois, delegados afastados das funções policiais, apareceram em imagens usando coletes da corporação; o deputado portava um fuzil. Eles defendem sua atuação e dizem confiar na Justiça.
Denúncia não é condenação, mas a discussão está colocada: onde termina a atuação parlamentar e começa uma atividade reservada à polícia? Nem todo vídeo de ação corresponde a uma operação oficial.
O FUNDEB PEGOU A ESTRADA
O Tribunal de Contas apontou o uso de aproximadamente R$ 7 mil do Fundeb em despesas de servidores de Guaraqueçaba que participaram de um encontro de lideranças municipais em Foz do Iguaçu. A prefeitura corrigiu procedimentos e não sofreu sanção, mas recebeu determinação para evitar a repetição.
O dinheiro da educação tem finalidade definida. Pode até ensinar bastante sobre gestão pública, mas bancar viagens alheias à escola não está exatamente entre suas disciplinas.
A VIDA NÃO PEDIU LICENÇA À ELEIÇÃO
Enquanto Lula e Flávio disputavam cada minuto de televisão, Santa Terezinha de Itaipu encerrava seu Rodeio Show e Maringá recebia escritores e leitores na Festa Literária Internacional. Cultura, música, turismo e comércio movimentaram cidades que não cabem apenas no noticiário eleitoral.
Uma constatação reconfortante para quem passou o domingo ouvindo acusações: existe vida depois do debate. E, felizmente, ela não depende da autorização dos marqueteiros.
