Vitória de Culpi

O futebol deixou de ser uma caixinha de surpresas. Neste mundo de igualdade virou uma caixa de contradições; algumas aparentes, outras falsas e a maioria verdadeira.

Vejam o jogo de ontem na Arena entre Atlético e Vasco. O Atlético foi o time que mais errou passes e o que mais parou o jogo com faltas. No entanto ganhou com um placar clássico: 2×0.

Pode parecer uma contradição aparente, falsa ou verdadeira, o Atlético com um futebol rústico fez o seu melhor jogo neste campeonato. Trocou o brilhantismo, às vezes falso de goleadas, por um futebol de disciplina e um esquema irrepreensível por sua inteligência proposto pelo treinador Levir Culpi.

Partiu de uma premissa certa, que era a do inevitável erro do Vasco em razão da inexperiência do seu time. O Vasco iria errar. Era certo. Então, o que Levir fez foi concentrar o Atlético do meio para trás e esperar pacientemente por esses erros. Amordaçou o Vasco e disciplinou a torcida, que paciente entendeu qual era o objetivo final.

Pensado, dito e feito: na primeira bola, Fábio e Henrique se confundiram. Entre eles surgiu Jádson, o melhor em campo, para marcar; depois, iludido que dominava o jogo, o Vasco abriu espaço para Dagoberto, que fez o segundo.

Foi a mais importante vitória do Atlético. Pode parecer uma outra contradição porque identifiquei o seu jogo como rústico. Mas não é: a importância está em ter alcançado a indispensável virtude da maturidade. Com esta é que se disciplina a executar um projeto de jogo, e provoca jovens talentosos como Dagoberto, Fernandinho e Jádson serem resignados ao conjunto. E só consegue alcançar esse estado com o tempo e com um treinador que convence os jogadores pela seriedade, como é Levir Culpi.

O Atlético está entre os quatros primeiros e não é de graça. Chegou maduro. Está quase pronto para disputar o título. Basta um lateral-esquerdo.

Subindo

Não vi o jogo dos coxas. Mas sendo a essa altura do campeonato o resultado mais importante do que qualquer outro fato, a vitória (2×1) em Goiânia foi excepcional. Dois são os motivos: para ganhar do Goiás em Goiânia é preciso jogar bem; e ganhando, readquire o estado emocional necessário para a recuperação definitiva.

Coincidência ou não, o Coritiba volta a ganhar em razão dos gols de Tuta.

Caindo

Vi a derrota do Paraná para o Fluminense, 3×1. E tirei as minhas definitivas conclusões: do jeito que está não há salvação. O Paraná fez um bom jogo. Mostrou que o limite que consegue atingir é insuficiente para não perder.

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