Vitória de Drubscky

Não foi por obra do acaso, nem por benefício da sorte. Não foi por golpe de ocasião, nem por fato isolado. O Atlético ganhou do Vitória, em Salvador (2 x 0), porque voltou a ser grande por inteiro. E à frente de jogo irrepreensível, esteve o técnico Ricardo Drubscky, que aplicou na prática as lições teóricas que tanto disserta em suas orações públicas.

O núcleo central dessa atuação portentosa do Furacão esteve no equilíbrio tático. Drubscky corrigiu o posicionamento de Manoel e Cleberson, adiantou a linha da zaga, e como já havia uma harmonia precedente entre o meio e o ataque, o time alcançou esse estágio de brilhantismo.

Elias fez um a zero no início do segundo tempo.

E, depois, que ficou reduzido a dez (Botelho foi expulso), o Atlético quase chegou a perfeição. Recuou, mas não com o objetivo ficar seguro atrás, mas para atrair o time baiano e fazer o segundo gol. E o fez em grande estilo, com Marcão, em jogada de Marcelo. O Atlético jogou tanto que o amigo Carpegiani viu que seu time é fraco e foi embora.

Há muito tempo não se via o Atlético jogar o que jogou. Se não comoveu, porque a Segundona não comove os grandes, mas confortou. A vitória foi a notícia definitiva de que o suplício está indo para o fim.

Ando escrevendo que Cleberson lembra o notável Alfredo Gottardi. Pois jogando o que jogou, não lembra mais. É o Alfredo, reeditado em versão negra. Foi um espetáculo.

Época do terror

O advogado criminalista Figueiredo Bastos, brilhante, aliás, esteve na Transamérica falando em nome de Petraglia. Deu um recado: de agora em diante quem ofender o seu cliente irá responder com a liberdade e os bens. Referiu-se, também, a mim, de forma indireta, porque na coluna “Mensalão Atleticano”, imprimi forma jornalística com sentido figurativo, às denuncias de Campelo Filho. Com sua oração teatral, o advogado impressiona. Há quem já esteja afinando.

Nunca escrevi um texto com o ânimo de ofender, mas como houve referência à minha coluna, respondo.

Como jornalista não me submeto a tratamento preventivo. Na vida aprendi a não ter medo de Robespierre, porque, ele sempre vai acabar na guilhotina. Também, estou cansado de ser constrangido por ameaças, e quem o fizer outra vez, irá responder com a mesma moeda se é que essa não está escondida em offshore do Uruguai. Porque crime, também, é viver ameaçando o direito de opinião, pois, equipara-se a violação da liberdade de ir e vir, é abuso do exercício de um direito. Se a essa altura da vida eu contrariar os meus princípios prefiro ficar em casa brincando com meus netos, lendo Dante Mendonça e José Carlos Fernandes.

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