O Atlético termina o ano com vida.
Vida não se limita ao conforto de bem ou mal existir.
No futebol, vida significa a existência com dignidade, em razão do exercício de um comando responsável, que trata o clube como um bem comum, não isolando-o do povo.
Foi um ano sofrido para os atleticanos, mas bem mais sofrido para alguns poucos atleticanos. Suceder mitos não é tarefa para qualquer um, porque todos os mitos guardam segredos, que expostos iriam abalá-los.
O princípio de que no futebol a única verdade é a vitória já não é mais absoluto. No futebol ganhar títulos centrados na irresponsabilidade de comando, no gasto prodigioso por estar em descompasso com as finanças, é o aproveitamento da paixão do torcedor.
É verdade que o Flamengo deve 500 milhões, e foi campeão do Brasil. Mas é verdade que por ser um devedor contumaz, não obstante ser o maior do Brasil, há 17 anos não ganhava o título. O Flamengo é uma exceção, em que a regra de coerência é regida por São Paulo, Inter e Cruzeiro, que são clubes administrados com rigor, e disputam o título todo o ano.
Não parece pela discrição de seus dirigentes, mas o Atlético encerra o ano vivendo intensamente. Reconstruído financeiramente pelo seu grande dirigente Enio Fornea Junior, tornado transparente e acessível por Marcos Malucelli, Diogo Fadel Braz e Henrique Gaeder, o Furacão termina o ano com a consciência em paz: técnica, porque pela primeira vez depois de anos, manteve uma base de time forjada no CT do Caju. Os meninos Manoel, Douglas Costa, Neto, Raul, Alex Sandro, Fransérgio, Patrick e Marcelo terminam o ano como se tivessem vividos 10 anos em 2009; mantendo Antonio Lopes, conservou a referência de comando, que é imprescindível no futebol de hoje, enganado pelas soluções imediatas, genéricas e improvisadas; organizou e equilibrou as finanças deixadas na mais completa desordem, ao ponto de ser a única empresa brasileira a praticar o inédito pagamento da 1ª. parcela do 13º salário no mês de setembro. Termina o ano cumprindo aquilo que para alguns clubes deixou de ser uma obrigação, que é pagar em dia quem trabalha. Pelo diálogo, soube administrar os casos de Nei e Danilo, numa prova de que não se deve culpar só a lei pelo relacionamento tenso com os atletas; a exuberante administração provocou o acerto com a maior atração do futebol mundial, que é a Seleção Brasileira, para treinar no CT do Caju.
E se não bastasse, vai anunciar sem pompas a solução final e formal para a reconstrução da Arena da Baixada, prevalecendo o respeito à instituição, que não será onerada como o mecanismo de gerir o dinheiro alheio pretendia.
Lembro do saudoso Rubens Passerino Moura, que foi presidente do Atlético em 1970. Disse no meu microfone, e pediu para que eu registrasse na mente, a seguinte verdade: “No Atlético, o insubstituível nasceu morto.”