Versão moderna

Voltemos à briga no Janguitão. As imagens da televisão mostram um homem (Petraglia) reagindo de uma forma, que poderia estar perdendo a razão que dizia ter. Desconfortável com as cobranças por mais uma derrota do Atlético para o Paraná, reagiu contra um torcedor. As câmeras flagraram novamente um rosto inquieto, com contrações que pareciam projetar sentimentos perigosos. Em um jogo tocado com torcida única para evitar violência, o único ato violento foi praticado por quem deveria dar exemplo de civilidade. Poucos dias antes, constrangera um jornalista alemão, que procurava explicar aos seus leitores, as razões pelas quais o Atlético Paranaense, “um desconhecido na Alemanha”, está sendo tratado como o novo grande do futebol pentacampeão do mundo.

O presidente atleticano que não se engane. A reação isolada de um torcedor é a representação concreta do acúmulo de frustração de toda a torcida pela falta de conquistas. Na Baixada, a cobrança será ainda maior. E daí não haverá mais argumentos para justificar uma derrota.

O que acontece com Petraglia?

Talvez seja vítima da falta de fé. Do antídoto que precisamos para, às vezes, combatermos algumas emoções que nos maltratam. Petraglia precisa recuar um pouco. Se ainda não notou, bem que deveria notar: os flagrantes que vêm proporcionando para as câmeras estão desfigurando a figura do realizador e criando uma figura folclórica, daquelas provocadoras de gargalhadas. Ao mesmo tempo, sendo a referência nuclear, está definitivamente infiltrando dentro do Atlético a reação pelo ódio, pelo combate e pela violência. Antigamente essas reações lhe davam respeito e autoridade. Agora, estão o transformando em uma espécie exótica.

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