Vitória comovente

Se o seu time do coração jogou pela segunda divisão, não pergunte se ele jogou bem. Limite-se a perguntar se ganhou. Ganhar jogando bem é exigir o irreal. Às vezes por um tempo menor, às vezes para sempre. Não há nem para os nobres, o direito de viver na fantasia da ilusão. É que uma segundona nacional é um campeonato de desaforos e de desgostos. Os times são formados com a sobra da primeira, o que por si já os tornam rústico e cheio de quebras, nos quais um brilho ou outro se torna uma circunstância de comoção inesperada.

O casuísmo, de um lance bizarro que decide, tem o mesmo valor do lance de um gênio. E todos esses elementos ganham dobra, quando o time não tem um campo para jogar onde vive. E o técnico é de quarta. É um insulto.

Então, estamos combinados: não pergunte mais se o seu time do coração ganhou jogando bem pela segunda divisão. Pergunte só se ganhou. O Atlético ganhou do Criciúma, em Paranaguá, 1 x 0: vitória extraordinária, portanto, inesquecível. O gol foi de Marcão, que estava virado de costas para a meta, dentro da área, sem saber onde estava. A bola chutada por Felipe, que indo para a bandeirinha do escanteio, lhe bateu na canela e se desviou, matando o goleiro: um gol de gênio, pura emoção.

O Furacão está subindo. Se ganhar do Paraná, o que é possível, e depois do Joinville, o que é provável, estará entre os quatro.

Será uma missão a ser alcançada sem traumas, se o seu treinador Drubscky não atrapalhar. É que em Paranaguá, contra o Criciúma fez força para piorar o time. Carregando o vicio dos treinadores manjados, tirou David pela presunção burra de quem tem um amarelo, será obrigatoriamente expulso. Depois tirou Elias, quando era Felipe, quem deveria ser substituído por Baier. Contra dez, em casa, o Atlético pelos erros do técnico teve que correr riscos para não deixar a importante vitória escapar.

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