Se Mário Celso Petraglia fosse 20 anos mais novo, ninguém lhe poderia negar o apoio para construir a Arena da Baixada ao custo de colocar em risco hipotecário todo o patrimônio do Atlético. Só que Petraglia não tem 20 anos a menos.

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Agora está confirmado que o Atlético será solidário pelo valor total do empréstimo do BNDES. A garantia principal sobre 120 milhões de reais não será o papel do potencial construtivo, que para o banco é meramente figurativo, principalmente porque essa garantia, num prazo de 15 anos, terá que se submeter ao mercado com uma redução próxima a 40 por cento. A garantia será o patrimônio do Atlético, seja decorrente do contrato, seja pelo Código Civil. E, por esse, entra a Baixada.

Tudo isso, sem desprezar que já se admite dispor como garantia o rendimento de 15 mil contribuições de sócios ou 15 mil cadeiras. Sem desprezar, que já se admite negociar no mercado o crédito do contrato de 5 anos com a Globo. Se não bastasse a obrigação contratual e solidária perante o BNDES, o Atlético terá que buscar mais 50 milhões de reais para fechar a conta. Tudo isso, partindo do princípio de que a obra sairá por 184 milhões de reais.

Fosse para hipotecar o CT do Caju apenas para garantir a obrigação do clube na repartição com o poder público, seria razoável. Ocorre que o Atlético vai garantir a sua parte com a hipoteca do CT e o restante pela solidariedade legal. Em resumo, Petraglia está fazendo tudo o que condenou (e com razão) da proposta da OAS. Talvez pior, porque ao invés de um sócio, o Atlético vai ficar com diversos credores.

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O problema é que Petraglia tem “três anos de vida útil”, como ele próprio escreveu. Construirá a Baixada a esse custo, sujeitará todo o patrimônio do Atlético ao risco de uma inadimplência, e três anos depois, que coincide com o final do prazo de carência do empréstimo do BNDES, e com o final de seu mandato, entregará o monumento e irá embora.

Ficará com a história, e o Atlético com uma dívida extraordinária, tendo como parceiro uma Fazenda Pública cuja solvência presumida está apenas na lei.

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E tudo isso está sendo assistido por conselheiros, que deixando-se manipular pela retórica de Petraglia, aplaudem tudo. E uma oposição, que sumiu. Seus integrantes são sócios, que têm o direito, pelo Estatuto do Torcedor, de proteger o clube.

De primeira

A desapropriação dos terrenos para a construção da Baixada vai mesmo virar processo judicial. Enquanto o minicípio oferece R$ 1,5 mil pelo metro quadrado, os proprietários pedem de R$ 2 mil a R$ 3 mil. E ainda irão questionar na justiça o edital de desapropriação.