Veneno

Antes, é bom lembrar: recluso ao mundo pensado por seu senhor, o Atlético não adotou o silêncio para se comunicar. Para se defender usa a nota oficial em seu site. É a fórmula de um veneno. Eu posso acreditar no que o presidente do meu time fala, mas não necessariamente no que ele escreve. O silêncio e a nota oficial em um segmento como o futebol movido pela paixão são instrumentos impessoais, sem ânimo e sem alma.

Aos fatos. Criou-se apreensão, quase um pânico entre os torcedores, a notícia de que o Atlético não paga os fornecedores da construção da Baixada. A defesa por nota oficial não afastou a ideia de verdade, pois foi genérica, fria, quase incompreensível, parcial, como é tudo que não tem o contraditório.

Por não me convencer de que a denúncia de inadimplência a fornecedores seja de caráter proposital, numa obra que depende de crédito para a obtenção de dinheiro e serviços, fui pesquisar.

A notícia tem meia verdade. Há uma pendência com o locador de máquinas, mas não exigível por faltar os valores definitivos. Explico: uma empresa locou máquinas em que o valor final seria por horas trabalhadas. Na readequação do cronograma de obras, as máquinas ficaram paradas. A empresa as deixou no canteiro e depois emitiu notas fiscais, incluindo horas não trabalhadas. É similar aos contratos das locadoras de veículos com os agentes públicos. O valor final é em razão da quilometragem. Essa precisa ser medida para evitar o arbítrio do locador, o que, aliás, ocorre muito em todos os municípios com a conivência dos governantes.

O Atlético, com razão, não pagou. E nem poderia, porque não sendo um valor líquido, mas a ser apurado, não teria como justificar uma prestação de contas ao munícipio e ao Estado, seus parceiros. O Atlético engoliu do veneno criado por Petraglia. Se tudo isso ele explicasse de viva voz, afastaria a ideia de calote que se espalhou por Curitiba.

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