Vítimas da guerra

Certa vez perguntaram a Santo Agostinho o que é o tempo? Ele respondeu: “Se ninguém me pergunta, eu sei; porém se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei”. Mais à frente, em suas “Confissões”, conclui que o passado por mais longo que tenha sido não existe, porque já foi; e, o futuro, porque ainda não chegou.

O presente do Atlético não oferecia nada para comemorar. Um ano cheio de rancor no campo, que lhe remeteu para a Segunda Divisão; fora dele, uma disputa quase animal, em que os ressentimentos não desaparecerão em curto prazo.

Quando há carência de fatos presentes a serem festejados, obriga-se a alongar o passado. Às vezes, a carência é tão grande, que se estica tanto, que parece que se viver o presente.

O Atlético está comemorando 10 anos da conquista do título brasileiro (23.12.2001). O que era para ser marco do início da história definitiva, desgarrou-se. Os fatos que se sucederam, tornaram-na remoto e isolada na história, mera alienação de um momento inesperado, que só o futebol é capaz de produzir.

Às vezes, luto contra a ideia de que o título brasileiro de 2001 acabou fazendo mal para o grande clube. A vaidade do “fui eu”, que estava controlada em benefício de um projeto a longo prazo, explodiu: a unidade acabou, o poder do sistema foi individualizado, e aí foi inevitável o arbítrio.

Conquistar bens materiais, para os quais só depende de dinheiro, passou a ser a única prioridade. Ignorou-se que sem humildade não há inteligência. Por isso, não se preocupou com o projeto cuja execução é dependente da humildade para ter a consciência dos limites do saber e do não saber. O objeto social do Atlético, que é o futebol, transformou-se em acessório. Os atleticanos continuam sendo vitimas dessa guerra.

Despedidas

Um dia de 1969, fui chamado à redação da Tribuna do Paraná. Então, minha vida nunca mais foi a mesma. Esse ciclo termina aqui. Não se trata de uma despedida da Tribuna, embora por uma questão de princípio obrigo-me a deixar à vontade o novo comando. O ciclo que termina para mim é porque o Dr. Paulo Pimentel vai embora. Sem ele não teria alcançado o estágio que consegui no jornalismo. É que nada vale ter o direito de opinar, se não é exercido plenamente. Sempre tive liberdade, porque não fui amarrado. Ao Dr. Paulo, a minha gratidão.

Aos leitores, Feliz Natal.

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