O notável jornalista Alberto Dines escreveu certa vez que o núcleo das verdadeiras tragédias está na ardilosa mecânica em que todos imaginam-se inocentes. Transportada essa verdade para o futebol como provocador de sentimentos, temos que adotar a lição do saudoso Márcio Moreira Alves: só queremos ver o óbvio, e desprezamos o mais importante.

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Há tempo tenho sido um crítico intransigente contra os atos arbitrários de Mário Celso Petraglia no comando do Atlético. Ao custo da penhora e da hipoteca de todo do patrimônio do clube, sem autorização da assembleia ou do Conselho Deliberativo, que limitou o gasto em 180 milhões de reais, gerenciou a construção da Baixada – gastando o que está hoje em 450 milhões de reais.

Fracassando no acordo com Estado e Município, porque o sistema de acertos políticos tornou-se menos indecente, fracassando na cessão dos direitos do nome da Baixada, fracassando como gerenciador de eventos, fracassando na busca por 40 mil sócios, fracassando como dirigente de futebol por não ganhar títulos e não criar ídolos, Mário Celso Petraglia entregou-se à realidade.

Convencido de que a sentença do juiz da 4ª Vara da Fazenda vai condenar o Atlético a pagar toda a dívida à Fomento Paraná, mais encargos dos contratos e dos processos, só restou um caminho: transformar o Atlético em uma sociedade anônima e negociar as suas ações. Com o dinheiro, pagaria a Fomento Paraná.

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Bem por isso, o Atlético contratou a Ernst & Young, uma das quatro maiores empresas de transações corporativas do mundo, para tratar da transformação do Atlético em sociedade anônima e negociar as suas ações. Petraglia não só quer isso como quer mais: angustiado com seu fracasso de usar o Estado e o Município para pagar a conta da Baixada, e com a ameaça de vê-la leiloada, quer resolver tudo até o final de 2018.

Para o leitor da Tribuna do Paraná, esse fato não surpreende, pois há tempo eu venho noticiando a pretensão de Petraglia. Denunciando que o esvaziamento de público e de sócios tinha um objetivo que era exatamente de transformar o clube em sociedade anônima. O que diverge é só o motivo: a O Globo, ele afirma que é a forma do Atlético equiparar-se ao Corinthians e ao Flamengo. Uma outra enganação, pois uma sociedade anônima não compra história e torcida; e, aqui, eu escrevo que a causa recente é que finalmente foi convencido de que o Furacão terá que pagar a Fomento Paraná ou a Baixada irá para leilão.

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O motivo nesse momento é irrelevante.

Só há uma verdade: Petraglia vai comandar a “venda” do que não é dele, o Atlético.

Daí poderá realizar o outro sonho: ir morar em Roma.