O Atlético ganhou em Paranavaí (3 x 1) venceu o turno com a melhor defesa e está na final do Estadual. A pergunta é: e agora?
Visto sob o ângulo da verdade real, a conquista provoca mais dúvidas do que certeza. O Campeonato Paranaense só não é pior que o do Piauí, já escrevi. Então, ganhar um turno, ou o próprio Estadual, não quer dizer que que irá resolver os problemas de campo no futuro. No caso, a Copa Brasil e, em especial, a disputa para a volta a elite nacional.
O atleticano gosta de ignorar as virtudes do clube, só apontado defeito. Mas mesmo dentro dessa realidade, não se pode ignorar as virtudes do Furacão. A do presidente Mário Celso Petraglia foi a causa imediata para vencer o turno. É que, sendo leal ao seu autoconvencimento de que não entende de futebol, aceitou a orientação de trazer o treinador uruguaio Juan Ramon Carrasco. Se assim não fosse, teria trazido Falcão e o Atlético outra vez comeria os frutos da árvore envenenada. Um erro de comando no início de temporada cria uma espiral que compromete o futuro.
Com Carrasco, o Atlético conseguiu compensar as carências individuais. Fez o que o clube deveria ter feito o ano passado. No Estadual, ao invés de entupir o CT do Caju com Sílvio, Flávio Boaventura, Marcos Pimentel, Alê, Gabriel, Henan e outros que a mediocridade empurrou para o esquecimento, preferiu fazer uma depuração para saber quem poderia servir ou não.
Resultado: o jovem goleiro Rodolfo passou a ser de uso imediato, Manoel voltou a ser um dos melhores zagueiros do Brasil, Harrison explodiu como grande revelação, jovens como Pablo e Heracles passaram a ser opções confiáveis na composição de um grupo.
E tudo isso, sem o fator Arena da Baixada, andando como nômade à procura de um lugar para jogar, o que potencializa as virtudes.