No Couto Pereira, no 1º jogo da final do Estadual, Coritiba 1×0 Atlético.

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Não vi o jogo, não vou enganar. Criador pobre, estou longe dos versos mais lindos de Toquinho, em “Aquarela”: “Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo. E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo. Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva. E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.

Ouvi-o pela Transamérica. E vi os melhores momentos. Então, peço licença para o leitor para usar a imaginação que o rádio provoca, transformando-se em um aliado da experiência de 50 anos de Atletiba.

O jogo foi o retrato bem-acabado deste Estadual: carente pela falta de qualidade, inclusive técnica, e com um público que consciente dessa carência, preferiu ignorá-lo. Não há notícia histórica que um Atletiba de caráter decisivo, tenha sido assistido por apenas 9 mil pagantes.

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Quando os dois times são iguais, e quando essa igualdade tem origem na falta de qualidade, o futebol deixa de ter lógica. Nem mesmo os fatores campo e torcida podem ser considerados, pois são absorvidos por essa carência. Então, sem virtudes, tudo se torna possível, porque a causa para solução do jogo fica limitada aos erros. É quando, definitivamente, o futebol só tem um segredo em forma de dúvida: quem vai errar.

E foi um erro do goleiro Caio, do Furacão, que o Coritiba usou para ganhar o jogo. Inexperiente, Caio, ainda, não aprendeu que escancarar um lado do gol para atrair o chute para o lado exposto, fica dependente da barreira. E foi o que aconteceu: a bola bem chutada por Júlio Rusch passou e foi no seu canto esquerdo. Quando chegou, a bola já tinha passado e estava nas redes.

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O Coritiba mereceu ganhar o jogo. Consciente das suas carências, superou-se. Solidário e aplicado, em nenhum momento quis jogar mais do pouco que sabe. Preparado para marcar João Pedro e Matheus Anjos, amarrou o Atlético. Bem por isso, reduzido a jogadas eventuais pelo lado, o Furacão, sem catálogo para atacar, obrigou-se a cruzar bolas na área coxa para o baixinho Ederson. O goleiro Wilson não precisou sujar o uniforme.

Os atleticanos devem estar perguntando: o 1×0 não é de fácil reversão na Baixada? Em tese, sim. Mas sendo coerente, repito, que em um jogo de iguais pela falta de qualidade, não há tese. E não basta mais 1×0. Serão precisos dois gols de diferença, para evitar a decisão pênaltis. Não há como tratar Wilson como um goleiro comum.

Domingo eu vou à Baixada.