Tomar de cinco em um jogo de futebol só fez bem para um clube na história do futebol brasileiro: ao Atlético. A goleada de cinco aplicada do Coritiba, em 1995, despertou todos os instintos de Mário Celso Petraglia. A bela história continua e será eterna, se não for escrita por seu autor.
O Brasil tomou de sete da Alemanha, Felipão foi parar na China, mas o futebol brasileiro, teimoso, não aprendeu. Foi além: com Dunga e Gilmar Rinaldi, piorou. Ameaçado de não ir jogar a Copa da Rússia, foi eliminado pelo Peru da Copa América.
Tomar de cinco em um jogo de futebol e não tomar nenhuma providência é falta de tudo, mas é falta em especial de orgulho próprio. É quando a omissão deixa de ser interpretada como incompetência, para se transformar em covardia.
O Paraná pode não recuperar a vaga na elite do Brasileiro em 2016. É questão complexa, que depende das varias circunstâncias. Mas uma coisa já conseguiu: recuperar o seu orgulho próprio. A atitude da sua diretoria presidida por Leonardo Oliveira de demitir técnico e dirigentes do futebol é atitude profunda. E nem se diga que é coisa do amadorismo do dirigente, pois a decisão só foi tomada após cinco jogos sem vitórias, e após uma humilhante goleada para o Nautico de 5×1. O espaço entre o primeiro e o último jogo afasta a característica da intempestividade, que é inerente à cultura do brasileiro.
Razões para não manter Claudinei no comando técnico existiam e de sobras. Há tempo, desde o Estadual, que o Paraná é um time desequilibrado. Razões para afastar Vavá (foto) existiam, mas eram absorvidas pelo prestigio de “formador de grandes times”. Desprezava-se na Vila a verdadeira história dos últimos “grandes times”, que foram realizados por Luiz Alberto Martins de Oliveira Filho, na bem-sucedida parceria que levou o clube à Libertadores. Agora, sozinho, Vavá não conseguiu formar um time, embora fizesse circular pela Vila quase 60 jogadores em um ano. Às vezes faz bem que os mitos descansem.
A relevância do ato não está em demitir o treinador. O fato relevante está na responsabilização do comando, prática quase inédita dentro do futebol brasileiro. O Paraná afastou do óbvio (demissão do treinador) e centrou no essencial (afastamento dos dirigentes de futebol).
Agora terá que começar tudo de novo para tentar salvar a ilusão de retorno. Começo a desconfiar que o Paraná começou a trabalhar bem para voltar em 2017.
