A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la, escreveu Gabriel García Márques na mais bela história que contou em Viver para contar. A história de Mário Celso Petraglia de dirigente é uma contradição só. Não consegue conciliar realização com vitórias no campo. Realizou e construiu, derrubou e edificou, mas no campo, é um grande perdedor.

O mais grave é que os atleticanos aceitam esse estado. A derrota continua e os fracassos humilhantes estão incorporados na vida, como se fosse sempre o primeiro.

Insisto que não são antigos escritos. Não os repito. As derrotas é que se repetem. O mais grave é que não se sabe quando será a próxima vitória. A história daquele que dizem ter sido o maior dirigente do Atlético perdeu o rumo. O escritor não sabe qual o caminho tomar. É que as derrotas acumuladas no campo são tantas, e algumas tão humilhantes, que o leitor poderá pensar que as realizações, pelo mesmo personagem, são uma obra de ficção. Se a história no caminho da vida real (esse atual), sem criar pelo menos uma ilusão, pode levar a um triste final: construiu a Arena para albergar o seu estigma de perdedor.

Agora com uma agravante: perdedor silencioso querendo fugir, talvez, agora, de si próprio. Foi desnaturado o objeto social do Atlético. Vencer é indiferente diante da psicose dos negócios. A torcida, mesmo aquela que está investindo no pacote, é mero detalhe. Sem significado, é mero instrumento de comércio, aí já entrando os interesses americanos, que são os menos culpados.

Foi embora Mário Sérgio, virá um outro, mas tudo continuará igual. O gasto babilônico com executivos ignorantes de futebol e o marketing explorador continuam. No entanto, não se revela um craque, não se contrata um grande jogador, não se ganha um título. Fernandinho, Jadson, Dagoberto e Alessandro Lopes são da antiga.

Por que, antes de abril de 2002, tudo era diferente?

Mário Celso Petraglia parece ter perdido a auto-estima, o orgulho e o sentimento da vitória. A sua história poderia ser a mais bela de um dirigente no futebol brasileiro. Mas o futebol não consegue conciliar edificação com derrota.

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