No Mineirão, Brasil 2 x Uruguai 1. Sempre que um jogo desse Brasil do Felipão termina, exclamamos: jogou mal! Não importa se ganhou, empatou ou perdeu. Somos intransigentes com o brilho técnico, com a jogada espetacular, a ação do craque.
Escrevi um dia desses que precisamos revisar conceitos. Por não termos mais craques, perdemos o direito de sonhar com o futebol artístico. Definitivamente, esse se transformou em página de romance, que só não amarela porque a história é muito bela. O que eu quero dizer é que nós torcedores brasileiros não temos mais o direito de sermos românticos.
Bem por isso, escrevo: o Brasil pode não ter sido sublime, mas foi apoteótico. Ganhou porque foi à exaustão, como precisa ir todo o time carente de técnica – ontem, inclusive de Neymar. Quando fez o segundo gol com Paulinho, já estava com a língua de fora, não de cansaço, mas de emoção que a exaustâo provoca. Quando se consegue preservar o sentimento de ideal, vai-se até o fim. E ganha.
A vitória teve mesmo todos os ingredientes de uma apoteose: o pênalti defendido por Júlio César, evitando um gol que tornaria os uruguaios mais ambiciosos, não foi um lsnce de sorte. A defesa do goleiro, ao invés de ser casual, integrou-se ao jogo como fator decisivo para influenciar a reação emocional, fundamental para se chegar ao gol de empate.
Mas nada foi mais importante do que a honestidade de Felipão com seus princípios de treinador. Fervia por dentro, mas não se influenciou pelo nervosismo da arquibancada. Ao invés de Lucas, que joga sem olhar, colocou Bernard, que além de olhar, pensa. E quando teve que tirar o fraco Oscar, manteve-se conservador com Hernandes. Se Felipão fosse vaidoso e populista, o Brasil abriria o esquema e perderia o jogo. Consciente dos limites do time, conservou o meio, protegendo a defesa contra Forlán, Suarez e Cavagni. E, humilde, atacou à procura de apenas uma bola. Foi a de Paulinho. Paulinho já era o melhor do Brasil. Com o gol que decidiu, foi o melhor em campo.