Há programas de computador que operam milagres: faz nascer um cachorro-peixe para embalar o sonho de um jovem à procura de um ipod a produzir uma fotografia de um estádio de futebol com hotel e shopping center.
Ontem, o Coritiba convocou a imprensa e mostrou a foto que projeta o complexo esportivo e comercial no Alto da Glória. Em vez do presidente da WTorre, seu parceiro, que até agora não apareceu para afastar as dúvidas sobre os recursos para a obra, alguém que se apresentou como um arquiteto português.
Para não correr o risco de escrever bobagens, procurei por um amigo que tem 30 anos de mercado financeiro. Formulei a seguinte pergunta: em tese, qual o prazo do retorno de um investimento de R$ 200 milhões, que seria o custo anunciado para o “Monumental” do Alto da Glória.
A resposta: uma aplicação pura e simples no mercado financeiro, no Brasil, renderia próximo a 13% ao ano. Incidindo capitalização dos juros a partir do primeiro ano, o capital investido poderia ser recuperado de 7 a 10 anos. O lucro viria só depois.
Depois de vários cálculos, me convenceu que um investimento de R$ 200 milhões na construção de um estádio de futebol, usando-se as mais variadas fontes dentro dele, não retorna em prazo inferior a 40 anos.
Não quero duvidar de nada. O que provoco é a obrigação da diretoria do Coritiba sair do abstrato, como é uma foto produzida por programa de computador. Sei que existe a boa intenção, mas o que não pode é incentivar algo sem explicações e projeções concretas. Como ficariam esses dirigentes que expõem o clube se, de repente, tiverem que declarar a inviabilidade da obra por falta de investidores?
É lamentável que a nossa imprensa não procure abordar esse aspecto em matéria de entrevista. Os jornais divulgam o fato como se fosse definitivo, sem investigar se poderá vir a se concretizar ou não. Quero crer que para a diretoria do Coritiba seria um presente divino a prefeitura declarar inviável a execução do projeto no Alto da Glória. Seria uma saída pela tangente.