Eu não vi, nem ouvi, durante toda a semana, um atleticano gritar o velho brado otimista: Vamos ganhar do Timão no Pacaembu. Com Ronaldo, Edno, Defederico, a Fiel e tudo.
Se me lembro, até eu recolhi aquela ponta de esperança que todos temos, talvez baseados em Gandhi, para o qual o impossível é possível. Não se trata de pessimismo, mas do medo de revelar otimismo.
Eis, que começa o jogo e surge um Atlético lírico, extraordinário, jogando um futebol que parecia ter influência divina. Talvez, tivesse mesmo a influência da fé cristã desse grandioso Antônio Lopes.
O que se viu, foi um Atlético absolutamente irrepreensível no Pacaembu. Com a defesa jogando avançada para adiantar a marcação de Valencia e Rafael Miranda, com Manoel traçando uma linha imaginária que dava limites para Ronaldo, o time que já tinha jeito, perdeu a humildade, ganhou ousadia e transformou o impossível em um fato natural: Atlético 3 x Corinthians, 1.
E nem se diga que foi uma vitória alienada à circunstância inesperada. E é daí que se extrai a importância da vitória: o Furacão já tinha jogado bem contra o Palmeiras. Não ganhou, todos lembram, porque São Marcos não deixou.
Pois o Atlético do Pacaembu nada mais foi do que a continuidade do Atlético do Parque Antártica. O poder adversário foi o mesmo, e o futebol que jogou foi o mesmo, só mudando o endereço.
Só que no Pacaembu, teve mais equilíbrio pelo tempo de bola dado ao contra-ataque com Wallyson pela direita, e Paulo Baier, Marcinho e Wesley pelo meio.
O resumo de tudo foi o primeiro gol: a bola longa empurrou Wallyson para o lado da área, atraindo toda a zaga corintiana. Paulo Baier ganhou o vazio e fez o gol. Os dois outros, de Wallyson e Wesley foram mera consequência da superioridade atleticana.
Não escolho mais Paulo Baier como melhor em campo. É uma rotina que já não lhe dá graça, por ser a alma do time.
Escolham entre Manoel, Valencia e Wallyson.
O menino Manoel deixou os atleticanos orgulhosos. Que zagueiro!
Justiça
O Coritiba ganhou do Inter (2×0), a partir da intervenção de Ney Franco. Mais especificamente, a partir da entrada de Rômulo, que é mesmo um arrumador de esquema. Inteligente, saiu pelos lados, abrindo os gaúchos. Na primeira jogada que criou, Marcos Aurélio fez o primeiro gol. Quando saiu no segundo, de Thiago Gentil, o Coritiba já remetia o Inter para um estado de decomposição.