Há muito tempo não se via tamanha solidariedade para se ganhar um jogo de futebol: a diretoria com um surpreendente repente de humildade, promovendo um ?jogo para pobres?, ao cortar o valor do ingresso pela metade; a torcida inteligente controlando a emoção, para ver o jogo da razão; e um time que voltou a ser poderoso porque voltou a ser sério e responsável.
A conjugação de todos esses fatores, ontem à noite na Arena da Baixada, fez o Atlético seguir em frente na Copa do Brasil: precisando de uma diferença de três gols sobre o tradicional Vitória de Salvador, e fez: 3×0.
Em regra, um placar de três a zero embora seja clássico, acaba sendo lógico e natural. Depende apenas de um fator, a superioridade técnica de quem vence. Mas esse mesmo placar desde que imposto como obrigação, passa a ser extraordinário, quase irreversível. Para ser alcançado, passa por traumas. Pois o Atlético jogou tanto tecnicamente, foi irrepreensível taticamente, que ambientou o jogo de uma forma, que a diferença de três gols foi anunciada no primeiro de Denis Marques.
Não existe nada mais curioso do que um vestiário de um time. Transforma-se em uma entidade curiosa, com vida e uma dinâmica próprias. Lá não tem segredos, cada um depende dos outros. Por isso foi na virada do tempo, nos vestiários que aconteceu o fato mais importante. O Atlético, que se esperava ansioso e angustiado pelo terceiro gol, veio consciente de que tinha mais quarenta e cinco minutos para fazer o terceiro. O que se viu, então, não foi o time brilhante tecnicamente do primeiro tempo; mas, o time equilibrado no exercício de todas as funções.
Por isso e porque Evandro, Ferreira, Denis Marques e Alex Mineiro são poderosos quando jogam sérios, logo fizeram outra jogada de categoria, e o Atlético marcou: Denis, 3×0.
Foi um espetáculo de bola e de coração.