À certa altura do jogo, e o Atlético ainda não ganhava. Pensei que não era o Atlético que jogava. Não é um poema nem um jogo de palavras, mas apenas a forma de escrever uma verdade.

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É que era um time tão organizado, era um time tão equilibrado, que parecia um time. E podia ser o Atlético, mas não lembrava o Atlético.

E eis a grande verdade: o Atlético, não renegando a sua própria história de contradições, voltou a ser um time de futebol.

E por trás, ou pela frente, decida o leitor, existe um nome: Ney Franco, seu treinador.

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Não sei o que será o Atlético amanhã ou depois de amanhã. Pode voltar a jogar mal, é certeza que voltará a perder, mas pela primeira vez neste 2007, mandou para campo um verdadeiro time.

Não pense que a vitória, sobre o poderoso Goiás, em jogos no Serra Dourada, foi aleatória, como às vezes são as vitórias no desespero. Foi uma vitória, digamos, brilhante, em que revelou a grande esperança para afastar a angústia: Ney Franco, seu treinador.

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Sua virtude foi simplesmente, simples: a coerência. Manteve o esquema de três zagueiros, não para ser moderno, mas para ser coerente. Com Danilo, Rhodolfo e o excelente Antônio Carlos, protegeu o goleiro; com Valencia comandando a marcação, protegeu a defesa; e com todos voltando, lutando, marcando com renúncia de função, desarmou e atacou.

Era o Atlético para ganhar já no 1.º tempo, aliás, irrepreensível. Aliás, o melhor tempo de jogo que fez nos últimos tempos. Agora sim, é um jogo de palavras para alcançar o corolário da vitória atleticana: viu-se que Ramon estava mal, e entrou Netinho. Com empate, Ferreira passou a vir de trás. Então, o segundo de Pedro Oldoni, e o terceiro do surpreendente Willian, encerraram o espetáculo, mas um espetáculo.

O gol de ameaça do Goiás não causou nenhum trauma.

O Atlético era tão surpreendente maravilhoso, que já tinha vencido.

Uma vitória de Ney Franco, em que Antonio Carlos foi o melhor, e Pedro Oldoni foi o mais importante.

Resta saber se Petraglia vai confirmar a humildade da ?Cartaaos Atleticanos?.