Escreveu certa vez Nelson Rodrigues, que nada é mais importante para todos nós e cada um de nós do que a ilusão. Quando o sujeito perde as ilusões, só tem diante de si três caminhos: ou o suicídio, ou a loucura, ou o crime.
O atleticano já andava sumido. De esperanças descartadas, agarrava-se na ilusão de que poderia ainda haver um milagre.
E nem milagre foi preciso para devolver a esperança. Por exclusão, que é a alternativa escolhida pelo desespero, o Atlético formou às pressas uma comissão técnica comandada por Antonio Lopes, que já estava em regime de aposentadoria no Rio de Janeiro. O desespero, às vezes, não é o meio para o fim, mas o meio para o começo.
Ontem, no Mineirão, o Atlético derrotou o poderoso Cruzeiro por 2 x 0, fazendo um jogo irrepreensível sob o aspecto tático. E, porque Lopes, foi causa fundamental para a vitória.
Porque um treinador consagrado, naturalmente, sem pedir ou querer, atrai para si o ônus do erro e da derrota. Isso repercute diretamente na emoção do jogador, diminuindo sobre ele a pressão. Porque no campo tático, recompôs o sistema defensivo, quando aos 17 minutos o time ficou com dez; e recompôs o equilíbrio do meio e a velocidade na frente, quando o Cruzeiro ficou com dez.
À partir desse domínio tático, criou para o Atlético a solução do jogo: um contra ataque e pronto. Foram dois, dois gols, de Marcinho e Gabriel.
Confesso que não lembrei da última vez que vi o time rubro-negro marcando e não cercando, e bem protegido por uma defesa, que à certa altura, bem distribuída, tornou-se impenetrável. Por mais posse de bola que teve o Cruzeiro, fato absolutamente natural e previsível por ser o jogo no Mineirão, o goleiro Galatto precisou fazer apenas uma defesa. No caso, apenas um milagre.
A importância da vitória está no fato de que recuperou a confiança, e descobriu que o problema estava muito mais no comando do que no campo.