Não é o que eu sinto. Mas por eu ser carregado por belas lembranças, é o que eu lembro. 1968: o Corinthians foi transformado em “Timão”, pelo jornal Gazeta Esportiva, que foi um dos embalos da cultura esportiva da minha geração. E veio jogar com o Atlético pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa. Com a romântica Vila Capanema reduzida a uma caixa de fósforo de tantos atleticanos, o Furacão deu de 4×0.
O editor da Tribuna do Paraná era o histórico Albenir Amatuzzi. Sem ver o jogo, baseado apenas no coração atleticano e na sua inspiração, fez a manchete da Tribuna: “Timão é o nosso”.
Quero dizer que iria colocar o título dessa coluna entre aspas para não maltratar os sentimentos dos meus. Mas não devo, porque não posso. Seria rasgar todos os princípios do jornalismo, e da confiança do meu diretor e dos meus editores.
O Coritiba venceu o Palmeiras porque foi irrepreensível. O gol de Galdezani, no segundo tempo, foi apenas um corolário do jogo ordenado pela técnica e pela entrega até a exaustão, em razão do comando de Pachequinho.
No começo não parecia que iria ser assim. Mas, aí, Pachequinho interviu, ordenou a marcação e o que se viu foi o equilíbrio como trânsito da superioridade. Já era para sair o gol no primeiro tempo, que Henrique Almeida perdeu. Mas no segundo, ocorreu o gol de Galdezani. Dirão que foi casual, de uma bola chutada à louca por Márcio. Mas se a bola da zaga foi casual, a colocação e o chute de Galdezani não o foram.
E o Coritiba brilhante, ainda, não tinha aparecido. Foi depois do gol que surgiu, porque continuou atacando, mantendo o Palmeiras retraído, sem perturbar o goleiro Wilson. E se era para sair mais um gol, Iago perdeu o segundo do coxas.
O melhor em campo foi Tiago Real.
Mas o maior foi Pachequinho, o treinador.
Essa é uma coluna em homenagem às memórias de Albenir Amatuzzi e Lombardi Júnior, esse o primeiro a chamar os coxas de “Verdão”.