Vejam vocês e meditem se eu não tenho razão: nós, às vezes, somos mais influenciados pelo que ouvimos, desprezando o que vemos.   O que eu quero dizer é que quando assistimos a um jogo pela televisão, em um primeiro momento, a narração e o comentário são capazes de exercer influência quase absoluta na formação do nosso juízo sobre um determinado fato. Escrevo isso, a propósito do jogo da Independência, em Belo Horizonte, no qual o Furacão venceu o Galo por 1×0.

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As imagens do lance de falta na área sobre Ewandro (gol de Walter) e sobre Nikão foram de pênaltis, por qualquer critério da aplicação da lei. Mas o juizo de julgamento foi criado na televisão, pela opinião do excelente Bob Faria, um comentarista apaixonado pelo Galo: o Furacão teve ganhos da arbitragem.
O mesmo jogo narrado e comentado de uma forma fria, que, aliás, é irritante porque não combina com a natureza apaixonante do futebol (e como é a daqui da terra) criaria outro juizo para o julgamento final: o de que vitória do Atlético foi insuspeita, como foi. Foi resultado da sua supremacia técnica e individual que já havia sido demonstrada na Baixada. O Furacão surrou o Galo de Culpi, aqui e lá.

O prejuízo de um time não pode ser medido sem estar associado à probabilidade. O risco da perda de gol na cobrança de pênalti, como seria o da falta sobre Nikão que foi ignorada, é bem menor do que a de um único impedimento, como o de Thiago Ribeiro.

E eu escrevo com autoridade. Paixão é comigo. Bob não seria coroinha perto do que eu fazia no rádio.
Neste sábado, na Baixada, o Atlético joga contra o Joinville.

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Jogar contra o desespero, às vezes, é pior do que jogar contra um time de ponta. Jogar contra o JEC, de repente, pode exigir muito mais do Furacão.

Aos poucos o menino Ewandro vai despertando curiosidade. Se jogar na Baixada, o que jogou no Horto vai provocar emoção. Junto com Walter pode começar a ser ídolo.

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Dúvida

E se o Coritiba perder para o Avai?  É essa dúvida que não poderia levar para o jogo em Florianópolis. Mas as trapalhadas de Ney Franco no segundo tempo contra o Sport que desmontou o time remetem os coxas para um jogo de vida ou morte. Era tudo o que tinha que ser evitado. Em confronto direto, quando se está num estágio inferior, o empate pode ser mortal.