Verdade

Quando esse time do Coritiba ficou na liderança do Campeonato Brasileiro, escrevi que o fato resumia o atual estágio do futebol brasileiro. Não fui compreendido. Sem ironia ou desprezo, apenas usei o fato como ilustração de uma verdade: o futebol brasileiro está pobre. Sem um grande time, buscando referência em jogadores em fase de despedida, o futebol brasileiro se limita a sobreviver.

A representação viva desse estado foi dada nesta semana. O Santos foi goleado pelo Barcelona por 8 x 0, na estreia de Neymar, em Barcelona. Dias antes, o São Paulo havia terminado em último lugar a Copa Audi, disputada em Munique, na Alemanha. Os dois, já formados e preparados, como se supõe quem está no meio de temporada, enquanto os europeus estão na segunda semana de preparação.

Mais do que ser humilhado, o futebol brasileiro foi buscar lá fora a prova desse estado precário que parece não terminar.

Prova diária

Não se fica invicto dez jogos de graça. Mais ainda, em um campeonato como o Brasileiro, e em um período em que o dinheiro voltou a centralizar o poder técnico e político. Mas os coxas estão invictos. Ao invés de provocar respeito dos outros em razão das virtudes, provoca a curiosidade quando ocasionalmente é líder.

A pergunta é: até quando vai a invencibilidade do Coritiba? Hoje, no Mineirão, é contra o Cruzeiro. No Mineirão, por tradição, a lógica é o Cruzeiro ganhar, tornando a derrota do adversário normal. Ganhar, e não perder, sempre é bom no futebol. Mas, às vezes, a invencibilidade se torna um peso que provoca a curiosidade dos outros.

Mas não é só esse o desafio do Coritiba no Mineirão. É enfrentar um time de ponta e sem Alex. Se perder, dirão muita coisa, e que um time que está invicto há dez rodada não merecia.

Ascensão

Amanhã contra o Goiás, em Vila Capanema, um fato inusitado neste Brasileiro: o Atlético entra como favorito, e como um time em que se pode confiar. Mas esse estágio só poderá ser mantido se a virtude principal for preservada, que é a consciência de seus limites individuais. Repito, por ser uma lição de vida: quando executamos conscientes que temos um limite, conseguimos vencer as dificuldades. O que o Atlético não pode é perder essa consciência. E não ganhar do Goiás será jogar fora pontos importantes que ganhou no Canindé e no Horto.

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