Não deve haver alegria quando a derrota é vencida. Talvez, possa existir um conforto, mas não tão forte que desarme a verdade e esvazie as lições dadas pela angústia da eminência do fracasso.

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Não tive alegria e tampouco conforto com a permanência do Atlético na primeira divisão nacional. A alegria nesse momento é sentimento de pequenos. É para aqueles que têm pouco, que querem pouco, como é viver de ocasiões.

O que senti foi orgulho pelo Atlético Paranaense. Eu vi a sua vitória sob um outro ângulo, que poucos viram e sentiram: a consagração definitiva como grande clube do futebol brasileiro. Não me refiro a grandeza que apóia e se protege na tradição ou na influência popular, pois Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Corinthians e Vasco a tem de sobra, e no entanto foram derrotados.

A grandeza consagrada pelo Atlético, é aquela que revela o poder de descobrir os seus próprios erros, para então enfrentá-los e derrotá-los em um mesmo jogo. E não se engane o torcedor que isso se resolve só com a emoção de arquibancada, embora concorra como um mandamento; mas, no futebol de mercado de hoje, que absorveu o romantismo da tradição e dos repentes emocionais, se resolve com a estrutura capaz de buscar homens como Geninho e Moraci, e através deles, despertar o espírito indômito do poder que provoca o alcance de objetivos.

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O Atlético não foi rebaixado porque é um dos poucos grandes do futebol brasileiro. Literalmente grande. A vitória sobre o Flamengo por 5×3, ontem na Arena da Baixada, foi o corolário dessa grandeza. O Atlético se apresentou com tamanha grandeza, que quem não soubesse da história, pensaria que ali estava jogando o campeão do Brasil.

Se Mário Celso Petraglia quiser tomar como homenagem esse motivo de orgulho de um atleticano, tome-a, sem o constrangimento de quem toma a vitória de alguém. Merece.

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Vitória

Se Geninho fosse um escultor como Michelângelo, o futebol que o Atlético jogou ontem na Baixada, seria o seu Davi. Foi tão perfeito, que bem que poderia no final exclamar: Fala! Vendo Geninho saudado pela torcida, não tive dúvida: Deus faz o meio-de-campo entre ele e o Atlético. Escolham o melhor em campo entre Alberto, Valencia e Julio dos Santos. Escolho Julio dos Santos.