Uma das maiores vítimas do futebol é o preparador físico. Uma espécie de mordomo dos antigos contos policiais é escudo de proteção para erros de técnico, jogador ou dirigente. Quantas e quantas vezes já culpamos o preparo físico, quando a causa do fracasso passou longe dele.

Trato deste assunto por uma boa causa que atende pelo nome de Rodolfo Mehl. O esquema de jogo do Atlético pode ser simples na aparência, mas não é para quem o executa: provoca a marcação e o combate pela posse da bola até a exaustão, seguido do arranque em velocidade. É tão desgastante, que às vezes parece exigir o próprio sangue.

Mas não é só isso. Para isso exige concentração, que implica em influir no equilíbrio emocional. Embora leigo, mas por ser princípio elementar, o trabalho mental concorre diretamente para o desgaste. No entanto, uma jogada ou uma atitude qualquer, que exige o esforço supremo, sai ao natural.

Tomemos como exemplo dois jogadores: o zagueiro Marcão e o centroavante Washington. Corre tanto para apoiar, subir e defender, que parece não ser um humano normal. Quando parece sufocado, sai de campo como se estivesse voltando de um jantar em família. Washington não é um jogador de futebol; é um atleta de futebol. No Atlético, por todas as circunstâncias tornou-se um fenômeno físico no futebol brasileiro.

Lembremos do jogo com o Corinthians. Estava tudo igual, até o momento em que todos os movimentos individuais e táticos passaram a ser dependentes da condição física. Então, o Atlético deixou de simplesmente jogar para atropelar os paulistas.

Rodolfo não surpreende. Ele tem história no Atlético. Em 1995, preparou fisicamente um time que atropelou de Caruaru a Goiatuba, resultando na conquista do nacional da segunda divisão.

As boas lembranças não são gratuitas.

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